DESFILE DE CRAQUES EMBALOU DOMINGO TURFÍSTICO NA GÁVEA
Para quem ama o turfe de paixão, a reunião do último domingo, no Hipódromo da Gávea teve ingredientes dos mais saborosos. Até para os turfistas exigentes. Na seletiva do Latino–americano, GP Escorial, a exibição extraordinária de Pimper’s Paradise. Lindo no galope de apresentação e esmagador na corrida. quando, pode–se dizer, hipnotizou os demais concorrentes. No GP Estado do Rio de janeiro, a quinta vitória consecutiva deste espetacular Royal Ship, um potro da mais absoluta exceção, que pode entrar para a galeria dos tríplices–coroados. No GP Henrique Possolo, a exibição de gala da versátil Mais Que Bonita, mais mansa do que no início de campanha, quando disparava e vencia de ponta a ponta. E que agora, revelou a faceta de que também pode ser emérita atropeladora. E, além dos craques de quatro patas, a presença mágica do recordista mundial, Jorge Ricardo, uma alegria imensa para a sua legião de fãs, que mataram a saudade do seu estilo agressivo de correr, sempre em ritmo veloz e alucinante, mudando a característica dos páreos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Venâncio Nahid baixou a biblioteca na apresentação de Pimper’s Paradise, no Grande Prêmio Escorial, seletiva carioca para o Clássico Associação Sul–americana de Jockeys Clubs. Há muito tempo, um puro–sangue de corrida não exibia tamanha aceleração final durante a disputa de uma prova clássica. Encantadora a arrancada do filho de Put It Back, nos últimos 400 metros. Num lote de ótimos corredores, a sua atropelada deu a nítida impressão de que os seus rivais estavam paralisados. Inscrição ousada no Latino–americano, porém mais do que justificada. Representante de luxo do turfe brasileiro, no Hipódromo de San Isidro, em março.
JOQUEADA DA SEMANA
Henderson Fernandes foi o dono da festa no Hipódromo da Gávea, ao vencer as duas provas de Grupo 1, o GP Estado do Rio de Janeiro e o GP Henrique Possolo, as duas primeiras etapas da tríplice–coroa, com Royal Ship, do Stud Happy Again, e Mais Que Bonita, do Stud Eternamente Rio. Na prova destinada as potrancas, particularmente, ele teve direção das mais inspiradas, no dorso de Mais Que Bonita. Depois de ficar um pouco exprimido após a largada, o piloto não se apavorou. Pelo contrário. Ele aproximou a sua conduzida de maneira gradativa, por dentro. Fez curva redonda e esperou com frieza a passagem surgir. E quando teve a brecha, nos 350 metros finais, a exigiu de forma resoluta para obter belo triunfo. Perfeito!
PERSONAGEM
O que dizer de um treinador que inscreveu três cavalos no Grande Prêmio Brasil, nos últimos três anos, Voador Magee, Quarteto de Cordas e George Washington, e ganhou todos? O cara está invicto na prova mais importante do turfe nacional. Ele nunca perdeu um páreo que muitos colegas levam longos anos para vencer. E outros, se aposentam sem conseguir este feito. O cearense Luís Esteves está em estado de graça. E, na abertura da tríplice–coroa, ele já deu o seu cartão de visita ao vencer os dois páreos. O estado atlético perfeito dos seus pensionistas já pode ser diagnosticado no passeio do padoque, antes de entrar na raia para competir. Pelo reluzente, nenhum excesso de peso, vivacidade e alegria.
Depois do cânter dos cavalos preparados por L. Esteves, quem corre com chance começa a temer pela própria sorte. E na corrida é um deus nos acuda. Luís Esteves é o personagem indiscutível deste início de tríplice–coroa. E vale lembrar um detalhe. No GP Henrique Posso, ele tinha três potrancas inscritas. A ganhadora, Mais Que Bonita, a terceira colocada, Intuição, do Stud Rio Dois Irmãos, e a quarta, I’m Stronger, do Haras Santa Rita da Serra. Tanganika, de Carlos dos Santos, teve atuação de luxo, a melhor de sua campanha, mas foi alcançada, em cima do disco.
MENÇÃO HONROSA
O treinador Jaime Moniz Aragão merece ser citado, mesmo numa semana de tantos páreos importantes. O estado atlético em que mantém Olympic Impeachment, de Reynaldo Reuters, é para lá de impressionante. Ligeiro, valente e duro na queda, ele desafia as subidas de turma e se recusa a entregar a rapadura. Belo triunfo na prova de Pesos Especiais em que derrotou dois ótimos corredores, Fogo Supremo, do Haras Nijú, e Gone Hollywood, do Stud Verde.
GALAXINA BAIXOU DE TURMA
Galaxina ganhou com estilo a Prova Especial João Vieira, no tiro curto. A pensionista de Christiano Oliveira estava mais ajuizada no padoque e no alinhamento. O seu temperamento difícil sempre foi o maior inimigo em sua campanha nas pistas. Valdinei Gil foi o jóquei tranquilo de sempre e ela, desde a largada, jamais deu impressão que pudesse ser derrotada pelos adversários. Vamos torcer para seu amadurecimento. A filha de Put It Back e Special Class pode evoluir ainda mais.