O EMOCIONANTE BATISMO CLÁSSICO DE UM JOVEM CAMPEÃO
Depois da tempestade vem a bonança. Durante muitos anos da minha infância pude ouvir com carinho este velho ditado proferido por minha avó Zuleida. E hoje em dia, em tempos de cotidiano violento, agitado, confuso e temerário, sinto falta da simplicidade daquela voz carinhosa que já se calou. Bruno Queiroz, no início de sua jornada profissional, teve de enfrentar merecida, porém muito dura suspensão. Não abaixou a cabeça. Seguiu trabalhando com entusiasmo. Afinal, ele ama a profissão. Não mudou o seu temperamento. Se resignou com o áspero obstáculo e foi em frente. Continuou educado, simples e sem um pingo de mágoa com ninguém. Os campeões são assim. Focados, decididos e impetuosos. Bruno esteve em Cidade Jardim durante o impedimento de montar. Ganhou duas provas do calendário clássico paulista. Foi elogiado, incentivado e consolado pelos profissionais bandeirantes.
Mas faltava dar o seu recado dentro de casa. O batismo na Gávea. O belo palco dos seus primeiros passos rumo a glória. E o cartão de visita as provas nobres cariocas aconteceu. Na hora certa. Logo no reinicio de sua caminhada. Na Prova Especial Old Master, com Hard Trick, do Stud Daltex, mantido em forma atlética exuberante por José Ferreira Reis, no auge de sua carreira profissional. Logo depois do disco de chegada, emocionado, Bruninho chorou no dorso de seu conduzido. Eram lágrimas de redenção. O desabafo silencioso da missão cumprida. A resposta na raia a intolerância daqueles que não admitem erros a um garoto no frescor da idade. Logo nós, adultos, que cometemos tantos erros em nosso cotidiano. Maduros e experientes fazemos nossas próprias besteiras quase todo dia. É preciso saber valorizar os nossos futuros ídolos. Eles são a esperança da continuidade do nosso esporte. A certeza da eterna ressureição. Atire a primeira pedra aquele que nunca errou. Parabéns a Bruno Queiros, aos seus pais e ao seu agente, o jovem Lucas Reis, pela capacidade de superação.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O craque Dulcino Guignoni volta a nossa coluna semanal por sua brilhante apresentação de Garrucho, do Stud Globo, fácil ganhador montado pela excelente joqueta, Victória Mota. Depois de vitória expressiva no claiming veio ao páreo de turma com possibilidades. E confirmou inteiramente a expectativa. Fez galope de apresentação deslumbrante e na corrida tomou a ponta e galopou até o disco com enorme facilidade. Parabéns ao treinador pela nítida evolução de seu pensionista. E também a filha de Alex Mota pela coragem de enfrentar a adversidade e o fato de ser a única mulher a duelar com tantos marmanjos presentes na raia carioca.
JOQUEADA DA SEMANA
Anderson Paiva realiza a melhor temporada de sua carreira profissional. As oportunidades começaram a aparecer e ele as tem agarrado com unhas e dentes. No dorso de La Gorgeous, do Stud Lipilson, e treinamento do talentoso Júlio César Sampaio, Paiva deu bela joqueada e proporcionou aos fãs um rateio bastante elevado. Correu na expectativa, por dentro, e esperou o maior tempo possível para fazer partida bem curta e seca na sua conduzida. A tática deu resultado e a filha de Public Purse atropelou forte nos metros finais para obter belo triunfo.
PERSONAGEM DA SEMANA
Ronaldo Lima continua a dar as cartas nos páreos da nova geração. Mais uma vez apresentou os dois líderes da turma, Happy Bryan e Filo Di Arianna, invictos nas pistas, em forma atlética espetacular. A potranca levou um susto, com a atropelada forte de Quick’N Easy, mas conseguiu se impor. Filo Di Arianna desta vez largou melhor do que na estreia e deu um vareio na parceirada. Confiante e focado no trabalho, Ronaldo evolui sempre nesta profissão árdua de treinar puros–sangues, que exige sensibilidade, dedicação e maturidade.
VIVE LA FRANCE
O resultado financeiro excepcional da primeira experiência das transmissões dos páreos da Gávea para a França já foi amplamente divulgado. E merece ser comemorado. A título de incentivo e de colaboração gostaria de registrar dois detalhes. O primeiro, dos mais positivos, foi o cumprimento do horário, entre o primeiro páreo com transmissão para os franceses até o sexto e último. Foram seis provas disputadas no horário anunciado. Excelente. Em seguida, assim que a transmissão ficou apenas no âmbito doméstico, a turma relaxou. Houve pequeno atraso. Este negócio de atrasar a largada para vender mais jogo é estratégia desnecessária. Puro amadorismo. O negócio é condicionar o apostador de que o páreo vai largar no horário do programa oficial. É assim nos centros turfísticos mais evoluídos do planeta. Por que a gente deve se achar mais sabido que todo o mundo?
A outra observação é que deve haver um estudo para possibilitar, nos dias de transmissões internacionais para a França, que os fãs do simulcasting entre Gávea e Cidade Jardim não fiquem sem imagem, cânter, pedra de apostas e transmissão das provas pela televisão. O movimento de apostas foi de apenas R$ 111.098,60, bem abaixo do normal. Porém, pode ser considerado satisfatório, levando em conta as limitações. Entretanto, parece óbvio que poderia ser maior. Durante o resto do ano teremos mais oito datas com transmissão das corridas da Gávea para a turma da Torre Eiffel. As corridas de Cidade Jardim, a menos que aconteça alguma catástrofe, serão realizadas todos os sábados à tarde até final de 2.019. Portanto merece carinho. Vale a pena fazer uma avaliação e encontrar saída para as duas transmissões simultâneas.