NÃO DÁ MAIS, A CEREJA DO BOLO DA GLORIOSA CARREIRA DE C. LAVOR
Carlos Lavor, na verdade, não tinha nada mais a provar. Um atleta, que chega aos 50 anos, com tão expressivo currículo, já se encontra acima de qualquer dúvida ou julgamento. Coberto de glórias, incontáveis feitos, inesquecíveis triunfos, nas mais importantes provas clássicas do calendário, entretanto, ele queria mais. Faltava a cereja do bolo. E logo assim que Lavor obteve à vitória no Grande Prêmio Derby Paulista, no dorso deste craque espetacular, Não Dá Mais, do Haras Phillipson, ele pressentiu que estava próximo do sucesso mais importante de sua carreira. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, após aquela vitória em Cidade Jardim, ele me disse ao telefone, depois que o parabenizei pelo triunfo. “Foi bom. Mas o melhor ainda está por vir. O potro vai ser inscrito no Pellegrini. E esta vitória é a única que falta para mim neste final de jornada. Se Deus ajudar. Quem sabe? ”, sonhou acordado.
Filho do saudoso treinador Wilson Pereira Lavor, o início da carreira demonstrou rapidamente que o C. Lavor, dos programas oficiais do Hipódromo da Gávea, estava predestinado ao sucesso. Aos 19 anos, em 1989, ganhou o Grande Prêmio Brasil, no dorso de Troyanos, a primeira pule de 10 da história da prova. Perdeu o pai muito cedo. E este fato poderia lhe atrapalhar a caminhada. Mas, Carlos Geovane sempre foi um menino centrado, que planejou o futuro. Ele tinha objetivos, metas e sorte. Muita sorte. Nestes passos que a gente dá pela vida, e tantas pessoas cruzam pelo nosso caminho, ele esbarrou no proprietário e turfista de escol Antônio Landim Quintella, hoje presidente da ABCPCC, Associação Brasileira de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida. Ao seu lado, e montando os seus cavalos, Lavor teve sempre o amigo inseparável, o irmão fraterno e uma espécie de pai conselheiro e orientador. A construção desta amizade, tão bela e sólida, iluminou os seus caminhos através destes longos anos de carreira.
Correr na frente, ao contrário do que possa parecer aos leigos em corridas de cavalos, é tarefa das mais árduas e difíceis, sobretudo em provas de alto nível. Por isso, apesar do estilo diferente de montar, Lavor sempre elogiou e respeitou a maneira mais veloz e agressiva do recordista mundial, Jorge Ricardo. Mas nunca escondeu a sua preferência pela versatilidade e inspiração que lhe passou Juvenal Machado da Silva. No dorso de Não Dá Mais, no Grande Prêmio Carlos Pellegrini, Lavor utilizou as armas destes dois monstros sagrados a arte de montar. Tomou a frente na largada, a moda Ricardinho, aquele a quem se acostumou, de dentro da raia, a ver ganhar incontáveis estatísticas. Nos 400 metros finais, admite ter sentido um arrepio, ao ver aquela assombração bem ao seu lado, no dorso de Pure Nelson. Entretanto, durante anos, ele também testemunhou Juvenal Machado da Silva, correr na frente. Lavor, a exemplo do seu ídolo, soube guardar reservas em Não Dá Mais. O que aconteceu com o próprio Juvenal, nos dois GPs Brasil, em que o mestre venceu de ponta a ponta, com Aporé, em 1979, e com Gourmet, em 1982.
JOQUEADA DA SEMANA
Na raia do majestoso Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, Carlos Lavor esteve impecável no dorso de Não Dá mais, do Haras Phillipson, para driblar as armadilhas do percurso nobre dos 2.400 metros, numa reta final que parece não ter mais fim, tanto para quem assiste o páreo de fora, nas tribunas, ou na televisão. Porém, com certeza, esta reta parece ainda maior para quem está na ponta, no dorso de um cavalo, com a possibilidade de vencer a prova mais importante do continente sul–americano. Ritmo perfeito, ponderado, maduro e só capaz de ser executado por um mestre na arte de montar. E a turma de ginetes não poderia ser mais forte. Jorge Ricardo, recordista mundial, Pablo Falero, o sexto maior ganhador do mundo de todos os tempos, no dia de sua despedida das pistas, Francisco Leandro, campeão atual da estatística, Altair Domingos, Eduardo Ortega, e João Carlos Noriega, entre tantos outros monstros sagrados do turfe internacional.
JOQUEADA DA SEMANA II
No prado carioca quem brilhou intensamente foi o líder da estatística Bruno Queiroz, a cada dia melhor. No dorso de Ladina, do Stud Azul e Branco, e preparo de Dulcino Guignoni, esteve impecável. Frio, inteligente e estrategista. Optou por correr na expectativa, uma égua que normalmente já atua, entre as da frente. E o fez de forma brilhante. Aproveitou cada centímetro da prova e fez a partida no momento preciso para obter triunfo espetacular. No dorso de Nice Lady, do Haras Nijú, no GP Cordeiro da Graça, foi bastante arrojado para encontrar o caminho do sucesso.
PSI MELHOR APRESENTADO
Afonso Flório Barbosa tirou onda nas entrevistas aos jornalistas argentinos, após o triunfo de Não Dá Mais no GP Carlos Pellegrini. Lembrou que o seu pensionista obteve quatro vitorias de Grupo I na temporada. Tudo verdade. E ressaltou ainda que ele próprio tem no currículo triunfos em praticamente todas as provas clássicas importantes no cenário nacional. Tudo verdade, também. Um show de competência e de conhecimento, para liderar uma equipe de profissionais de alto gabarito.
PSI MELHOR APRESENTADO II
Royal Ship, de Stud Happy Again, foi o destaque numa semana de cinco provas clássicas no Hipódromo da Gávea. Luís Esteves apresentou o craque em estado atlético sensacional. Uma máquina de correr. Nas provas comuns chamou a atenção o retorno às pistas de Ortega, de Taís Neves Alayão. Preparo perfeito de Luís Felipe Fernandes, e de seu irmão, Luiz Arthur Fernandes Filho. Dos amigos, a gente nunca deve esquecer. Por isso, sempre que falo desta dupla, faço questão e lembrar do pai deles, Luiz Arthur Fernandes, um profissional que marcou época e que sabia tudo de cavalos de corrida e de corridas de cavalo. Ele faz parte de um tempo inesquecível, que, infelizmente, não voltará mais. Vale registrar, mais uma direção principesca do líder, Bruno Queiroz.
PERSONAGEM
Luís Esteves obteve vitórias em três, dos cinco clássicos disputados na semana turfística carioca. Royal Ship, Stud Happy Again, foi espetacular! Mais Que Bonita, do Stud Eternamente Rio, é uma craque de ritmo alucinante de correr. Desta vez, pareceu mais tranquila, o que representa uma tremente encrenca para as rivais. E o que dizer de Nice Lady, do Stud Happy Again. Quatro vitórias em igual número de apresentações. Uma especialista no tiro curto. Fogo Supremo foi segundo colocado no GP Júlio Cápua, em atuação sensacional. E Mstraubarry, do Stud Verde, sofreu gravíssimo prejuízo no momento decisivo do GP Almirante Tamandaré.
TAKSIM VOLTA ÁS PISTAS EM BREVE
O treinador Cosme Morgado Neto informa que excelente corredor Taksim, de propriedade de Carlos dos Santos, passou por período de descanso no haras, mas já retornou ao centro de treinamento. Segundo o profissional, ele deverá participar do Grande Prêmio Escorial, no dia 9 de fevereiro, prova seletiva para o GP Latino–Americano, quando será um dos favoritos da competição.
FALERO, LEANDRO E RICARDINHO
A festa de despedida das pistas de Pablo Falero, no último sábado, em San Isidro, dia da disputa do GP Carlos Pellegrini, foi emocionante. Os argentinos saudaram efusivamente o piloto uruguaio. Falero deverá fazer mais uma despedida no Hipódromo de Maroñas, em Montevidéu para se saudar os seus compatriotas. Francisco Leandro, segundo colocado no GP Pellegrini, com Miriñaque, já soma 370 vitórias em 2.019, e não pode ser mais alcançado na estatística. Jorge Ricardo, terceiro colocado no Pellegrini, com Pure Nelson, vai passar o Natal e o Ano Novo, com os seus familiares, no Brasil. O recordista mundial deve voltar a montar no Brasil, para se despedir das pistas, ainda no início de 2.020.
