ENSAIO PROMISSOR PARA AS TRÍPLICES–COROAS
Os turfistas abnegados, que encontraram forças para enfrentar o calor impiedoso do verão carioca, e saíram do ar condicionado para ir ao Hipódromo da Gávea e presenciar as duas provas preparatórias para a tríplice–coroa, o Grande Prêmio José Buarque de Macedo e o Grande Prêmio Roger Guedon, não se arrependeram. Nos dois casos, os páreos que serviram de ensaio para o espetáculo maior, ou seja, a disputa dos GPs Estado do Rio de Janeiro e Henrique Possolo, no dia 17 de fevereiro, permitiram tirar algumas conclusões bem significativas.
Na preparatória dos potros ficou evidente que Garbo Talks, defensor da farda do Haras do Morro, será um osso duríssimo de roer na primeira etapa da corrida pela coroa. Apresentado em estado atlético excepcional pelo líder da estatística, Luís Esteves, o filho de Put It Back, demonstrou mais uma vez possuir impressionante ritmo inicial e bastante fôlego para aparar possíveis avanços nos metros finais. É um milheiro de excelência. A sua velocidade deve ter desanimado de forma expressiva, os responsáveis por futuros concorrentes ligeiros, a inscrevê–los na primeira prova.
Como fazer para acompanhar os seus parciais violentos e ainda ter forças para acelerar e superá–lo no final? Talvez, isso possa acontecer em fevereiro. Porém, desde já, o mais cotado para tentar repetir a façanha de derrotá–lo parece ser Leviatan, do Stud Eternamente Rio, o seu companheiro de cocheira, e líder da geração. Um potro versátil, de classe e capaz de acompanhar com facilidade os mais voluntariosos e anda possuir arremate instigante nos instantes decisivos. Vamos aguardar e conferir este provável duelo, que pode proporcionar grande emoção para os amantes das corridas.
No páreo das fêmeas ficou evidente, ao contrário dos potros, a total indefinição com relação as líderes da turma. O triunfo da bela potranca Olympic Imola, do Haras Regina, em fase de franca evolução, confirmou a autêntica roda viva de vitórias de competidoras diferentes, a cada confronto entre as melhores da geração feminina. A filha de Drosselmeyer foi apresentada em forma exuberante por Roberto Solanês, representado no programa por P.S. de Deus. E recebeu direção magistral do experiente Waldomiro Blandi, jóquei que nunca treme nos páreos importantes. As ausências de alguns outros nomes significativos, por opção dos seus responsáveis de ir direto para o GP Henrique Possolo, devido à proximidade das provas, deixa o páreo do próximo mês ainda mais em aberto. Mais uma vez, a tônica será o equilíbrio, com as prováveis inscrições de Gaivina, Ray Grass, Little Bad Girl e Grandeza, entre outras.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Adélcio Menegolo proporcionou ao turfista carioca autêntico desfile de puros–sangues bonitos e bem preparados na reunião de sábado à tarde. Difícil escolher, depois do galope de apresentação, quem estava mais lindo e em forma atlética mais perfeita. Adorei Fossato, do Haras Sweet Carol. Decidir ficar com ele. Mas, a eleição foi apertada. Farroupilha Boy, o seu companheiro de farda, que formou a dobrada, também estava uma pintura. Porém, perdeu. E na vida a história pertence aos vencedores. Logo depois veio Falconi, outra inscrição vitoriosa do Haras Sweet Carol. Lindo de morrer. E, para encerrar a programação, o mais velho On Control, do Stud Parente Sobral. Numa prova para animais de cinco, seis e sete anos, o pensionista de Adélcio Menegolo parecia um potro. E, claro, também venceu. Grande treinador. Profissional de alto gabarito. Merece todos os elogios.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Olympic Imola, do Haras Regina, no Grande Prêmio Roger Guedon, Waldomiro Blandi foi protagonista de autêntica obra prima, na arte de conduzir um puro–sangue de corrida. Experiente, lúcido, frio e calculista, o “Manivela” estava inspiradíssimo no dorso da defensora da farda rubro–negra. Fez percurso limpo, como se fosse uma camisa de linho branca, pendurada no varal, depois de ser cuidada por lavadeira de gabarito, para o patrão vestir num baile de formatura. Blandi teve aquela intuição que só os jóqueis maduros possuem.
O ritmo da corrida estava forte. E, o páreo afinal, não possuía especialidades. Blandi então, decidiu especular. E o fez como se fosse um enxadrista. Traçou sua estratégia, tal e qual o americano Bobby Fisher quando enlouqueceu os maiores mestres russos dos tabuleiros com os seus movimentos criativos. E os caminhos foram se abrindo a sua frente. No meio da reta, ele incorporou Moisés, quando dividiu as aguas para os cristãos passarem. E Manivela, num milagroso momento de inspiração, também passou. Passou com sua conduzida movido por um daqueles momentos mágicos que o turfe proporciona.
UM OLHAR MÁGICO SOBRE ACEDENIR GULART
O triunfo espetacular de Olhar Mágico, do Haras Cariri PE/ Stud São José dos Bastiões, no Grande Prêmio Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, me fez lembrar o caso de craque lendária Tirolesa, de origem argentina. Montada pelo consagrado jóquei chileno, Francisco Irigoyen, ela jamais conseguiu ter o mesmo nível de atuação que demonstrava com Domingos Ferreira, o “Minguinho”, em seu dorso. Irigoyen chegou a brincar de certa feita que a craque era igual mulher de malandro. Gostava de apanhar. Não que Domingos Ferreira fosse um jóquei ruim. Longe disso. Mas era piloto de muito rigor, enquanto Irigoyen primava pela técnica e o estilo refinado de montar.
Olhar Mágico teve em seu dorso o bravo Acedenir Gulart. E como os dois se deram bem. Posso dizer que um nasceu para o outro. E talvez, se o pensionista de Walter Santos Lopes, tivesse sido conduzido por um piloto de maior técnica, mas sem tanto rigor e raça para nunca desistir do páreo, talvez o triunfo não lhe tivesse sorrido. O filho de Pioneering ficou afastado, no último lugar. Mas o ritmo era bem intenso e A. Gulart nunca desistir da prova. Na reta, o gaúcho de Carazinho arrancou o seu conduzido por fora e bem ao seu estilo, com muita força, obteve belo triunfo.
