Nesta semana o Raia Leve teve o prazer de entrevistar o promissor aprendiz de quarta categoria, Daniel Staiti Costa de 18 anos, que completará 19 no próximo dia 15 de maio. O jovem, que estreou há dois meses no Hipódromo da Gávea, venceu sua primeira corrida com a égua Longe De Mim no dia 12 de fevereiro, na sua primeira semana de trabalho em prado carioca. Hoje, o D.Staiti nos programas oficiais, já possui três vitórias mas precisa de mais duas para que possa mudar para terceira categoria.
Daniel se tornou um apaixonado por cavalos de corrida através do seu bisavô. “Meu bisavô sempre trazia eu e meu irmão Marcos (M.Staiti) para o Jockey quando éramos crianças, a paixão pelos cavalos de corrida era enorme e eu já nutria o sonho de um dia poder montar! O meu avô faleceu mas nem por isso eu e meu irmão deixamos de vir ao hipódromo.” E depois de anos sonhando com a vaga na escola de aprendizes, o menino fez sua primeira tentativa. “Em 2017 eu fiz a seleção, estava com 46kg mas por conta da minha altura (hoje de 1,67m) não me aceitaram como aluno. Resolvi não desanimar e até o final do ano, fiquei vindo nos trabalhos matinais para ajudar meu irmão; mas minha vontade de montar não cabia em mim. Ficava na beira da cerca doido para um dia pelo menos poder galopar. Por sorte, e felicidade do destino, no final do ano a escolinha ficou sem aluno e fizeram uma nova seleção, na qual eu fui aceito. Talvez por perceberem o tamanho da minha vontade e determinação.”
Quem o vê montando hoje, com facilidade, tranquilidade e bom percurso, não imagina as dificuldades que passou. “No início eu não levava muito jeito, mal sabia pegar na rédea. Cheguei a ouvir que poderia procurar outra ocupação, que aqui não era o lugar certo pra mim... mas aí me empenhei ainda mais! Fazia cavalete pelo menos 30 minutos por dia, além do tempo que o Marcelo Cardoso mandava. Ia para a cerca reparar como faziam os redeadores e jóqueis para galopar os cavalos. E com isso acabei evoluindo bastante. Só tenho a agradecer ao Sr.Machado e ao Marcelo por todo o suporte que me deram.”
Ele sabia que não seria fácil quando fosse liberado para montar, já que só poderia pilotar animais a partir dos quatro anos e de 53kg (Hoje ele pesa 51.500kg fardado, mas precisa seguir sua tabela no JCB). Nesse momento o apoio psicológico recebido na escolinha foi fundamental para que ele se mantivesse motivado. “Desde de minha estreia até hoje, percebi que a cobrança dos treinadores sobre mim aumentou bastante e com isso minha responsabilidade também! A falta de oportunidade talvez seja a maior dificuldade nesse momento para passar para terceira categoria, mas eu sigo muito motivado. Normalmente chego 4:50h na raia e só saio após 8:30h... Muitas vezes saio no horário de fechamento. Costumo trabalhar para todos os treinadores, sempre me colocando à disposição. Trabalho com muito boa vontade, até para aqueles que nunca puderam me dar uma montaria.” E quando ele comenta sobre sua disposição para trabalhar, lembramos do jóquei Bernardo Pinheiro, hoje radicado em Dubai. Bernardo sempre foi alto, cuidou bastante da alimentação, praticava muitos exercícios e tinha uma determinação sem igual para o trabalho. E foi com essa força de vontade, que ele alcançou sucesso na profissão!
Hora de falar dos ídolos e exemplos que inspiraram Daniel. “Até meus 16 anos meu único ídolo dentro do turfe era o M.Mazini, sempre falava que iria montar como ele, e vou me esforçar bastante pra chegar nesse nível que sempre sonhei. Mas com um tempo vivendo dentro do turfe, percebi as grandes dificuldades do Mazini e outros profissionais acabaram se tornaram ídolos pra mim. Como o J.Ricardo por ser o profissional que é! O B.Pinheiro por ser alto assim como eu e nunca ter desistido, mesmo depois de ouvir pessoas falando ser jóquei não era pra ele. O M.Cardoso também, por ter sido um grande profissional e hoje ajudar na formação de novos pilotos. E meu maior ídolo é meu irmão M.Staiti (atualmente radicado no Kuwait) pois sei tudo o que ele passou, as dificuldades que enfrentou, aborrecimentos que teve e com tão poucas oportunidades conseguiu passar a jóquei, na minha opinião é um grande jóquei. Então meu plano para o futuro é passar a jóquei aqui e conseguir a chance montar fora do Brasil!”
Quando falamos sobre seu peso, ele lista rapidamente todos os seus cuidados diários. “Meu peso eu encaro como um desafio, pois ele é isso, apenas um desafio! Nunca gostei de correr e sempre amei comer. Mas desde que entrei pra escolinha precisei mudar essa ordem... Hoje corro todos os dias, inclusive os dias de corrida, pelo 7km (o equivalente a uma volta na Lagoa Rodrigo de Freitas), no intuito de deixar meu metabolismo sempre acelerado. Mudei completamente a qualidade e a quantidade da minha alimentação. Hoje eu como o dia todo, o que eu comia só em um almoço em casa. No início foi quase uma tortura, mas hoje em dia já me acostumei. Isso não significa que eu goste de correr ou viver de dieta, mas que faço isso sem dificuldades porque amo montar e sempre quis ter a oportunidade de estar aqui. Tenho certeza de que quando passar para aprendiz de terceira categoria, vou ter mais oportunidades! Vou poder assinar animais de 3 anos, alguns saindo de 55kg. Mas tenho 3 meses para conseguir mais duas vitórias.”
O Raia Leve e toda a sua equipe está torcendo para que o aprendiz Daniel Staiti receba as oportunidades devidas por toda a sua dedicação ao trabalho. Deixamos aqui o nosso apoio para o atleta e seu agente de montarias Leandro Mancuso na divulgação de seu trabalho. Além disso, como de costume, abrimos um espaço para que o jovem possa fazer seus agradecimentos. “Gostaria de agradecer a toda equipe da EPT, sem eles eu não estaria aqui! Agradeço a minha família, que sempre que pode está presente me incentivando, me apoiando e me aconselhando! Também aos treinadores que me deram oportunidade de passar na frente. Pois aqui não se ganha se não tiver cavalo com chance!”
Por Maria Teresa Morgado