NOVO ANO HÍPICO BATE NA PORTA DO TURFE CARIOCA
As reuniões do próximo sábado e domingo, dias 29 e 30 de junho, respectivamente, encerrarão o ano hípico de 2.018/2.019, no turfe carioca. Entre mortos e feridos, todos estão salvos. O fator mais positivo da administração atual foi a organização impecável do evento mais importante da temporada, o Grande Prêmio Brasil. A divulgação foi dinâmica, com participação efetiva nas redes sociais, e um bom público esteve presente nas dependências do belíssimo prado da Gávea. A parceria entre a PMU e o Jockey Club Brasileiro teve altos e baixos. Porém, indiscutivelmente, produziu bons frutos no aspecto financeiro. E o tradicional clube hípico conseguiu acumular significativos recursos em seus cofres.
No aspecto esportivo, o turfe carioca, embora esteja na vanguarda em âmbito nacional, pode aparar algumas arestas. Se pelo lado positivo, o JCB organiza quatro reuniões semanais, ao contrário dos outros coirmãos, que nem três conseguem promover, de outro lado, o negativo, precisa melhorar. Esta melhoria, acima de tudo, precisa ocorrer na relação da despesa entre prêmios pagos aos proprietários, em contrapartida com o valor mensal do trato para sustento dos puros–sangues. Os profissionais de turfe, treinadores, jóqueis e cavalariços vivem basicamente de comissões. Ou seja, boas dotações são sinônimo de boas condições de vida. E, ao contrário, se elas são insuficientes, a mão de obra sofre no dia a dia. A exemplo dos proprietários, que se transformam em verdadeiros heróis para manter os seus cavalos presentes a todas as competições durante o ano. Os profissionais lutam com galhardia para pagar as suas contas.
Entre os treinadores, Luís Esteves e Adélcio Menegolo comandaram a festa, com expressivos resultados. Esteves conquistou a estatística com sobras e ainda carimbou a terceira vitória consecutiva no Grande Prêmio Brasil. Espetacular! Menegolo deu arrancada fantástica no último terço da temporada e ficou no segundo lugar. Dulcino Guignoni perdeu um pouco de terreno no final, mas, como sempre, teve bons momentos. Júlio César Sampaio e Leonardo José Reis foram bastante regulares. Nas últimas duas semanas tiraram vários coelhos das suas cartolas.
Os jovens Leandro Henrique e Bruno Queiroz deram pouca chance aos colegas mais experientes em número de vitórias. Focados na profissão, eles possuem a credibilidade de proprietários e treinadores. Isso é o que importa. Os comentários sobre ambos, favoráveis ou não, representam apenas as preferências pessoais de cada um. Na esfera clássica, o domínio foi de Carlos Lavor e de Vagner Borges, dois monstros sagrados. E vale a pena ficar de olho nos aprendizes Maicon Mesquita e Will Xavier, que só fazem melhorar a cada reunião semanal. Mesmo radicado no turfe argentino, Jorge Ricardo chegou a liderar antes de sofrer o acidente em que se contundiu com gravidade. Agora será preciso tomar cuidado nesta transição da saída da PMU. Mais uma vez será preciso andar com as próprias pernas. Nem sempre se trata de uma tarefa fácil de realizar.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dulcino Guignoni mostrou toda sua classe na apresentação do potro de dois anos Hallmark, defensor da tradicional farda do Stud Chreem. Galope de apresentação resplandecente e triunfo esmagador. Menção honrosa para Júlio César Sampaio que fez inscrição audaciosa, de repique, com Glen Miller, do Stud Dom Luluca, e obteve triunfo espetacular. Como dizia Heitor de Lima e Silva, o saudoso Bolonha, a morte não fala dos covardes. Impecáveis resultados do treinador nas últimas duas semanas.
JOQUEADA DA SEMANA
O aprendiz Will Xavier deitou e rolou nesta semana de vários jóqueis suspensos. Entre tantas direções brilhantes e precisas vamos destacar a dada na noturna de segunda–feira no dorso de Pif Paf de Birigui. Outro defensor da farda do Stud Dom Luluca, em semana de gala, e mais um repique corajoso do treinador, Júlio César Sampaio. O aprendiz correu o seu conduzido como ele aprecia, atrás para atropelar. E o fez de forma lúcida e tranquila, tal e qual um veterano. Sempre por dentro, soube arrancar o seu pilotado no momento exato para partida curta e seca. Perfeito.
PERSONAGENS
Tivemos dois personagens nesta semana da Gávea. Um deles, inusitado. Anderson Ramilo, experiente piloto, sofre com a falta de oportunidades. O irreverente bridão montou com bastante confiança Uhland Allemand, do Stud Nunes de Miranda, e apresentado em perfeito estado atlético por Marcelo Borioni. Um dos profissionais mais divertidos e bem–humorados do turfe carioca, o triunfo de Ramilo provocou comoção a toda a comunidade turfística, acostumada com a alegria proporcionada por ele no dia a dia da atividade. O outro personagem foi Henderson Fernandes, em fase sensacional. Ele levou para o disco quase todos os puros–sangues que montou.