A supremacia do Movimento Geral de Apostas (MGA) da reunião noturna de segunda–feira faz parte da tradição do turfe carioca. Há muito tempo, os apostadores do Rio de Janeiro têm ampla preferência por este dia da semana para jogar. Entretanto, neste último conjunto de programas, esta superioridade na captação de apostas foi absurdamente superior aos outros dias de corrida. Enquanto a noturna de segunda–feira teve MGA de R$ 857.524,70, a arrecadação dos outros programas ficou bem abaixo. Na noturna de terça–feira, a segunda melhor, foram apostados R$ 614.328,31, no sábado, R$ 560.274,61, e decepcionantes R$ 554.380,93, no domingo.
A mudança da raia da grama para a pista de areia com certeza teve participação direta neste resultado financeiro caótico dos programas diurnos, os de melhor qualidade técnica. Os páreos de potros, constituídos por vários estreantes, ou então, por corredores com poucas atuações e, consequentemente, mínimas linhas de retrospecto, desencorajaram os apostadores. Virou loteria. E para jogar em loteria, existem melhores alternativas, tais como Mega Sena, Quina e Loto Fácil. Depois de 15 dias de estiagem, devido a uma massa de ar quente, sobre a região sudeste, onde se localiza a nossa cidade, a pancada de meia hora, na noite de quinta–feira passada pesou a pista de grama. E o tempo de temperatura amena pouco nada contribuiu para baixar o penetrômetro.
No inverno, o orvalho da noite, que alguns preferem chamar de sereno, deixa a raia de grama molhada até o sol se firmar, por volta das 10 horas da manhã. Com isso, a medida de 4.5 do penetrômetro para liberar a pista do programa parece ser muito baixa. Por outro lado, a grama demora mais a crescer no inverno. E com a cerca móvel de 11 metros acontece uma sinuca de bico. Se o funcionário entrar mais tarde para realizar a medição, o número aumenta. Por outro lado, as informações chegam mais tarde no site do JCB, aos agentes credenciados e no hipódromo. Este fator atrasa os estudos de retrospecto dos apostadores. O tema é bastante polêmico. Parece difícil encontrar a solução que venha agradar a todos.
O certo mesmo é que as corridas de sábado e domingo à tarde, com a mudança de pista, vendem menos, proporcionalmente, do que as reuniões noturnas. Isso só se altera nos grandes eventos, como GP Brasil ou Derby. E esta queda no faturamento ocorre justamente nos dias em que os páreos têm melhor nível técnico. Nos programas de segunda e terça existem menos atrativos e concorrências com outras atividades sociais e de entretenimento. Talvez seja viável fazer um debate sobre o assunto entre os dirigentes do JCB, os proprietários de cavalos de corrida, que sofrem prejuízos na mudança de raia, os profissionais de turfe, que vivem das comissões, e o engenheiro responsável pela pista, que luta pela preservação da raia. Pode–se então, tentar chegar a um denominador comum.
por Paulo Gama