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Setembro | 2019

Páreo Corrido, por Paulo Gama
03/09/2019 - 09h53min

HÁ 38 ANOS, GP IPIRANGA FOI DE BOTICÃO DE OURO

No próximo sábado à tarde, no Hipódromo de Cidade Jardim, em São Paulo, será disputado o tradicional, Grande Prêmio Ipiranga, 1ª prova da quádrupla–coroa paulista. Os jovens turfistas, dificilmente podem ter a dimensão exata da importância desta prova, na história do turfe nacional. Craques extraordinários escreveram os seus nomes na galeria de campeões deste maravilhoso páreo. Um deles, sem dúvida, foi o lendário Boticão de Ouro, filho do francês Locris, na inglesa La Malma, de criação do Haras Sideral, e propriedade do dentista Délio Santos (Stud DS). Daí a explicação lógica para o seu nome de batismo.

Lá se vão 38 anos daquela inesquecível tarde de 7 de setembro de 1981. Que bom para mim era ter 23 anos de existência. Faltava apenas um semestre para a minha formatura na faculdade de jornalismo e um ano para trabalhar na editoria de esportes do Jornal do Brasil. A minha paixão era o turfe. E Boticão de Ouro, entre tantos outros craques daquela época, ajudava a alimentar este amor dentro de mim. Craque absoluto do turfe carioca, com sete vitórias e apenas um segundo lugar, em oito saídas, Boticão de Ouro, treinado pelo saudoso João de Assis Limeira, e montaria de Jorge Pinto, bridão espetacular de incontáveis triunfos nas pistas da Gávea, chegou ao prado paulistano com as honras de favorito. E num lote de corredores sensacionais, tais como Narbonne, Revless e Despacito, entre outros, impôs toda a sua categoria num triunfo esmagador e incontestável.

Organizamos uma caravana com turfistas da Zona Sul do Rio de Janeiro para torcer pelo nosso campeão. Saímos da rodoviária Novo Rio, embarcados num ônibus da Viação Cometa, por volta da meia–noite de sábado. Se a memória não estiver me traindo estavam comigo os turfistas Lanny, o “Lampadinha”, Paulo Romero, o “Parrumpa”, Mauro de Faria, o “Tocha”, e Washington Morbeck, o “Kabuki”. Para controlar toda esta garotada, o seu Armando Bastos. Ele mesmo, o “Gravatinha”. Hoje com 84 anos, o Gravata estava então ainda na meia idade. Não possuía sequer um fio de cabelo branco, aos 46 anos. Fã de Jorge Pinto, que havia sido jóquei contratado do Haras Santa Maria de Araras, Gravatinha queria a todo custo estar presente na vitória de Grupo I, em São Paulo. Boticão de Ouro não negou fogo. E a turma toda faturou uns trocados depois de arriscar as mesadas nos guichês do Hipódromo de Cidade Jardim. Uma tarde inesquecível em nossas vidas. Quem sabe, você jovem turfista, também não possa viver um momento como este, no próximo sábado. Reúna os seus amigos, com as respectivas namoradas, e escreva também a sua própria história, tendo como sonoplastia a bela voz do locutor Roberto Casela.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Frivolous, do Stud Amigos do Rio Iguassu, foi apresentado em forma atlética exuberante pelo treinador Antônio Oldoni. Fez galope de apresentação maravilhoso e conduzido com a categoria de sempre de Carlos Geovane Lavor obteve triunfo convincente. Nenhum puro–sangue passou tão bonito esta semana na Gávea. Outros três puros–sangues também chamaram a atenção pela beleza do seu estado atlético. Loiro Men, do Stud Mengão 1981, treinado pelo jovem Márcio Rocha, Grana Padano, do Stud Palura, com preparo do experiente e caprichoso Roberto Morgado Júnior, e Itaperuna, do Stud Galope, com apresentação de Delmar Albres, que deu show no GP Adhemar e Roberto Gabizo de Faria.

JOQUEADA DA SEMANA

No dorso de Filmore, do Black Opal Stud, Waldomiro Blandi desfilou toda a sua classe e experiência no dorso de um cavalo de corrida. O triunfo no importante Grande Prêmio Presidente Vargas foi consequência da sua lucidez no percurso e da competência do treinador Roberto Solanês na apresentação dos seus pensionistas nas provas clássicas. Inscrição inteligente, que vai deixar o filho de Wild Event no ponto para futuros compromissos nas principais provas do calendário nobre.

PERSONAGEM

Bruno Queiroz lidera a estatística de jóqueis do turfe carioca demonstrando ascensão impressionante. No momento em que escrevo estas mal traçadas linhas, sem contar a reunião noturna de hoje, o filho de Antônio Queiroz já soma 48 vitórias, em apenas dois meses de estatística. Esta média de 24 triunfos por mês, se for mantida, lhe proporcionará 288 pontos no final de junho de 2.020. Ou seja, quase 300 vitórias no ano, uma marca distante dos pilotos cariocas, desde a transferência de Jorge Ricardo para o turfe argentino. É bom ficar de olho do garoto na hora das apostas. Ele já deixou de ser promessa. Veio para ficar.

JORGE RICARDO

Ricardinho continua a apresentar melhoras no seu estado de saúde, segundo os médicos que tem acompanhado, em Buenos Aires, os exames do campeão. Este mês de setembro, o do seu aniversário, no dia 30, contará com a sua presença aqui no Brasil. Jorge Ricardo quer estar perto dos filhos, da família e dos amigos, neste período de enorme expectativa com relação ao seu retorno às pistas. Pelo andar da carruagem, ainda teremos Ricardinho nas competições em 2.020.

FRANCISCO LEANDRO

Líder da estatística geral de jóqueis do turfe argentino, Francisco Leandro começa o mês de setembro com 271 triunfos. Com mais quatro meses de ano hípico, ele com certeza ultrapassará as 350 vitórias. O recorde sul–americano de 477 vitórias numa mesma temporada, entretanto, ainda parece um pouco distante. Leandro teria que vencer mais 206 páreos, ou seja, 50 por mês. No momento a sua média é de 34 vitórias por mês. Bem alta, mas ainda insuficiente para bater a marca de Jorge Ricardo, obtida na Gávea na temporada 92/93.




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