PERSPECTIVAS DO TURFE BRASILEIRO PARA 2.019
O turfe carioca vive os tempos da parceria entre o Jockey Club Brasileiro e a PMU, agência francesa internacional de apostas. Existem conflitos no âmbito cultural, no funcionamento dos simulcastings internacionais e na estrutura das apostas. De um lado, as preferências dos turfistas brasileiros são diferentes das motivações dos franceses. Enquanto os páreos do turfe norte–americano agradam em cheio, principalmente nos grandes hipódromos, como Aqueduct, Gulfstream e Santa Anita. Por outro lado, os trotes atrelados, charretes e outras bugigangas, nem tanto. Porém, não há como negar que esta parceria, por força da grandiosidade financeira da PMU, e da sua capacidade de investir no marketing, tem permitido ao JCB ter quatro programações semanais. Isto é um fato. Qualquer outra opção, no momento, deve e pode ser considerada um fake.
Em 2.019, a dirigentes do turfe carioca devem estar atentos, entretanto, para a necessidade de aumentar os prêmios dos páreos. Sem proprietários satisfeitos e motivados não se faz turfe de qualidade. E para aguentar os simulcastings com os pesos pesados do turfe internacional, o nosso precisa pelo menos ser decente, ou talvez seja melhor dizer, satisfatório, no aspecto técnico e organizacional. A relação dos prêmios pagos aos proprietários versus o preço do trato para manter os puros–sangues está cada vez mais desigual. No próximo ano, a partir da semana que vem, as reuniões deverão ser sempre de apenas nove páreos, com exceção para os dias de grandes eventos turfísticos como o Grande Prêmio Brasil, ou o Derby. Nos Estados Unidos e na Europa a coisa funciona assim. E tendo a PMU como sócia, o turfista deve esquecer os tempos de 12 páreos, algo parecido com Argentina e Chile. Os tempos mudaram. A cartilha agora é administrada pela PMU.
Em São Paulo, o turfe de 2.019 viverá de esperança em dias melhores. A crise financeira é aguda. E, para dar uma guinada a curto prazo só um milagre de Roque Santeiro. Lima Duarte está por lá. Quem sabe? Uma única reunião semanal deve persistir no próximo ano. Qualquer mudança neste sentido já será motivo de comemoração. Prêmios baixos, poucos cavalos e muita conversa fiada. Resolver o problema de energia elétrica nas pistas é essencial. Abrir mão da reunião de segunda–feira noturna do simulcastings com à Gávea, parece insensato. Trata–se de um dinheiro que entra limpo, sem desconto, na programação de maior movimento do hipódromo em melhor situação do país. Este simulcastings existir é fundamental para ambos.
O Jockey Club do Paraná tem a boa perspectiva projeto do Plaza Shopping, para 2.019. A ideia é inteligente e a execução, se for confirmada, poderá dar uma bela guinada no turfe paranaense. O estado do Paraná possui turfistas apaixonados, criadores de indiscutível resultado e perspectivas de bons investimentos e negócios. Se a reunião, na maioria das vezes, de 15 em 15 dias, virá semanal no próximo ano, já será um salto de progresso e de esperança. No Hipódromo do Cristal, as coisas precisam melhorar. Uma corrida por semana parece pouco para o tamanho da paixão dos gaúchos pelas corridas. Paixão e arrojo que foram capazes de trazes os melhores jóqueis brasileiros do mundo para um torneio internacional, na primeira gestão de José Vecchio Filho. A mesma paixão que realizou o desafio entre Jorge Ricardo e Russel Baze, quando os outros clubes coirmãos, como Rio e São Paulo, na ocasião em melhores condições financeiras, não tiveram coragem de fazê–lo. Este turfe gaúcho precisa voltar. Para o bem do todo o turfe brasileiro.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Noé Roberto Santos, o N.R. Santos dos programas oficiais, chegou do turfe paulista de mansinho, como quem não quer nada. E nesta temporada, apesar de ainda não ter um plantel de puros–sangues de alto nível técnico, aos poucos tem mostrado competência e vem conquistado o seu espaço. O popular “Boza”, como é carinhosamente chamado no âmbito turfista, é simples, discreto, porém muito trabalhador. Esta semana apresentou Pat O ‘Brian, de Maurício Mota Peres, conduzido por Valdinei Gil, em forma atlética exuberante, e na mesma reunião, Ultrajante, do Stud Xeque–Mate, e montado por Anderson Paiva, da mesma maneira eficiente.
JOQUEADA DA SEMANA
Foram apenas duas reuniões, mas não foi difícil destacar a direção de Leandro Henrique, no dorso de Vinhaço, do Stud Versiani, em sua vitória no último sábado à tarde. Apresentado em estado atlético irrepreensível por Fabrício Borges, Vinhaço alcançou Deixaquevá nos metros finais devido ao desempenho espetacular de seu piloto. Leandro largou bem com o seu pilotado, junto à cerca interna. Como o ritmo da prova saiu intenso, ele apenas se preocupou em não ser prejudicado e sobrar. Acomodou Vinhaço no bloco intermediário e se aproximou aos poucos. Fez entrada de reta perfeita, arrancou por fora e fez partida curta e decisiva nos 300 metros finais. Daí em diante foi aquele show de rigor e força para obter belo triunfo.
PERSONAGEM DA SEMANA
Fabrício Borges é um treinador de gabarito, com experiência internacional e focado na sua profissão. Esta semana brilhou intensamente na reunião de sábado com três vitórias na mesma programação. Highlighted e Famosa Carmem, ambas do Haras Santa Rita da Serra, e Vinhaço, do Stud Versiani, não deixaram dúvidas no galope de apresentação de que brigariam pelo primeiro lugar. E nas corridas confirmaram a impressão deixada no cânter e obtiveram belos triunfos. Parabéns ao profissional pelo desempenho dos seus pensionistas e também pelo acerto nas inscrições.
MGA DE DOMINGO FOI O MAIOR
A reunião de sábado à tarde no Hipódromo da Gávea, mais uma vez, teve Movimento Geral de Apostas inexpressivo, com R$ 684.909,02. Sem corridas noturnas devido as festas natalinas, o apostador tentou a forra de final de ano na corrida de domingo, que surpreendeu com MGA de R$ 805.501,91, bem satisfatório de for levado em conta aas circunstâncias nada favoráveis. Como aconteceu no ano anterior, o turfista carioca viverá o drama de ter apenas um dia de corridas. Será a oportunidade de experimentar a mesma agonia que enfrentam os turfistas dos clubes hípicos coirmãos, com apenas um a reunião semanal no Cristal, Cidade Jardim e Tarumã.
Feliz Ano Novo para todos os turfistas!
