PREPARATÓRIAS DO GP BRASIL DEIXAM DÚVIDAS NO AR
No último sábado foram realizadas as primeiras provas preparatórias para a semana do Grande Prêmio Brasil, de 7 a 10 de junho. O desenrolar das competições de pouco serviram para elucidar possíveis resultados das provas centrais deste ano, e, muito menos, indicar possíveis favoritos. No Grande Prêmio Doutor Frontin, em 2.400 metros, na grama, teste para a prova magna do turfe nacional, o Grande Prêmio Brasil, aconteceu o triunfo surpreendente de Agassi, do Stud Verde, apresentado em forma soberba por Luís Esteves, e com direção antológica de Vagner Borges. No mesmo páreo, o alazão de quatro anos, Or Noir, pensionista de Venâncio Nahid, teve atuação decepcionante, com apagado quarto lugar. Ou seja, uma surpresa agradável por parte do potro, e a outra frustrante para os observadores lúcidos e imparciais, como escreveria, se fosse vivo, Marcos Ribas de Faria, o saudoso ‘Escorial’.
Ora, este resultado confunde e dificulta análise precisa sobre a magna carreira. E as coisas podem mudar na hora da verdade. A evolução de Agassi, pela primeira vez na distância, é indiscutível. Entretanto, até agora, ele nunca havia chegado perto de Leviatan, do Stud Eternamente Rio, segundo colocado na preparatória. Ele correu demais? Ou o companheiro de cocheira correu de menos? Or Noir tem derrotado sempre a Olympic Hollywood, do Haras Regina, fácil e esmagador ganhador do Grande Prêmio São Paulo, uma semana antes. Entretanto, Or Noir não conseguiu formar a dupla no GP Doutor Frontin. Mais uma vez cabe a pergunta. Olympic Hollywood correu demais? Ou, Or Noir correu menos do que sabe? O triunfo de Agassi fortalece a chance da geração e três anos no duelo com os mais velhos no campo do GP Brasil? Aparentemente sim. Ele foi um herói anônimo. Agora virão os já aprovados Taksim, Galaxy Quest e o derby–winner, Jet Lag, entre outros.
A prova preparatória, como o nome diz, tem como objetivo maior deixar os cavalos no último furo para as provas de maior importância. Alguns candidatos atuam não muito distantes do último furo, e outros, por circunstâncias diferentes de treinamento, só depois da corrida teste ficam mais perto do ápice atlético. Por isso, a dificuldade de avaliar a melhora individual de cada um. Alguns corredores, por preferência de seus treinadores, são inscritos direto nos páreos principais. Nem mostram as suas credenciais em preparatórias. O rigor e a proximidade entre os páreos não favorecem alguns. Outros puros–sangues, precisam do rigor da corrida preparatória para atingir o auge. O assunto é apaixonante. E a sensibilidade de cada treinador é fundamental para fazer o que é melhor para o seu pensionista. Respeitando a individualidade de cada um. Certa mesmo é a imprevisibilidade do Grande Prêmio Brasil deste ano. Pode acontecer uma grande surpresa. Com rateio elevado, talvez. Como aconteceu no último Grande Prêmio Cruzeiro do Sul.
Na prova preparatória para a milha internacional, o Clássico Luiz Rigoni, em 1.600 metros, na grama, o triunfo por vários corpos do bom potro Falcão Shanghai, do Stud Mendonça & Nijú, praticamente recomendou a todos os demais concorrentes por ele derrotados, serem inscritos na Prova Especial Quick Chance, consolação do grupo I, na semana do GP Brasil. A nítida impressão deixada é que os seus maiores rivais virão de outra enturmação. A menos que ele corra bem abaixo e alguém levante voo de uma hora para outra. Os tempos dos dois páreos não foram animadores. Por isso, a autoridade dos triunfos, dificulta ainda mais a conclusão dos fatos. A preparatória do GP Roberto e Nelson Seabra, o GP Henrique de Toledo Lara, foi a menos intrigante. Easiest Way parece pronta para vencer o seu primeiro Grupo I daqui a um mês. Entretanto, terá grandes rivais na própria cocheira, onde Christiano Oliveira coleciona triunfos nos páreos clássicos de éguas de toda a temporada. Surpresa mesmo será uma de suas pensionistas, de qualquer idade, não levantar esta prova em junho.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Christiano Oliveira manteve a rotina de vencer as provas clássicas para éguas. Easiest Way estava uma pintura no galope de apresentação. Conduzida com a tranquilidade habitual pelo talentoso Valdinei Gil, a filha de Adriano obteve belo triunfo rumo ao páreo das éguas na semana do Grande Prêmio Brasil. Vale lembrar que Christiano fez mais duas inscrições vitoriosas na semana, com Goldzilla e a potranca da nova geração, High Passion, além de um segundo lugar com Helquis. Belo trabalho do jovem profissional. Roberto Solanês também colecionou três páreos da nova geração, com Ucayalli, Olympic Jolteon e Olympic Juliet. Brilhante como sempre..
JOQUEADA DA SEMANA
Vagner Borges esteve impecável no dorso de Agassi, do Stud Verde, ganhador do Grande Prêmio Doutor Frontin. Boa largada, bom percurso, sempre por dentro, e a lucidez dos grandes astros das rédeas. A passagem obtida no momento decisivo da carreira, não lhe proporcionou apena a joqueada semana. E sim, com toda certeza, a maior joqueada de toda a temporada. Vale a pena ver e rever. Para ele, V. Borges, montar um cavalo de corrida é a coisa mais fácil do mundo. E ele exerce a sua profissão com a mais absoluta naturalidade. Um monstro!
PERSONAGENS
A conquista da estatística de treinadores virou mera formalidade para o cearense, Luís Esteves. Mais uma vez ele brilhou e foi ao pódio pegar as suas taças. No Grande Prêmio Doutor Frontin fez ponta e dupla, com Agassi e Leviatan. Agora pode brigar pelo tricampeonato da maior prova do turfe nacional, que ele conquistou nas duas últimas temporadas com Voador Magee e Quarteto de Cordas. Além disso, credenciou Falcão Shanghai a ser um dos pretendentes ao GP Presidente da República. Uma temporada dos sonhos, com triunfos memoráveis. Entre os jóqueis, Marcelo Gonçalves e Wesley Silva Cardoso brilharam mais do que as estrelas da companhia. Vitória e mais vitórias, um ritmo e desempenho frenéticos. Parabéns!
