A VANTAGEM DO PSI COM CAMPANHA BEM PLANEJADA
No triunfo de Tanto Riso, do Stud São Francisco da Serra, no último domingo, na Prova Especial Waldmeister, em 2.500 metros, na grama, o que mais chamou a atenção dos observadores foi a evidente campanha bem traçada do craque pelo staff da coudelaria. O turfman, Luís Antônio Ribeiro Pinto, experiente, dinâmico, e sempre bem assessorado pelo inseparável amigo, Sérgio Barcelos, formam uma dupla de profundos conhecedores de filiação, circunstancias próprias e peculiares da raça do PSI e, acima de tudo, ambos têm objetividade nas tomadas de decisão. Na tríplice–coroa conquistada pelo inesquecível Plenty Of Kicks, essa perfeita dinâmica de planejamento e ação de Luís Antônio Ribeiro Pinto já havia sido comprovada.
Agora, com Tanto Riso, belíssimo filho de Agnes Gold na extraordinária reprodutora Tanta Honra, por Crimson Tide, “Sir Tony”, mais uma vez, prepara uma peça para os seus prováveis rivais no próximo Derby. A estratégia é perfeita. O sucesso de sua tática, de evitar a seletiva para o Latino–americano e as primeiras provas da tríplice–coroa, para se concentrar apenas no páreo mais cobiçado por criadores e proprietários em todo mundo, não tem sucesso garantido, entretanto. Num esporte como o turfe, em que o imponderável e o inesperado andam de mãos dadas ao sabor do destino, nem sempre quem faz as coisas certas vence. Porém, não há como negar que os bons estrategistas ficam sempre mais perto de realizar os seus sonhos.
Tanto Riso só voltará a ser apresentado no Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, o Derby, no dia 14 de abril. Até lá, com certeza, enquanto alguns dois seus principais e futuros rivais vão se digladiar na 2ª etapa da tríplice–coroa, o Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, em 2.000 metros, ele assistirá a tudo de cadeira, depois de ter atuado duas vezes no percurso mais nobre das corridas de cavalos, 2.400 metros. Na primeira e na segunda oportunidades, contra os mais velhos, o que também já lhe deixou preparado para a maior aventura, a do Grande Prêmio Brasil, em junho, e a outra, em 2.500 metros, no último final de semana, contra os concorrentes de sua turma, os de três anos. Por estes detalhes, o seu triunfo está garantido no Derby? Claro que não. Porém, me parece incontestável, que na condição de atleta, ninguém estará mais bem preparado na distância do Tanto Riso.
Um dos segredos do bom treinador não está apenas no trabalho eficiente com a sua equipe, na raia e na cocheira. O treinador bem sucedido tem de acalentar, no dia a dia, a intimidade com as chamadas dos páreos, as tabelas de distância. O gaúcho, Júlio César Sampaio, responsável por Tanto Riso, é assim. Não desgruda da tabela. E por isso, toda temporada, ele está entre os maiores ganhadores dos páreos. Este exercício para procurar os páreos certos, para cada um dos seus pensionistas, lhe permite traçar bons rumos, ou talvez seja melhor dizer, trajetórias, para cada um.
Os trabalhos, aprontos e partidas são importantes. Os bons cavalariços e redeadores, também. O zelo com a serragem para fazer boas camas e com a ração diária, idem. Ter um bom jóquei para o seu craque também. Mas, tudo isso, precisa ser agregado a fazer boas inscrições, traçar a campanha mais adequada, de acordo com a individualidade de cada puro–sangue. Eles não são todos iguais. Uns se empregam mais nos treinos, outros nem tanto. Alguns cavalos não sentem correr seguidamente. Em outros, esta assiduidade nos programas pode ser fatal em termos de performance. Incansável no dia a dia, Júlio César Sampaio acolheu com absoluta confiança a missão de prepara Tanto Riso dentro da estratégia traçada pelo staff. Se tudo vai dar certo ou não só teremos a resposta definitiva, no Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, em abril.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Luís Esteves trouxe Adaga do Rei, defensora do Haras do Morro, em estado atlético magnífico. Fez galope de apresentação espetacular e acionada por Vagner Borges, logo a pós a partida, não deu a menor confiança aos adversários. A filha de Trinniberg e Ke Segredo, por Punk, criada no Haras Ponta Porã, parece ter readquirido a sua boa forma do início de campanha em Cidade Jardim.
JOQUEADA DA SEMANA
Valdinei Gil sofreu queda grave num páreo de potros, anterior a disputa da Prova Especial Waldmeister. Um grande susto! Mas, para quem monta embalado pela técnica, muito mais do que pelo preparo físico, o gaúcho esteve soberbo no dorso de Tanto Riso, do Stud São Francisco da Serra. Frio, calculista e preciso, o “Dragão” volta a nossa coluna por sua atuação principesca no páreo de melhor qualidade técnica da semana. Para ele, montar é algo tão simples como chupar um picolé.
PERSONAGEM
Bruno Queiroz ainda é aprendiz. Isto é um fato. Recebeu punição justa da Comissão de Corridas, a luz do Código Nacional de Corridas. Outro fato. A jovem revelação da Escola de Aprendizes da Gávea cometeu negligência. Isto também é verdade. Entretanto, a discussão entre aqueles turfistas que o defendem e aqueles que o atacam me parece algo parecido como discutir futebol ou religião. Algo interminável. E o motivo é muito simples. Todos estão certos. Tanto aqueles que rasgaram as suas pules devido ao erro do aprendiz. E por isso ficaram indignados. Quanto, os seus defensores, que também possuem argumentos nobres. Eles defendem ser mais tolerante com um menino talentoso e promissor. Levar em conta a imaturidade de alguém que alcançou o sucesso muito rápido. Dar outra chance a ele por que trata–se de uma promessa de ídolo. E o turfe está carente deles. Todos têm boas razões.
Na verdade, eu defendo uma tese diferente, talvez até meio maluca. Mas garanto que não é. Nos meus primeiros passos de turfista, o aprendiz passava a jóquei com 50 vitórias. E, isso acontecia de forma rápida devido a descarga. Alguns anos depois, ao perceber que alguns meninos ainda não estavam preparados para encarar as feras logo de cara, passou–se esta meta para 70 vitórias. Hoje em dia, o jovem Bruno Queiroz, já soma 252 vitórias em sua curta trajetória, e pasmem, ele ainda é aprendiz. Bruno ganhou 100 páreos em seis meses, na primeira temporada, e agora lidera a estatística, com 152. Ora, existem muitos jóqueis do passado, que encerraram a carreira com menos triunfos do que isso. Vocês vão me perguntar. O que você está querendo dizer?
Elementar, caros amigos. Nem oito e nem oitenta. Parece ser verdade que ficar mais tempo na escola amadurece o aprendiz de jóquei. Por outro lado, ele fica sete meses com descarga de três quilos, e, depois mais outros tantos meses com dois quilos. O aprendiz se acostuma com esta descarga, o seu mais forte aliado, nos confrontos diretos, cabeça a cabeça, com os jóqueis consagrados. Quando o aprendiz fica com apenas um quilo, na hora decisiva dos páreos, ele, instintivamente, espera pelo socorro do antigo aliado, o peso pluma, mas ele não aparece para lhe ajudar. Existe um tempo necessário para se adaptar à nova realidade. Bruno ainda não teve tempo para esta adaptação.
Daqui a pouco, Bruno Queiroz perder este último quilinho. Aí sim, o bicho vai pegar de vez. Será preciso encarar a barra pesada por conta própria, sem a ajuda da descarga. Simples assim. Bruno Queiroz cometeu o erro por que aquela descarga, companheira de todas as horas, que o acompanhou por tanto tempo, não estava mais ali. Ou alguém tem dúvida que se ele estivesse com os três quilos a menos, não levaria a melhor na prova em que foi suspenso. Claro que sim! Este assunto nem viria a tona nas redes sociais. Ninguém estaria falando que ele foi negligente. E sim: “Que jovem calmo e de futuro brilhante. Já está pronto para ser um grande jóquei”. Esta semana, apesar da frustração de estar suspenso, e da interminável discussão sobre o ocorrido, Bruno ganhou vários páreos. Vida que segue. A vida é assim.