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Janeiro | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
07/01/2020 - 09h56min

SEMANA DO CARNAVAL SEM CORRIDAS NA GÁVEA

A exemplo do que aconteceu nas festas de Natal e de Ano Novo, quando a última reunião do prado carioca foi disputada no dia 23 de dezembro, e as corridas só voltaram a acontecer no último domingo, dia 5 de janeiro, o fato se repetirá no próximo mês de fevereiro. Ontem à tarde, na Gávea, ao pegar o projeto na Repesagem, me surpreendi com a chamada. No dia 18 de fevereiro, uma terça–feira, se encerra o conjunto de programas da terceira semana do mês.  Quatro dias depois será sábado de Carnaval, dia 22. Porém, ao contrário do que sempre acontece nos últimos 30 anos, ou mais, não havia chamada para os dias 20, 21 e 22, quinta, sexta e sábado, respectivamente, anteriores a festa de Momo. Na chamada seguinte, constam os dias 29 de fevereiro, 1, 2 e 3 de março. Portanto, 10 dias sem corridas. Somados aos 12 dias sem páreos disputados do final de 2.019, até o início de 2.020 serão 22 dias sem corridas realizadas no hipódromo mais bonito do Brasil.

Economicamente, talvez esta iniciativa do JCB de abortar as corridas seja necessária para o clube neste período de transição entre o fim do casamento com a PMU e o divórcio amigável com a firma francesa. Não tenho informações suficientes e nem privilegiadas para entrar no mérito da questão. Certo mesmo é o prejuízo desta ausência de corridas para os proprietários de puros–sangues de corridas nestes 22 dias sem faturar com vitórias e colocações, que ajudam a pagar as despesas com o trato. No final do mês, a conta vai bater nas portas. Para os profissionais, treinadores, jóqueis e cavalariços, que recebem comissões por suas atividades, representa um caos financeiro. Se você não fatura, não ganha comissão. Afinal, 10% e 12% de nada é nada.

Vamos aguardar a sequência dos meses para uma melhor conclusão, ou talvez seja melhor dizer, avaliação do que representa esta nova diretriz. O futuro responderá se a mudança de hábito é coisa momentânea, e circunstancial. Ou, se representa o início da caminhada para diminuição do número de programas semanais, a exemplo do que já acontece há muito tempo com os outros clubes hípicos coirmãos pelo Brasil afora. O rebanho de equinos tem diminuído de maneira significativa nas últimas décadas. Pode ser uma explicação. Não tenho certeza. O turfe paulista deu uma corrida no início do ano, como sempre faz normalmente. O Hipódromo do Cristal, também marcou presença. Estranho, justamente no Rio de Janeiro, onde semanalmente, são realizadas quatro, ou no mínimo três programações, o carioca ficar na seca. E, agora, no Carnaval, a mesma coisa de novo?

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Duas apresentações chamaram bastante atenção esta semana. The Baths, defensor da farda de Elói de Souza Ferreira, perdeu o excesso de peso, e com apresentação irretocável de Bruno Ulloa obteve bela vitória de ponta a ponta. Na reunião noturna de segunda–feira, Olympic Impeachment, de Reynaldo Reuters, voltou a ser apresentado em estado atlético magnífico e deu uma canseira na parceirada. Parabéns a Jaime Moniz Aragão, sempre criterioso em suas inscrições.

JOQUEDA DA SEMANA

Vagner Borges foi brilhante no dorso de Madame Indy, do Haras do Morro, apresentada em estado atlético magnifico por Roberto Morgado Neto, na Prova Especial Eulógio Morgado. Correu com lucidez e tranquilidade ciente da superioridade de sua conduzida, mas levando em conta o aumento do percurso. Encontrou passagem providencial, junto a cerca interna e obteve triunfo autoritário. Bruno Queiroz deu direção sublime em Turkish, com a inesquecível farda da Fazenda Mondesir, e preparo do craque Dulcino Guignoni. A cada dia que passa, Bruno demonstra maior confiança e frieza para montar na pista de grama, algo nada fácil para pilotos de pouca experiência, como é o seu caso. Vai longe na profissão. Podem apostar as suas fichas.

A VISITA DE JORGE RICARDO

Jorge Ricardo, de férias no Brasil, para as festas do final de ano com a família, depois de curtir os filhos e passear em São Lourenço, na segunda–feira esteve no prado carioca para rever os amigos, fãs e colegas profissionais. Numa roda descontraída no padoque, em que estavam os treinadores Júlio César Sampaio, Jonas Guerra, José Luiz Pedrosa, entre outros, colocou o papo em dia. Falou do turfe argentino, da possível volta ao turfe carioca, provavelmente, a partir de março, da expectativa de encerrar a carreira e, do momento em que vive o turfe argentino. “O turfe lá é muito forte, dentro e fora das pistas. Mas a moeda é fraca devido aos problemas financeiros do país. Eu gosto de lá. Sou muito bem tratado pelos ‘burreros’. Fui bem recebido e só tenho motivos para agradecer a receptividade dos argentinos comigo. Vou encerrar a minha carreira na Gávea. É a minha casa. Não posso falar em datas e nem no dia do retorno. Mas posso garantir que está chegando a hora”, afirmou.

Perguntado sobre Francisco Leandro, campeão da estatística do turfe argentino nos últimos dois anos, ele fez grandes elogios ao piloto, mas evitou fazer comparações. “O sucesso dele na Argentina foi uma previsão minha logo que ele chegou por lá. Além de bom jóquei, o Leandro é bastante focado e trabalhador. Chegou no lugar certo e na hora certa, quando os jóqueis mais importantes estavam a caminho da aposentadoria. É o meu próprio caso e do Pablo Falero, com longos anos na mesma batida. Não é nada fácil acordar cedo, fazer restrições alimentares, sofrer quedas e se manter em forma por tantos anos. Mas existem outros bons pilotos por lá como o Eduardo Ortega, Juan Villagra, Brian Enrique, Wilson Moreyra e William Pereyra, todos ainda jovens. Por isso, acho difícil o Leandro bater o meu recorde sul–americano. Mas não é impossível. Agora, o mundial, modéstia à parte, ninguém deve chegar perto”, exultou.




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