GP CARLOS PELLEGRINI TEM FORTE REPRESENTAÇÃO BRASILEIRA
No próximo sábado, dia 14 de dezembro, no monumental Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, será disputado o tradicional Grande Prêmio Carlos Pellegrini, na distância de 2.400 metros, em pista de grama, com dotação de cerca de US$ 125 mil, para o proprietário do puro–sangue vencedor, de uma bolsa de mais de R$ 1,3 milhão para todo o festival. O turfe brasileiro estará muito bem representado com três corredores de excelência. Não Dá Mais, do Haras Phillipson, Agassi, do Stud Verde, e George Washington, do Stud Happy Again. No Grande Prêmio Joaquin S, de Anchorena, a milha internacional, Lepate Goose, do Haras Phillipson, vai encarar um pelotão de excelentes especialistas no percurso. E no tiro curto, o quilômetro internacional, La Dorothea, também representante da importante coudelaria, terá pela frente o páreo de campo mais numeroso da jornada. Um evento extraordinário que certamente receberá turfistas, fãs e aficionados de toda a América do Sul.
O verdadeiro turfista não deve perder a oportunidade de viver este grande momento. Além da relevância da prova, cuja história apresenta um desfile de craques inesquecíveis na galeria de ganhadores, existe todo clima de entusiasmo e paixão dos “burreros”, como são conhecidos os turfistas argentinos. Esta adrenalina envolve à capital da Argentina durante toda a semana que antecede ao evento. O assunto nas bancas de jornais, nos postos de gasolina, nos restaurantes, nas cantinas e nas grandes avenidas de Buenos Aires, é a expectativa por um ganhador do turfe nacional. Sim, os argentinos são passionais. Mas, acima de tudo amam o cavalo de corrida. E mesmo quando a vitórias recaem para um cavalo estrangeiro, eles assimilam a derrota, sabem reconhecer o rival e aplaudem com elegância a festa dos forasteiros.
Vale a pena se fazer presente no belo prado de San Isidro e curtir este momento. Todo aquele que puder não deve pensar duas vezes. Em 1994, no triunfo de Much Better, criado pelo Haras J.B. Barros, e de propriedade do Stud TNT, montado por Ricardinho, e com treinamento do saudoso João Luís Maciel, com certeza pude viver um dos instantes de maior emoção da minha existência turfística. Haviam mais de 80m mil pessoas em San Isidro, o calor era insuportável e craque brasileiro tinha pela frente um rival argentino espetacular, El Sembrador. Much Better o superou com firmeza. Porém, jamais poderíamos esperar que o cavalo argentino viajaria até à Gávea, no ano seguinte, em busca de forra. E acabou conseguindo a revanche no GP Brasil de R$ 1 milhão, montado pelo bridão Guilhermo Sena. Eram tempos maravilhosos aqueles...
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
No cânter, Heartland galopou livre, leve e solta na raia de grama do Hipódromo da Gávea. Apresentada em forma atlética exuberante por Christiano Oliveira, contando com trabalho de faixa perfeito da companheira de número, Got My Wish, e recebendo direção fria e calculista do bridão Valdinei Gil, ela atropelou com muita vontade, pelo centro da pista, para obter promissora vitória na Prova Especial Clareira. Greece mostrou a regularidade de sempre, e Gata Y Flor, não pode e nem deve ser subestimada. Ainda com pouca experiência na distância, e apesar de guerreada pela competidora que exercia o papel de coelho, só se entregou nos metros finais.
JOQUEADA DA SEMANA
Nos últimos tempos, Vagner Borges parece ter cadeira cativa neste espaço semanal. No dorso de Little Bad Girl, do Haras Figueira do Lago, ele comprovou mais uma vez o acerto de sua contratação por parte da coudelaria. Um primor a sua direção na pensionista deste espetacular treinador que é Dulcino Guignoni, no GP Osvaldo Aranha. Aliás, eles formam uma dupla afinada desde os tempos de Bal A Bali. Borges correu a sua pilotada na expectativa, sempre de olho na maior rival, Perigoosa, a favorita. Fez percurso limpo, lúcido e tranquilo. No exato momento, em que a adversária se aproximou das mais ligeiras, ele encontrou o espaço ideal para aparecer bem ao seu lado e dominar com autoridade a competição. Sem firulas, sem alarde e com aquela simplicidade tão comum aos jóqueis de exceção. Vagner Borges evita percalços, embaraços e surpresas desagradáveis no dorso dos seus conduzidos. Ele possui como maior qualidade não complicar as corridas.
PERSONAGEM
Ângelo Márcio Souza, nas últimas semanas, tem levado vantagem absoluta na luta contra a balança. Rosto fino, exercícios aeróbicos diários, presença cotidiana na academia de ginástica, e as montarias logo voltaram a florescer. Não há mistério para o jóquei bom ter boas montarias e melhores oportunidades. Basta estar em forma e com o peso certo. A.M. Souza já colocou no seu currículo todos os páreos importantes do turfe nacional. Porém, para enfrentar a garotada precisa estar em boas condições atléticas. Aí, o cara dá aula. No dorso de Pala D’Oro, do Haras Uberlândia, e preparo de Dendico Garcia Jr., ele desequilibrou. Domingo, nas duas vitórias para o treinador Ivan Jerônimo, com Hedda Wells, de Sílvio Cybulski, e Chico Bento, do Haras Valentin, conseguiu superar os obstáculos com a facilidade de quem nasceu para montar.
