O recordista mundial de vitórias do turfe, em todos os tempos, Jorge Antônio Ricardo, 57 anos, carioca do Leblon, e torcedor do Botafogo, já definiu a estratégia para o encerramento de sua gloriosa carreira. Ricardinho só não responde quando este fato irá se concretizar. Segundo o campeão, nem ele mesmo sabe ainda. Porém admite que pretende inverter a tática utilizada, no início de 2.018, quando superou a marca mundial do canadense Russel Baze. Naquela oportunidade, ele igualou o recorde mundial no prado carioca. E, no dia seguinte, viajou para Buenos Aires, e bateu a marca em solo argentino, em agradecimento a excepcional acolhida dos turfistas portenhos desde 2.016, quando se transferiu para lá. Agora, promete fazer o oposto. Em primeiro lugar, irá se despedir dos “burreros”, como são conhecidos os aficionados argentinos. E, depois volta ao Brasil para se despedir definitivamente das pistas na Gávea, segundo ele, o maior palco de suas inesquecíveis vitórias.
“Não sei quando este dia vai acontecer. Mas posso garantir que ele está cada vez mais próximo. Estou em boa forma atlética, sem problemas físicos e tenho montado menos páreos propositalmente. Não preciso provar mais nada a ninguém. Já ganhei tudo o que foi possível ganhar. E, consegui coroar a minha carreira com o meu objetivo maior alcançado, que todos sabem, era encerrar a minha trajetória como o jóquei mais vitorioso da história. Não foi nada fácil. Tive que superar enormes dificuldades, quedas, doenças e a rotina de ter vida regrada, disciplinada e compatível com as metas e desafios que eu tinha pela frente. Agora está chegando a hora de sair de cena”, fala resignado.
Ricardinho falou também da importância de ter vindo ao Brasil neste final de ano. Segundo ele. ”Foi bom demais”. Ele explica que pode rever pessoas importantes na sua caminhada, relembrar de momentos inesquecíveis nas conversas com os velhos amigos e curtir a presença dos seus filhos. Ricardo fez questão de ressaltar o reencontro com o Juvenal, segundo ele, um colega de profissão espetacular. “Juvenal sempre foi um sujeito formidável. Ótimo colega e um jóquei extraordinário. Ele me deu muito trabalho. Mas foi maravilhoso montar lado a lado com rival de nível tão alto. Juntos conseguimos escrever belas páginas da história do turfe brasileiro. E levantar estas tribunas naqueles dias de hipódromo superlotado com os nossos fãs eufóricos nas arquibancadas. Tenho muita saudade destes tempos que não voltarão mais. Vivi momentos especiais neste início de 2.019”, contou emocionado.
por Paulo Gama