Em escala progressiva desde o final dos anos 1980, o aspecto comercial praticamente tomou conta da criação nacional, assim como fez, com raríssimas exceções, em todo o mundo do turfe. Hoje, no Brasil como no exterior, o percentual de criadores que ofertam anualmente toda a sua produção ao mercado é esmagador. Pode–se afirmar que mais de 95% dos haras brasileiros querem vender seus potros, e, aqui como acolá, os que não os vendem ainda “yearlings” invariavelmente os colocarão no mercado depois.
Além dos criadores tradicionais, nos últimos anos nota–se também em nosso país um interessante movimento que são investidores que compram potros desmamados ou com 12/15 meses, para revende–los depois. Este tipo de “player”, ainda engatinhando por aqui, segue os passos dos que já de há muito atuam nos USA. São os “pinhookers”, intermediários que oxigenam e ajudam enormemente o mercado, e são de extrema importância para aumentar a liquidez e o faturamento dos criadores. Quando têm um bom “olho” – para físico, pedigree e mercado futuro – alcançam ótimos rendimentos. Mesmo entre nós, e ainda que de forma incipiente, há diversos exemplos de excelentes transações feitas neste segmento. E excelentes para todos os envolvidos!
Não podemos fingir inocência: cavalo de corrida é um negócio e um negócio precisa ser conduzido da melhor maneira possível. Assim, observa–se que tanto para criadores como para investidores, todos regularmente “vendedores”, é preciso que se leve em conta (além é claro do animal como indivíduo e de seu pedigree) o seu valor comercial.
É justamente neste aspecto que convém focar, no momento em que encerra–se a temporada de leilões de 2018, e que a TBS oferece um evento recheado de ótimas opções no que tange à valor de mercado.
Ressaltando o fato de que 70% do leilão do dia 12 (quarta–feira) é formado por liquidações e ofertas totais, ou seja, sem reservas, que é um ponto que sempre traz fundamentalmente transparência e tranquilidade aos interessados, o leilão tem lotes que tendem a ter enorme valorização já em 2019, e daí por diante.
Há produtos nascidos em 2017 por Tiger Heart, Kodiak Kowboy e Molengão. São lotes que podem ser ‘terminados’ ao longo dos próximos meses e revendidos já a partir de Abril de 2019, com provável excelente valorização. Tiger Heart é um dos garanhões mais estáveis e de melhor mercado no País; Kodiak Kowboy conquistou amplo sucesso já em sua 1ª geração nacional, com G1 aqui e no Uruguai, ganhadores de pencas, líderes de geração e uma craque milheira como Wild Vip já alojada Maroñas; e Molengão sempre tem boa procura (e, neste momento, inclusive “pinta” mais um ótimo prospecto dele no Cristal).
Quanto aos produtos de 2018, o quadro de ótimos investimentos amplia–se: filhos de velozes como Tiger Heart (4 lotes), Put it Back, Desejado Thunder e Wenzel Blade, e de cavalos com produção clássica como Que Fenômeno (em mãe tripla produtora de G1), Gloria de Campeão (uma irmã própria de Asddrubal), e Out of Control (em mãe irmã dos campeões uruguaios Bobby e Gandhi di Job) são os lotes à venda. Todos, sem exceção, com um elevado potencial comercial, e com pedigrees que os capacitam a se tornarem excelentes revendas e atrativos incrementos para os leilões de 2020.
Também não podemos deixar de citar a cota de Salto, dando direito à 2 serviços anuais. O filho de Pivotal teve excelente geração de estréia, tanto aqui quanto no Uruguai, onde Duro de Matar liderou a geração e ainda mantem o 4º mais alto “rating” entre todos os animais corridos em Maroñas (incluindo os de mais idade). Muito bem valorizado nos leilões, Salto configura–se como mais uma inversão de ótima perspectiva para qualquer criador.
Finalmente, é nas matrizes que a oferta do dia 13 mais se destaca. São diversas éguas prenhes de cavalos altamente comerciais, tais como Hat Trick (já consagrado internacionalmente, aqui vai na esteira dos seus colossais irmãos Silent Name e Agnes Gold, aos quais diga–se de passagem não deve nada), Wired Bryan (sua 1ª geração estréia em poucas semanas e os comentários são no mínimo excelentes), Courtier (cavalo de enorme talento genético e muito bem prestigiado em qualidade e quantidade, devendo “estourar” de cara), além dos “uruguaios” Midas Touch (o mais qualificado Galileo do continente) e Majesticperfection (G1 na 1ª geração nos USA).
Há ainda ofertas de reprodutores novos, porem com totais possibilidades, casos de Fixador (último Tríplice Coroado Paulista e G1 nos USA), Wenzel Blade (no qual se depositam grandes e justificas esperanças), Xingu Thunder (um dos melhores ‘flyers’ de sua geração, e irmão de Desejado Thunder, que aliás será integralmente vendido no leilão), Goldikovic (de pedigree estelar, serviu 98 éguas em sua 1ª geração em Bagé, logo...), e Alcorano (este já com produção clássica de elite no Uruguai).
E não vamos chover no molhado falando dos já aprovados e de ótimo mercado Tiger Heart (a maior oferta da noite), Salto e Adriano...
Enfim, serão apresentadas éguas de finos pedigrees, inclusive a única ganhadora do GP Brasil viva (algo no mínimo histórico), várias éguas clássicas por campanha e/ou produção, nada menos do que as mães de 5 ganhadores de provas de Grupo 1, pedigrees comerciais, oriundos de haras que são conhecidos por seus bons resultados (Mignon, Centro Serra e Tabatinga já criaram Grupo 1 e vão liquidar), e com coberturas comerciais. Isso tudo se traduz em ótimas chances para quem quer reforçar seu plantel ou fazer um probabilíssimo excelente investimento já para 2019 e os anos vindouros, pois são diversos lotes que deverão ser altamente sedutores para os compradores nos futuros leilões.
Acredito que estejamos encerrando o ano de 2018 – que, aliás, foi do início ao fim positivo para o nosso mercado – com uma oferta de excelente padrão e que, voltando a frisar o tema principal, oferecerá aos criadores e aos investidores diversas possibilidades de bons negócios.
Mário S.S. Márquez
TBS