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Março | 2019

Páreo Corrido, por Paulo Gama
19/03/2019 - 10h39min

JCB FEZ RESGATE DOS BONS TEMPOS DA COBERTURA JORNALÍSTICA

Hoje em dia, devido a uma série de circunstâncias desfavoráveis, o cronista encontra muito maior facilidade em criticar, do que para fazer elogios. E isto ocorre pelo simples fato da maioria das coisas estarem fora do lugar. O Brasil, no aspecto político, possui crise sem precedentes de credibilidade. A cidade do Rio de Janeiro, no âmbito social, vive situação caótica na saúde, educação e segurança pública. E a atividade turfística, fruto de maior interessa de nós turfistas, como um todo, enfrenta dois fatos cruéis e indiscutíveis: a queda gradativa e inexorável da população de equinos, e a relação desproporcional dos prêmios dos páreos pagos aos proprietários de puros–sangues e a enorme despesa deles com o trato mensal dos seus cavalos. 

Apesar de todas essas dificuldades citadas, a equipe da televisão do Jockey Club Brasileiro, no último domingo, dia da disputa das duas segundas provas da tríplice–coroa, fez o mais puro jornalismo, como ele deve ser na sua essência. A cobertura foi dinâmica, criativa, direta e muito bem pautada. Por que o bom repórter fica ainda melhor se estiver de posse de uma bela pauta. Por isso, os bons chefes de redação são disputados a tapa no mercado. Eles conseguem extrair o melhor de cada membro da sua equipe nas grandes coberturas. E não sei se isso aconteceu por algum tipo de orientação nova, por mera coincidência ou por que houve a ajuda dos fatos. No último domingo, tivemos dois páreos sensacionais, em termos de puros–sangues e de desempenho individual dos profissionais. Seja lá como for, parabéns a turma da televisão do JCB, Deu tudo certo.

A ideia de homenagear as mulheres por causa do seu Dia Internacional foi brilhante. A mesa redonda esteve leve, agradável e técnica. Não me falem em prognósticos e muito menos em palpites. Erros e acertos acontecem toda hora neste negócio de indicação. Às vezes você está inspirado. E outros dias, nem tanto. Tetê Morgado honrou a família. Bela voz, articulada e objetiva. Muitos detalhes, oriundos de quem tem, na própria casa, um dos maiores marcadores de corrida de todos os tempos, o pai, Roberto Morgado Júnior. Victoria Mota, bela, graciosa e apaixonada pelo turfe. Esteve elegante e sensata nos comentários. E Juliana Dias, como sempre, carismática, sensível, inteligente e, acima de tudo, emotiva.

 A entrevista de Juliana Dias com Jorge Ricardo foi antológica. Ela teve o feeling de perceber a importância da presença no evento do atleta de exceção. Não é todo dia que você recebe a visita no seu microfone de um recordista mundial. Juliana foi tiete de Ricardinho durante toda a conversa depois do triunfo memorável. E este comportamento o deixou bem à vontade e emocionado. Normalmente comedido, ele se soltou, fez juras de amor ao turfe carioca, se mostrou feliz em falar, e acabou por beijar, carinhosamente, a cabeça da repórter, antes de se despedir. Estava feliz em ter sido entrevistado. O que normalmente é raro. O entrevistado sempre vive a tensão de receber alguma pergunta incómoda ou embaraçosa. Isto não aconteceu.

As matérias com Dona Marlene Serrador, a treinadora Cristina Resende e a veterinária, Adriana Lioi, foram de muito bom gosto. Marlene Serrador recebeu a reverência carinhosa e merecida de uma grande dama do turfe nacional. Cristina Resende experimentou a emoção e a entrega de Juliana Dias, sua amiga particular. E, a exemplo do que havia acontecido com Ricardinho, a emoção ficou a flor da pele. Falou da mãe, falecida recentemente, e quase foram as lágrimas, juntas no microfone. A pauta da matéria sobre um “Dia no Hipódromo”, narrada por Celson Afonso foi objetiva, bem dirigida e perfeita para o púbico presente nestas ocasiões, os leigos. Enfim, aqueles que desconhecem tudo sobre turfe. Foi didática, teve ritmo cadenciado, e suficiente para o calouro absorver as informações sobre um assunto que ele não conhece nas suas peculiaridades. Esta matéria deve ser repetida no próximo Grande Prêmio Brasil. O caminho da TV deve ser este. Boas pautas. Tirar o máximo de cada um dos componentes da equipe. Extrair o melhor de cada um.

O senso crítico não me permite só fazer elogios. Por isso, gostaria de sugerir alguns detalhes importantes, e que poderão ajudar, no futuro, para dar maior dinamismo a este tipo de cobertura. Para reger uma orquestra é preciso ter harmonia e sentido de grupo. Todos precisam se sentir parte da engrenagem. Por isso, discordo de seguir a escala de folgas dos dias comuns. Os dois narradores, Fernando Cury e Thiago Guedes, são excelentes. Eles deveriam ter dividido as transmissões. A narração de uma prova de Grupo I para cada um. E os outros três clássicos também divididos. Este negócio das Indicações não é para todo mundo. Deveriam colocar apenas as marcações de André Rodrigues e de Fernando Lopes. O primeiro, por se tratar de um especialista no assunto. E o segundo, por seu o editor do site do JCB, e não ter medo de marcar favoritos. A exemplo do que acontece no Raia Leve, Júlio Pontes e Jorge Olympio. São os melhores. Marcam eles. Cada macaco no seu galho.

 André Cunha e Juliana Dias são os melhores em termos de reportagem, por motivos diferentes. Juliana pela paixão e André por ser um tremendo cara de pau. Qualidade indispensável para o bom repórter. Os entrevistados não conseguem intimidá–lo. Leva tudo na descontração, brinca, faz graça e consegue as informações. Celson Afonso é o mais calmo, ponderado, e discreto, de toda equipe. E, por isso, é o melhor âncora. Não deveria jamais sair do aquário. Trata–se de um mediador perfeito, e, por ser tímido, não fica à vontade nas entrevistas. Lucas Eller e Diego Guedes, os mais jovens, são paus para toda obra. Lucas conhece bastante filiação e dá show na cobertura internacional. Diego parece um trepidante, como eram chamados os radialistas Kleber leite e Denis Meneses, na Rádio Globo, na década de 80. Irrequieto e ativo como se fosse um bólido. São interessados e respeitosos com os colegas no ar. 

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Taksim, defensor da farda de Carlos dos Santos, teve apresentação de luxo do treinador Cosme Morgado Neto. Estava um pouco nervoso no Padoque. Porém, logo em seguida, na raia, fez galope de apresentação espetacular. Numa semana de vários puros–sangues bem apresentados, o filho de Discreet Cat e Taverne, por Torrential, foi o mais belo de todos. O triunfo, conquistado minutos depois no Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, só fez coroar o trabalho excepcional do treinador e de sua equipe. Parabéns.

JOQUEADA DA SEMANA –  Empate entre Valdinei Gil e Jorge Ricardo, dois jóqueis de excepcional qualidade, em dois páreos dos mais importantes do calendário clássico nacional. Depois da aula de direção de Valdinei Gil, no dorso de Gaivina, no Grande Prêmio Diana, parecia impossível outro piloto produzir alguma performance de tão alto nível. Porém, 45 minutos depois, o agora visitante, Jorge Ricardo, no dorso de Taksim, no Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, decidiu trazer de volta à memória dos antigos turfistas, um daqueles tantos momentos inesquecíveis proporcionados por ele durante 30 anos, na Gávea. De 1976, quando começou a sua carreira, até 2.006, quando se transferiu para o turfe argentino.

PERSONAGEM – Que pena, o meu amigo Adail Oliveira, ter ido embora desta vida tão cedo.  A minha mente consegue imaginar a alegria que ele sentiria, semanalmente, ao ver Christiano Oliveira, o seu filho querido, no pódio, sempre com as taças na mão, símbolos da conquista de mais uma importante prova clássica. Desta vez, Christiano fez ponta e dupla no Grande Prêmio Riboletta, com Fanciful e Easiest Way. E por pouco não repetiu a façanha, no Grande Prêmio Diana, quando ganhou com Gaivina e foi terceiro colocado, com Grandeza. Educado e solícito com a Imprensa. Atencioso, solidário e reconhecido aos seus auxiliares. Christiano é uma joia de pessoa. E, por isso é respeitado pelos colegas de profissão devido ao comportamento íntegro. Parabéns para você, Adail Oliveira, onde estiver, sei que você está orgulhoso do garoto.




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