TURFE CARIOCA VIVE A ERA DO “BRAÇO DE MOLA”
Na primeira reunião da Gávea no ano hípico, 2.019/2.010, três vitórias de Leandro Henrique, com Jamegão, do Stud Eternamente Rio, Ground Speaker, do Stud Tigrão, e Ponta Peniche, do Stud Moreira. No turfe carioca é assim que a banda toca. L. Henrique, o pernambucano oriundo do projeto “Jóqueis do Futuro”, em Recife, comemorou no domingo, o segundo título da estatística. E, no dia seguinte, já deu logo o recado para os rivais. “Eu estou aqui”. Tipo o português, Cristiano Ronaldo, quando marca um gol. Depois de quatro estatísticas disputadas, Leandro ganhou duas, a primeira, ainda aprendiz, e a outra, agora, mais experiente. Entre estas duas, teve dois vice–campeonatos, para os consagrados, Valdinei Gil e Vagner Borges. O que, convenhamos, não é demérito algum para quem está dando os primeiros passos na profissão. Leandro Henrique, na reta final do prado carioca, justifica, a cada páreo, o apelido de “Braço de Mola”, que lhe foi dado num momento de rara inspiração do locutor, Thiago Guedes. Força, saúde, raça e determinação. Este é o retrato da nova era. São tempos do “Braço de Mola”.
O maior adversário de qualquer líder de estatística é a antipatia que causa a sua supremacia naqueles turfistas que tem preferência por outros jóqueis. Ora bolas! Num turfe onde existem tantos pilotos de categoria é bastante normal que cada turfista valorize mais o estilo deste ou daquele. Entretanto, esta torcida por determinado piloto não precisa, necessariamente, procurar motivos e explicações para justificar o resultado melhor do líder sobre o seu predileto. Todos os jóqueis passam por boas e más fases durante a temporada. Altos e baixos são comuns a esta profissão. Ser jóquei exige restrições no sono e na alimentação. Os programas de final de semana, quando a maioria está de folga do trabalho, com a família e os amigos, não existem para os pilotos de cavalos de corrida. Eles passam as tardes de sábado e domingo no trabalho, a 65km por hora, escoltados por uma ambulância, no dorso de cavalos com peso de meia tonelada. Por idolatrar um jóquei, o turfista não precisa odiar o seu algoz.
Leandro Henrique é um atleta para ser admirado. Os seus colegas de profissão o respeitam. E ele é uma pedra no caminho de todos eles. Esses privilégios, que alguns turfistas sugerem, só existem na cabeça de cada um. Leandro é trabalhador, respeitoso, educado e introvertido. Se fosse tão ajudado assim, por que os outros colegas não protestariam contra ele? Leandro Henrique recebe poucas suspensões por que corre limpo. É o que me dizem os seus próprios rivais. Durante longos anos, os fãs de Juvenal acusaram Ricardinho de ter privilégios junto à comissão de corridas. Os dois, entretanto, eram rivais apenas dentro da raia. Fora das pistas se admiravam e se respeitavam. Não estou fazendo comparações. É apenas de um exemplo.
Certas teorias da conspiração só existem na mente dos turfistas. Leandro Henrique não pediu para os comissários de corrida suspenderem Bruno Queiroz. Portanto, não pode ser responsabilizado por este fato. Leandro ganha mais páreos por que monta mais cavalos. Monta mais cavalos por que transmite mais confiança a proprietários e treinadores. Trata–se de uma equação biquadrada. Ele é imbatível? Claro que não. Já foi derrotado em duas oportunidades. Mas perguntem aos próprios jóqueis que já o derrotaram, os sacrifícios que foram necessários para supera–lo. Disciplina é a palavra–chave. E neste quesito. Leandro Henrique é osso duro de roer. Bruno Queiroz não deve se abater. Perdeu para um grande rival. O triste é ser derrotado por um qualquer. Mas no turfe isto nunca acontece. Se o cara consegue o topo é por que tem qualidades. Agora, Bruno Queiroz, uma revanche. Quem sabe? Ainda existem outros candidatos. A vida é assim. Nada como um dia depois de outro.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Christiano Oliveira brilhou na apresentação de Grande Nuit, filha de Put It Back e Afrancesada, por Wild Event, ausente das competições desde fevereiro. Nem parecia tanto tempo. Estava no peso ideal, fez galope de apresentação espetacular e bem conduzida, nas últimas posições, por Valdinei Gil, atropelou forte para obter vitória firme e inquestionável. O filho do saudoso Adail Oliveira encerra a temporada hípica com expressivo aproveitamento de 32%. Se for levado em conta que os seus pensionistas só atuam páreos de qualidade, este índice deve ser considerado bastante significativo.
JOQUEADA DA SEMANA – O campeão Leandro Henrique deitou e rolou nas raias cariocas. No dorso da potranca Regal Daphne, de criação e propriedade da Coudelaria Monte Parnaso, e preparo caprichado de Roberto Morgado Neto, foi brilhante. Fez percurso milimétrico no tiro curto e nos momentos decisivos, como sempre, apresentou aquele rigor habitual, com tocada frenética que desilude os rivais na raia e quem está jogando contra no hipódromo e nos agentes credenciados.
PERSONAGENS – A dupla Felipe Queiroz e Jaime Moniz Aragão brilhou intensamente nos dois primeiros páreos de sábado à tarde com Mind Your Step, de Reynaldo Reuters, e Goiaba Doce, do Stud Caminhar. Felipe, filho do freio José Queiroz, é um jovem inteligente, estudioso e bem articulado. Possui bons recursos técnicos, mas recebe poucas oportunidades no turfe carioca, bastante competitivo. Jaime Aragão a cada dia amadurece na profissão e apresenta os seus pensionistas sempre em condições de competir com os mais cotados. Boa dupla!
JORGE RICARDO – Em fase de recuperação das contusões sofridas no grave acidente ocorrido no turfe argentino, Ricardinho ainda não quer responder à pergunta da sua legião de fãs: vai voltar a montar ou pendurar o chicote? Na semana passada, entretanto, aconteceu um sinal positivo para aqueles que torcem para uma despedida do ídolo aqui na Gávea. Navegando na internet, J. Ricardo deu de cara com a lista de jóqueis com matrículas renovadas para a temporada 2.019/2.020. Estranhou a ausência do seu nome. Ligou para o redeador, César Mendes, que foi seu encilhador por muitos anos, e perguntou. “Por que o meu nome não está nesta lista? ”. César, sempre brincalhão, respondeu. “Você está todo quebrado agora. Quando melhorar e renovar a matrícula, o seu nome vai logo aparecer”.
