ALEX MOTA, O ENCANTAMENTO E A MAGIA NA ARTE DE MONTAR
Aos 41 anos, Alex Mota voltou. Depois de três anos afastado da profissão, que o consagrou como um dos melhores jóqueis brasileiros de todos os tempos, o fantástico “Borboleta” decidiu dar as caras. De uma hora para outra. Como quem não quer nada. Bem ao seu estilo inesperado de ser, e de viver. Talentoso, Inconstante, imprevisível e desconcertante, Alex Mota decidiu sair da toca e voltar a voar. E que admirável facilidade no dorso de um puro–sangue de corrida. Que extraordinário talento! Que integração perfeita com os cavalos, que parecem se sentir escravos dele. E, talvez por isso, meio encabulados correspondam aos seus estímulos. Como se fizessem coro uníssono com a plateia do hipódromo. Ambos, os cavalos e os turfistas, ficam hipnotizamos com tamanha arte para exercer uma profissão. Alex Mota veio ao mundo para montar. Alguém tem dúvida disso?
Por um momento, esta semana na Gávea, depois dos triunfos de Mota no dorso de Gene Pool, do Stud Best Friends, Frivolous, do Haras Rio Iguassú, Mercado Extra, do Stud Comandante e Bellawatch, de Roberto Vladimir de Aguiar da Costa, lembrei das palavras ditas a mim por Jorge Ricardo, em 2.006, antes de se transferir para o turfe argentino. “Eu vou me embora para Buenos Aires, mas aqui na Gávea fica um jóquei fora de série, o Alex Mota. É uma pena que ele muitas vezes desperdice o seu talento, leve vida desregrada e sem cuidado com o peso. Esse Borboleta é meio maluco, mas sabe montar cavalos como poucos”, admitiu na ocasião, sem a menor cerimônia, o recordista mundial de vitórias.
São tempos difíceis do turfe nacional. O divórcio do JCB com a PMU, a crise financeira do país, a diminuição do rebanho de equinos, e a ausência de ídolos carismáticos, como havia no passado, com Juvenal Machado da Silva e Jorge Ricardo. A volta de um talento incomum, como o de Alex Mota, pode ajudar bastante. Os amigos devem procurar mantê–lo motivado. Os fãs e admiradores também. Os dirigentes do JCB precisam lhe dar incentivo e bons conselhos, pois o seu talento nas pistas funciona como tremenda injeção de ânimo nos aficionados. Se render aos esportistas e atletas talentosos é fator inerente a qualquer ser humano. O craque arrasta as multidões. Ele fascina, seduz e encanta. Alex Mota voltou. E com ele, e a sua gigantesca virtude, os ventos podem voltar a soprar para o lado certo. E no ano que vem, na despedida de Jorge Ricardo, aqui na Gávea, para delírio do público carioca, eles podem voltar a se encontrar na raia. Imaginem. Que momento!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dark Bobby, do Stud Stabile Quintella, foi apresentado em forma exuberante por este excepcional treinador que é Adélcio Menegolo. Que pintura de cavalo. Pelo reluzente, imponência e desenvoltura. Dono absoluto do Grande Prêmio Salgado Filho. Há muito tempo a beleza de um puro–sangue de corrida, antes de competir não chamava tanto a atenções dos aficionados. Parabéns a toda a equipe.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Unbridled Ana, do Stud Zecão, e treinamento de José Ferreira Reis, Alexandre Correia, o “Tampinha”, deu direção de gente grande. Jóquei tranquilo e com ótimos predicados, teve percurso impecável, frieza e precisão para decidir o páreo a favor de sua conduzida no instante exato. Uma pequena obra–prima, numa reunião em que ainda venceu mais dois páreos.
PERSONAGEM
Esta semana, Alex Mota permitiu aos turfistas relembrarem os áureos tempos em que os jóqueis davam pata aos cavalos. Depois de longa ausência das competições, a luta frenética com a balança e atividades paralelas como redeador, segundo–gerente e auxiliar das equipes turfísticas por onde andou na região serrana, ele voltou ao seu lugar. É no mínimo um sacrilégio, que as dificuldades da profissão de jóquei façam o turfe perder nomes, como o dele, por tanto tempo. Estes caras merecem amparo e dedicação dos turfistas. Eles são os donos do espetáculo. Os verdadeiros artistas. Ver o Mota, um homem maduro, dar aula a tantos garotos de como se faz as coisas na raia, foi maravilhoso. Para quem conhece corrida, foi possível ver a dimensão exata de quem é quem. Amigos e admiradores, por favor, procurem o Marco Mazini. Por onde ele anda? É outro craque, que está vagando por aí. Está muito longe de casa. A sua verdadeira residência é no Hipódromo da Gávea...
