A HORA E A VEZ DA JOQUETA VICTORIA MOTA
Digno de registro o desempenho da joqueta Victória Mota nos dois últimos páreos da reunião noturna de segunda–feira, no Hipódromo da Gávea. No dorso de Oráculo, do Stud Crdm, e de Pat O’Brien, do Stud Teljumafer, Victória teve excelentes largadas, percursos limpos e revelou preparo físico invejável, fruto das aulas de musculação e o dia a dia na academia de ginástica. A jovem parece estar de novo motivada. No dia a dia, a filha do consagrado jóquei, Alex Mota, e da comentarista, Juliana Dias, tem recebido melhores oportunidades, nas últimas semanas. O motivo é o número reduzido de aprendizes a disposição de proprietários e treinadores. Alguns foram punidos e desligados da escola, e outros, tem estado suspensos, temporariamente, por delitos de raia.
Devido a sua condição de mulher, Victoria descarrega dois quilos. Porém, este fator favorável na disputa dos páreos, é praticamente esquecido no confronto direto por boas montarias com os aprendizes, por serem membros do chamado sexo forte. Acontece que a joqueta possui muito mais experiência e, por isso, leva alguma vantagem em determinadas circunstâncias. Entretanto, o numeroso clube do ‘Bolinha’, onde todos nós sabemos que mulher não pode se associar, ignora este precioso detalhe. A preferência recai a favor de quem é macho, embora estejam aprendendo.
Victoria Mota já saiu da escola há um bom tempo. Mas representa o sexo frágil. “Deixa ela para lá”, pensam os idiotas da objetividade. “Aqui é esporte de homem”, falam os mais radicais. Isto é mero preconceito. Convido aos amigos turfistas, para reverem o filme do triunfo de Pat O’Brien, no último páreo. Feito isso, alguém vai dizer, em sã consciência, que aquele pega para capar foi vencido por uma representante do clube da Luluzinha? Pois é, para surpresa de todos, deu zebra. E olha, que no turfe de vários países mundo afora, temos joquetas dando uma tremenda canseira nos marmanjos. Igualdade de gêneros é fato consumado. Preconceito e discriminação é ‘fake’. Parabéns ao comentarista André Cunha, agente de montarias da V. Mota, por enfrentar com dignidade e dedicação esta batalha. Eu já estive neste barco. Obtive 108 vitórias trabalhando com esta maravilhosa menina. Victoria Mota ama o turfe, as corridas e, acima de tudo, os cavalos. Boa sorte para vocês!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Ildefonso Coelho Souza brilhou no preparo de Amadeus Thunder, defensor do Stud Best Friends, castanho de comportamento indomável, criado no Haras Ponta Porã. O filho de Desejado Thunder fez galope de apresentação exuberante. Entretanto, sempre causa enorme ansiedade quando se aproxima do partidor, decididamente o lugar que menos aprecia na face da Terra. Foi para frente do boxe, ensaiou dar trabalho ao seu piloto, Henderson Fernandes, que conseguiu controlar o seu ímpeto. No percurso andou dando vantagem por ser muito bravo e baldoso. Fez a curva querendo desgarrar, porém obteve o seu segundo triunfo, com mais três segundos lugares, em apenas cinco saídas. Vale registrar a segunda colocação de Agua da Fronteira, de Alex Bernardo Goulart Meneses, outro pensionista do treinador. Tem preferência pela grama, mas se encontrava tão bem que formou a dupla na areia.
PERSONAGEM
Júlio César Sampaio, o “Alemão”, manteve a liderança da estatística de treinadores neste início de ano hípico. O profissional tem sido arrojado e cirúrgico nas suas inscrições e os resultados têm sido compatíveis com o seu desempenho na raia e nas cocheiras do centro de treinamento. Mais uma vez apresentou Wind of Change, do Stud Pixote, em forma atlética magnífica. O filho de Forestry, criado no modelar Haras São José da Serra, passeou na pista como se não houvessem adversários. Vale registrar ainda, os triunfos de No La Quieras, do Stud São Francisco da Serra, Kate Flying, do Haras Springfield, e Adicionado, de Gabriela Flores Machado. Menção honrosa para Leonardo José Reis, em fase profissional espetacular, e que acompanha bem de perto, o até então, dono do pedaço.
JOQUEADA DA SEMANA
Victoria Mota esteve impecável no dorso de Pat O’Brien, do Stud Teljumafer, e preparo do seu avô, Odyr Jorge Meneses Dias, o popular “Cai Cai”. Numa prova de ritmo acirrado, como são sempre os últimos páreos da Gávea, em que os jóqueis parecem estar com tremenda pressa de ir logo para casa, a joqueta deixou andar o seu pilotado, encostou no ponteiro e abriu luta pela primeira posição nos 400 metros finais. Travou duelo espetacular com Bruno Queiroz e Henderson Fernandes, e conseguiu levar a melhor, numa demonstração de melhora expressiva no seu condicionamento físico. Com a descarga de dois quilos pode aproveitar a atual escassez de aprendizes nas pistas.
FRANCISCO LEANDRO
No momento em que escrevo estas mal traçadas linhas, Francisco Leandro lidera a estatística geral de jóqueis do turfe argentino, com 255 vitórias. Se levarmos em conta, que o ano hípico na Argentina, ao contrário do nosso, vai de janeiro a dezembro, o jóquei brasileiro deverá estabelecer expressiva marca ao final da temporada de 2.019. Alcançar o recorde sul–americano de vitórias num mesmo ano, de Jorge Ricardo, com 477 pontos, em 1992/93, na Gávea, trata–se de uma tarefa difícil. Porém, se existe alguém que pode sonhar com isso, não há dúvida que parece ser ele.