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Maio | 2019

Páreo Corrido, por Paulo Gama
28/05/2019 - 10h17min

GP BRASIL, MAIOR EVENTO DO TURFE NACIONAL SE APROXIMA

Grande Prêmio Brasil é uma marca forte. E, há alguns anos, patenteada pelo Jockey Club Brasileiro. Existem outros esportes que utilizam esta marca. Talvez seja melhor dizer que pedem emprestado. Porém, durante a promoção do evento, sempre com o nome de outro esporte a seguir. Grande Prêmio Brasil de Atletismo, Grande Prêmio Brasil de Fórmula – 1, etc. e tal. Só o nosso GP não precisa de explicação. Ele é único, intransferível e foi escrito por inesquecíveis craques de quatro patas, montados por jóqueis lendários e preparados por treinadores que marcaram época. Uma história linda, fruto da paixão do homem pelo cavalo, desde a antiguidade.

Agora, em 2.019, mais uma vez receberemos delegações de turfistas de todos os estados da federação. Caravanas entusiasmadas, oriundas do Nordeste, onde pernambucanos e cearenses são sempre os mais animados, com as suas apostas um na frente do outro, que formam enormes rodinhas nas tribunas sociais e populares. Do Rio Grande do Sul vêm os gaúchos, tradicionalmente apaixonados pelos puros–sangues como poucos, e do Paraná, os membros de um turfe emergente, de consagrados campos de criação. O turfe paulista deve trazer a sua caravana para torcer pelos seus cavalos e intervir, como sempre acontece, nos resultados dos páreos. Todos serão bem–vindos!

Os leilões de potros e de animais em treinamento, no Tatersall do Jockey Club Brasileiro, durante toda a semana que antecede a disputa da prova magna, servem de aquecimento. Os turfistas se confraternizam entre si. Na ocasião se pode rever amigos, conhecidos, colegas de profissão e observar o passeio dos puros–sangues na baia. Eles são o traço de união entre todos. A paixão comum entre os turfistas. A razão de ser do esporte. A temperatura baixa dos matinais, após a chegada dos primeiros concorrentes de outros estados, é aquecida pelo chimarrão dos gaúchos ou o café forte tão ao gosto dos paulistas. Está chegando a hora da verdade.

A mudança da data do Grande Prêmio Brasil, antecipada de agosto para junho, pode ter sido necessária, para acompanhar o turfe internacional e permitir a inscrição dos cavalos de três anos, mas, em termos de marketing foi um retrocesso. A tradição do páreo, no primeiro domingo de agosto, se solidificou por décadas entre os membros não turfistas da sociedade. E agora, serão necessários longos anos para eles se acostumarem. Grupos de amigos, de colegas de trabalho e famílias combinavam de se arrumar, colocar a beca e ir ao hipódromo uma vez por ano. Agora, eles se surpreendem quando constatam que o dia do GP Brasil já passou. 

A liberação do traje passeio completo na Tribuna Social e o fim da Nuit de Longchamp, o baile com smoking e as mulheres elegantíssimas da alta sociedade no Salão das Rosas foram dois enormes desfalques para tradicionalistas como eu. Não me parece grande sacrifício, uma vez por ano, por um belo paletó, colocar a gravata mais elegante e o melhor sapato. E ficar vendo a chegada das celebridades, nas segundas–feiras, antes da largada do Clássico Delegações Turfísticas, também era legal. Lembro–me que aquele era o sinal de que a festa estava por acabar. Seria preciso esperar mais um ano para viver a emoção do Grande Prêmio Brasil. Eu era feliz, tão feliz. Meu, Deus! Eu era feliz e nem sabia...

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Touro Bravo, de propriedade do seu próprio treinador, Leopoldo José Cury, fez lindo galope de apresentação. Nem parecia estar inscrito num páreo de claiming, para produtos de 4 anos, sem mais de 1 vitória. O pelo reluzente, a musculatura exuberante e a desenvoltura do cânter, mais pareciam de um potro de dois anos disputando a liderança da geração. Leo Cury é assim. Capricha o máximo na apresentação dos seus pensionistas. Veterinário, professor universitário e autodidata, coleciona sempre bons resultados, mesmo na entressafra, ou seja, quando o seu plantel, não está tão qualificado assim. Tem tido bons resultados na temporada, com a característica de fazer justiça, no cotidiano, da expressão popular: “tirar leite de pedra”. Doutor Leo sempre faz isso na rotina de sua brilhante carreira profissional.

JOQUEADA DA SEMANA

Alexandre Correia, o popular “Tampinha”, esteve impecável no dorso de Jackson Story, do Stud Sempre Por Um Triz, e também no preparo de Leopoldo Cury. Ao perceber um ritmo de prova mais forte do que o adequado, posicionou na expectativa o seu conduzido, um animal voluntarioso. Esperou o máximo para acelerar e fez partida bem curta, de 400 metros. Obteve um triunfo em que a sua postura, percurso e sensibilidade contribuíram bastante para o resultado positivo nos metros finais. Perfeito! Aliás, A. Correia monta muito pouco para um piloto de sua qualidade.

MENÇÃO HONROSA

Vale o registro da competência e dedicação do treinador Noé Roberto Santos (N.R. Santos) para recuperar e colocar em plena forma o seu pensionista Emperor of Kicks, do Stud Embalagem. Animal com nítidos problemas de locomotores, reapareceu em perfeito estado atlético para obter duas vitórias consecutivas. Noé teve paciência na cocheira e todos os cuidados necessários na raia para permitir que o filho de Plenty of Kicks, reencontrasse o caminho do sucesso. André Mendes, um bom jóquei, foi parceiro e coadjuvante na tarefa tão bem–sucedida de recuperar o animal. Parabéns a ambos pela perseverança e amor à profissão.

PERSONAGEM

Posso garantir a alguns turfistas aqui do nosso “Espaço do Leitor”, que se irritam com o fato de Leandro Henrique ser apaparicado pelos comentaristas, pouco suspenso pelos comissários e preferido dos proprietários de PSI, que o líder da estatística não tem culpa disso. O pernambucano Leandro Henrique é um menino de ouro no meio do turfe. Ajuda a família, sobretudo o pai, que é deficiente visual, e se comporta com timidez e discrição. Quem dera o Neymar tivesse o seu temperamento. Leandro tem absoluta aversão a badalação. Ele é respeitado pelos próprios colegas das rédeas, por correr com absoluta lisura, e admirado por todos na Gávea por ser apaixonado pela profissão, trabalhador e honesto. 

A sua forma atlética invejável é fruto da frequência diária nos centros de treinamento na região serrana e na raia do hipódromo. O seu resultado na profissão não acontece devido a bajulação desta legião de baba–ovos. Portanto, evitem atribuir a ele os benefícios que por ventura recebe. Pode ser considerado injustiça descarregar as baterias no garoto. A sua única culpa é de ganhar corridas em profusão. E isto ocorre devido a segurança e respeito que ele transmite no meio turfístico. 

Agora, me parece óbvio que quanto mais vitórias Leandro soma, mais montarias lhe oferecem na semana seguinte. Quanto maior o seu sucesso, proporcionalmente também aumenta o número de puxa–sacos. Isto também acontecia com Jorge Ricardo, nos áureos tempos. Tudo fruto da visibilidade. Bem aceita por alguns e motivo de inveja de outros. A comparação entre L. Henrique e o jovem Bruno Queiroz me parece prematura. Leandro foi o primeiro aprendiz a ganhar uma estatística e já perdeu outras duas, para V. Gil e V. Borges, respectivamente. Bruno só começa agora a sua caminhada. Tenta a sua primeira estatística e acabou de sair da escola. Devemos esperar um pouco mais para fazer esta comparação. Agora, que os dois são bons profissionais, os números provam e não deixam dúvidas. E contra fatos sempre será difícil encontrar argumentos contrários. É a lei da vida.




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