AGASSI IMPOS SUA REGULARIDADE CONTRA OS FAVORITOS
O Grande Prêmio Antônio Joaquim Peixoto de Castro JR., Grupo 2, em 2.400 metros, na grama, reuniu a nata dos puros–sangues do turfe brasileiro na atualidade. O favoritismo foi de George Washington, do Stud Happy Again, ganhador do GP Brasil deste ano, e os outros preferidos do público apostador foram Filmore, Galaxy Runner, Or Noir, e a parelha do Haras Regina, Olympic Ipswich e Olympic Hollywood. O herói da competição, entretanto, acabou sendo Agassi, defensor da farda do Stud Verde, criado no modelar Haras Old Friends, preparado pelo tricampeão do GP Brasil, Luís Esteves, e conduzido de forma magnífica por este excepcional bridão, Henderson Fernandes. Regular, confirmador e valente, o filho de Wild Event e Grand I Ask, por Yagli, esbanjou categoria para superar um lote de rivais de alta qualidade.
Para quem aprecia puros–sangues de classe, a prova disputada no último domingo privilegiou os aficionados. Num campo com apenas nove concorrentes ter reunidos cavalos de tamanha capacidade técnica é sensacional. Agassi comprovou a tese de que qualquer um poderia chegar ao triunfo, dependendo das circunstâncias da prova, do percurso, e das decisões tomadas pelos jóqueis. E foi o que aconteceu. Henderson Fernandes desequilibrou o páreo a favor do seu pilotado. E Luís Esteves, mais uma vez, comprovou que nunca está para brincadeira neste tipo de prova. Enquanto todos se preocupavam, com este magnífico George Washington, ele tinha uma outra carta na manga para se impor numa eventualidade. Em dezembro, por ocasião do GP Carlos Pellegrini, todos os primeiros colocados de domingo poderão estar presentes, e atuar com chance, se for o desejo dos seus proprietários.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luís Esteves trouxe Agassi no último furo no clássico de domingo. E num páreo de tamanha envergadura, devido ao alto nível dos competidores, conseguir o sucesso não pode ser subestimado. Por isso, a apresentação de Agassi deve ser apontada como a melhor da semana turfística carioca. Menção honrosa para Cosme Morgado Neto com Langhy Tom, do Stud Coral Gables, no seu sucesso no páreo de turma. Estava lindo de morrer no galope de apresentação e obteve belo triunfo.
JOQUEADA DA SEMANA
Henderson Fernandes deu joqueada espetacular no dorso de Agassi, no GP Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr. Era um páreo de leões. E o bridão correu como um príncipe, com perfeito cálculo de corrida, lucidez e tranquilidade para acionar o seu pilotado no momento exato e obter passagem preciosa no instante decisivo de sua atropelada final. Além disso, ele também deitou e rolou em outros páreos da semana, fruto da confiança obtida depois do triunfo maior. Grande fase!
PERSONAGEM
Todas as honras para Henderson Fernandes. Neste final do mês de outubro, o dono do pedaço. Rapaz educado, de temperamento introvertido e calado, ele se transforma no dorso dos puros–sangues de corrida. Bom largador, enérgico e lúcido, ele atravessa, sem dúvida, o seu melhor momento profissional. E num esporte de enorme competitividade, ter bons cavalos para montar faz toda diferença. A sua reaproximação de Luís Esteves e a preferência de alguns proprietários do seu plantel lhe trouxeram a chance de mostrar o seu valor. Parabéns!
AS APOSTAS NA CONTRAMÃO
A modalidade Super–Tri, preferida dos apostadores no turfe carioca, a partir de 1º de novembro terá bonificação de 80%, invés dos já habituais 100%, tão do agrado dos turfistas. Faz parte de um ajuste, depois do divórcio do Jockey Club com a agência de apostas francesa, PMU. Péssima notícia. Todos os exploradores do jogo, mundo afora, sabem que existe a necessidade do ‘pote”, ou seja, um prêmio alto, tipo megasena, loteria esportiva, ou coisa que o vale, para incentivar os indivíduos a acetarem um valor tão alto, que possa mudar a sua vida. Ou talvez, seja melhor dizer, o seu destino. Comprar uma casa, um carro, um apartamento, etc. Há muito tempo, o turfe não possui este tipo de aposta. Paciência. São tempos difíceis. Agora, reduzir a bonificação da modalidade que melhor defende o apostador é um tiro no pé. Melhor opção seria aumentar a bonificação e incendiar as apostas. A casa fatura em cima da retirada e não do erro ou do acerto de quem joga. Qualquer dono de cassino, ou mesmo um contraventor, sabe disso. Apostador feliz, banca feliz, e todo mundo contente.
Acabar com a acumulada de vencedor e substituí–la pela tal seguidinha é tirar o livre arbítrio do apostador. Ele não poderá mais decidir em que cavalo e em que páreo vai jogar. Se o indivíduo gosta de um cavalo no segundo páreo e acha barbada outro no oitavo, ele não poderá jogar um para cima do outro. Ele terá que apostar a sua barbada do segundo páreo, com o terceiro e o quarto, onde muitas vezes ele não tem a menor convicção de quem vai ganhar. Significa acabar com o estudo dos papeleiros e obriga–los a fazer do turfe apenas um jogo de azar. Quando as coisas são decididas na sorte.
A opção do apostador seria então desdobrar o dinheiro e combinar dois ou três cavalos nos páreos em que não tem certeza de qual concorrente será vitorioso. E então, cravar a sua barbada. Isto significa fracionar o jogo e diminuir o lucro com a aposta. A ideia central de quem explora o jogo é torcer para o cliente acertar. Só assim ele não quebra. O perdedor contumaz se afasta. A banca vive da comissão das apostas, da retirada do movimento. E nunca sobrevive dos apostadores falidos. Eles se afastam por que não acertam jamais. Talvez fosse bom consultar pessoas que vivem de jogo há décadas. Eles, com certeza, aconselhariam para passar a bonificação da Super–Tri para 200%. O MGA aumentaria de imediato, e, consequentemente, a retira da comissão com estas apostas também.
