As estrelas do esporte têm brilho próprio. E este brilho é capaz de transformar o ambiente. De iluminar as circunstâncias menos favoráveis. O carisma do mito não se explica. Ele transcende o tempo. Ele cativa as multidões. Juvenal Machado da Silva, um dos melhores jóqueis brasileiros de todos os tempos, e para muitos o melhor de todos, fez visita para lá de inesperada ao Hipódromo da Gávea. O alagoano, recordista de vitórias no Grande Prêmio Brasil, com Aporé, Gourmet, Grimaldi, Bowling e Flying Finn, aproveitou as fortes chuvas que castigavam a sua terra, Delmiro Gouvêa, onde divide o tempo entre as cabeças de gado e as plantações de hortaliças, para visitar os filhos, que moram no Rio de Janeiro, e os amigos dos bons tempos, na Gávea.
Na última reunião de 2.018, a presença dele no Hipódromo da Gávea encheu de alegria a legião de fãs que ainda o idolatram. Foi uma tarde de intermináveis abraços com os seus contemporâneos, como os treinadores Leo Cury, Jonas Guerra, e jóqueis, como Carlos Lavor, e ex–jóqueis como Reginaldo Freire. Juvenal foi tietado, deu autógrafos e fez selfies com algumas das atuais estrelas da companhia, como Valdinei Gil, que depois de tirar foto com ele, fez questão de dizer que tinha visto na internet todas as suas vitórias no Grande Prêmio Brasil. Juvenal falou por telefone com Numy Tsitsimitse, proprietário de Flying Finn, ganhador do Grande Prêmio Brasil de 1.990, e com seu eterno rival, Jorge Ricardo, que ao saber da sua presença no prado carioca, ligou de Cabo Frio, onde está de férias, para falar com ele.
“Fala Juvenal! Se você avisa para mim que estaria aí, eu teria adiado a minha viagem por um dia. Que pena! Eu estava no Rio até de manhã. Precisamos nos ver e colocar o papo em dia”, falou. Juvenal, com lágrimas nos olhos, respondeu. “Eu acompanho você lá da minha terra Ricardinho. Torci por você quando esteve doente. Poxa vida, você voltou a montar. Você não se cansa? Eu não vinha aqui no prado há nove anos. Está tudo mudado. E você, eu não vejo há quase 20 anos. Eu estou de 57 quilos. Se ainda tivesse o Mensageiro Alado, Bowling, Flying Finn, Flano e tantos outros, eu até voltava a montar. Vamos tentar nos encontrar antes de você voltar para a Argentina”, disse. Ricardinho, do outro lado da linha respondeu. “Eu te ligo no dia 2 de janeiro para a gente marcar um jantar. Você faz parte da minha história. Faz parte da minha vida, Juvenal”, e se despediu emocionado. Um desencontro imperdoável do destino.
por Paulo Gama