TURFE CARIOCA TENTA SAIR DA ROTINA, MAS O MGA NÃO AVANÇA
Infelizmente, apesar de algumas boas iniciativas da diretoria do Jockey Club Brasileiro, o Movimento Geral de Apostas das reuniões semanais continua em queda. A transmissão dos páreos da Gávea para à França até motivaram os turfistas de lá. Os franceses jogaram mais de 1 milhão de euros na programação do sábado à tarde. Entretanto, os oito páreos do prado carioca arrecadaram apenas R$ 499.011,29 para os cofres do JCB. Pela primeira vez na temporada, o MGA ficou abaixo dos R$ 500 mil. A tentativa de abrir espaço no mercado europeu e mostrar a nossa cara para os europeus é das mais positivas e válidas. A porcentagem de 1 e meio por cento nas apostas, considerada baixa pela maioria, não é o mais importante. Deve ser levado em conta a possibilidade de inserir os eventos turfísticos nacionais num mercado muito forte. A transmissão dos páreos da Gávea para o exterior representa ousadia, pensar grande para no futuro, expandir a criação nacional e acreditar em novos horizontes.
Talvez o horário das corridas tenha interferido bastante no resultado ruim das apostas em âmbito doméstico. É claro que os profissionais envolvidos no espetáculo estão atentos aos horários. O jóquei precisa chegar cedo e fazer o peso uma hora antes da corrida. O treinador tem que apresentar o seu pensionista no Serviço de Veterinária, 1 hora e meia antes do compromisso na raia. Mas o apostador comum fica com o horário habitual na cabeça. Ele está acostumado à rotina. Chega no agente credenciado às 14h. E no hipódromo também. A divulgação de que o primeiro páreo seria antecipado para ás 12h45m deveria ter sido maior. Muita gente deixou de apostar nas primeiras provas por que desconhecia a alteração da rotina das corridas.
A volta do simulcasting entre Gávea e Cidade Jardim, na segunda–feira à noite, causou enorme expectativa. Sempre foi o simulcasting favorito dos apostadores. Outra decepção. Os cariocas só apostaram R$ 584.791,45 na noturna da Gávea. E o MGA com São Paulo movimentou apenas R$ 184.032,32, ou seja, abaixo dos R$ 200 mil. Em termos de nostalgia foi bem legal rever o prado paulista com luzes artificiais. Eu sou saudosista. Não posso negar. Na prática, entretanto, o resultado financeiro deixou a desejar. Uma pena! O caos na economia da cidade do Rio de Janeiro deixou enormes sequelas nos bolsos dos cidadãos cariocas. A mobilização política, logística e funcional dos envolvidos na atividade turfística precisa acontecer rapidamente para evitar o pior.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Zenílton Barbosa apresentou Love Letters, de Sinval Domingues de Araújo, em forma atlética exuberante. A filha de Shanghai Bobby estava uma pintura no galope de apresentação. E na corrida não deu a menor chance as adversárias. Montada com a costumeira competência por Vagner Borges, a castanha criada no modelar Haras Di Cellius, deu tremendo vareio na parceirada.
JOQUEADA DA SEMANA
Waldomiro Blandi esteve impecável no dorso de Kshowdoiguassu, do Haras Rio Iguassú, na última prova de sábado à tarde. O pensionista de Antônio Oldoni deu vantagem na largada, como de hábito. O experiente piloto não se apavorou. Muito pelo contrário. Numa pista de areia encharcada, ele deixou o seu pilotado na última posição, colado a cerca interna. Aproveitou cada centímetro do percurso e já entrou na variante, na quarta colocação. Fez então partida curta e seca. O filho de Pioneering e Azarenka largou dali para obter belo triunfo.
PERSONAGENS
Na semana do seu aniversário, o treinador Venâncio Nahid deu mais um show de competência na arte de treinar puros–sangues de corrida. Destaque para Lelé Buchecha, do Haras Figueira do Lago, no Clássico Armando Carneiro. Sua pensionista demonstrou evolução, perfeito estado atlético e conduzida com a precisão de um relógio suíço por Vagner Borges obteve belo triunfo. Espion Noir, do Stud Pabble Beach, e Hipness, do Stud Vale–Quintella, também foram apresentados em forma física exuberante. Um profissional de alto gabarito.
O aprendiz Will Xavier está sobrando na turma, com direções de veterano. Esta semana, a jovem revelação da Escola de Aprendizes deitou e rolou na raia pesada do Hipódromo da Gávea. Correu e venceu na frente, no bloco intermediário e na expectativa para atropelar. Calmo, preciso e com rigor impressionante, vai dar tremenda canseira no confronto contra os jóqueis mais experientes com esta descarga de dois quilos. Mais do que uma promessa, já pode ser considerado uma realidade.