MESTRE DO IGUASSÚ, O CANDIDATO À COROA NO TURFE PAULISTA
A reta final do Grande Prêmio Jockey Club de São Paulo, 2ª prova da tríplice–coroa de produtos, no último sábado em Cidade Jardim, foi eletrizante. Mestre do Iguassú, criado pelo Stud TNT, e defensor da tradicional farda do Haras Rio Iguassú, levou a melhor no duelo espetacular com Não Dá Mais, do Haras Phillipson. O filho de Glória de Campeão e Rainha Carolina, por Roi Normand, já havia levantado a primeira etapa da tríplice–coroa, e agora, se candidatou de vez ao glorioso título de tríplice–coroado. Não é pouca coisa. E, apesar das dificuldades, a diretoria do clube hípico paulista deve se esforçar ao máximo para organizar uma grande festa e levar o maior número de turfistas possível ao belo Hipódromo de Cidade Jardim, no dia do Derby Paulista. Os grandes eventos são sempre a mola mestra para virar o jogo. Para reverter as situações difíceis. Quem sabe não esteja chegando a hora da virada?
Mestre do Iguassú foi muito bem conduzido por André Luiz Silva e apresentado em forma estupenda pelo experiente A.B. Pereira. Teve pela frente um forte rival no castanho Não Dá Mais, porém lhe sobrou valentia e classe para supera–lo. A vitória premia um proprietário que investe de forma apaixonada no turfe. Isto sempre deve ser levado em conta, e comemorado por todos aqueles que amam este maravilhoso esporte. A emoção da família Pelanda e as lágrimas após o triunfo, dignificaram ainda mais a conquista. É uma paixão que sai do fundo do peito. Uma alegria incontida que faz o coração bater mais forte. Aquela sensação de que valeu a pena investir, sonhar e insistir na busca destes momentos inesquecíveis. Segundos de glória que ficam para sempre na trajetória e na vida de um verdadeiro turfista. Parabéns a todos!
PERSONAGEM
Wind of Change, defensor do Stud Pixote, e criado no modelar Haras São José da Serra, deve ser considerado o personagem da semana. Os puros–sangues são sempre os maiores protagonistas do turfe. Aprendi isto, nos meus primeiros passos na redação do Jornal do Brasil, com o saudoso jornalista, Marcos Ribas de Faria, eternizado pela coluna, “Volta Fechada”, com o pseudônimo de “Escorial”. É claro que Júlio César Sampaio brilhou na apresentação do seu pensionista. É um profissional de indiscutível qualidade e talento. O mesmo se pode dizer do jóquei Waldomiro Blandi, que parece melhorar cada vez mais, depois de longos anos de profissão. Que momento maravilhoso atravessa o “Manivela”! Porém nada é mais justo do que colocar o craque Wind of Change um degrau acima de ambos. Valente, brigador e regular, o filho de Forestry nunca deixa de confirmar a sua fantástica aceleração. Teve pela frente um potro de qualidade, Magatour, do Haras Figueira do Lago, a quem deu vantagem de cinco quilos na escala de peso. E conseguiu dobra–lo com perseverança e classe. Belo momento para todos os presentes ao Hipódromo da Gávea.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dulcino Milanês Guignoni apresentou Lisboeta, do Haras Figueira do Lago, em estado atlético magnífico. Nem parecia uma corrida de reaparecimento depois do galope de apresentação. Bom peso, vivacidade no galope e categoria de quem baixou de turma para se impor as rivais com a sua maior classe. Direção tranquila de Vagner Borges, que na verdade teve pouco trabalho no dorso da filha de Quick Road. Menção honrosa para Anderson Paiva na direção dada a Olympic Gstaad, do Stud Bay Winner’s, e preparo de Leonardo Reis. Percurso lúcido, irretocável e confiante.
JOQUEADA DA SEMANA
Little Bad Girl, do Haras Figueira do Lago, e treinamento de Dulcino Guignoni, teve direção espetacular do bridão Vagner Borges, na Prova Especial Courageuse. A sua tranquilidade, precisão e talento desequilibraram a carreira a seu favor. Amadurecido na profissão, com peso pluma e preparo atlético perfeito. Aos 26 anos, Borges parece pronto para o turfe internacional. A experiência recente, fora do país, lhe trouxe enorme confiança. E o currículo, com vitórias em todas as principais provas clássicas do turfe brasileiro, com tão pouca idade, lhe conferem o selo de jóquei da mais absoluta exceção. Um craque!
LEO REIS, O BICHO–PAPÃO
Líder da estatística da atual temporada, Leonardo José Reis atravessa o melhor momento de sua carreira profissional. No momento em que escrevo esta coluna, ele já soma 39 vitórias no atual ano hípico. Ou seja, de julho até este início de outubro, tem mantido média extraordinária de aproveitamento de suas inscrições. Dulcino Guignoni e Júlio César Sampaio tem conseguido acompanha–lo de perto. São vencedores de estatística e acostumados a este tipo de disputa. Mas a avalanche de triunfos de Léo Reis tem dado tremenda canseira em ambos. Um belo confronto.
COADJUVANTES DE LUXO
Três jóqueis, que recebem poucas oportunidades, tiveram semana bastante proveitosa. Francisco Chaves obteve ótimo resultados com boas direções e muito rigor. Foi assim com Malvado Favorito, Gina Lolobrigida, Good Daughter e Hevéa. Victória Mota também soube aproveitar as suas chances com Power Pulpit e New Begin. E Anderson Paiva brilhou com Olympic Gataad e Xaxexixoxu. Boas montarias são sinônimas de bons resultados.