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Setembro | 2018

Quarteto de Cordas, de malas prontas, para o Expresso do Oriente
20/09/2018 - 10h37min

Gerson Martins

Quarteto de Cordas vencendo o GP Brasil.

Quarteto de Cordas, craque do Haras do Morro, ganhador do Grande Prêmio Brasil de 2.018, está praticamente negociado com o turfe do oriente. Para ser mais preciso, depois de representar o Brasil, em novembro, na Breeder’s Cup, o filho de Rock of Gibraltar, vai passar por quarentena de dois meses, num país a ser escolhido por seus futuros proprietários, e partir para novos desafios, em Cingapura. Diogo Campos de Araújo, filho do turfman Sinval Domingues de Araújo, conversou com o Raia Leve, e falou do carinho e do apreço pelo craque, que proporcionou a família a maior emoção já sentida em tantos anos de amor, dedicação e investimento nos puros–sangues de corrida.

“Quarteto de Cordas representa um capítulo para lá de especial em nossas vidas. Ele foi um cavalo rejeitado, aqui e ali, em vários momentos, devido a ter uma cabeça feia, tipo encarneirada, que sempre causou desconfiança naqueles que poderiam ter investido nele. Mas, por um motivo ou outro, o descartaram de suas trajetórias turfísticas. Austin Healey era o seu nome, em 2.016, quando participou do leilão da Criação Nacional, e não atingiu o preço base da reserva. Adquirido, posteriormente, pelo Stud Sol de Marte, no Leilão realizado no Hipódromo da Gávea, mudou de nome e escreveu a sua história no turfe nacional”, conta.

Diogo lembra que Quarteto de Cordas era o nº 47 no Leilão do Beverly Hills Stud. O Haras do Morro decidiu recriá–lo. O preço baixo estipulado, apesar de ter bons aprumos, bom porte e de ser bastante saudável, lhe deixaram desconfiado. “Ele deve ter algum problema”, pensou na época. Notou em seguida que as pessoas se mostravam retraídas e pouco animadas sempre que olhavam para a cabeça no animal. Porém, quando o titular do Stud Sol de Marte decidiu se desfazer dele, não pensou duas vezes e fez o negócio mais rápido de sua vida.

“Eu tinha simpatia especial por ele. Depois dos primeiros bons resultados na esfera clássica apareceu um proprietário russo com interesse de adquirir Quarteto de Cordas. A condição para que o negócio fosse fechado seria não o inscrever na 2ª prova da Tríplice–coroa. Ficou combinado que se o pagamento da quantia fosse feito até data estabelecida, eu ficaria com o prejuízo do added. Porém, se o dinheiro não caísse na minha conta, Quarteto de Cordas correria normalmente”, explica.

O russo tentou fazer o depósito, fato confirmado pelo gerente do banco de Diogo Araújo, posteriormente. Acontece que ele estava na Irlanda, num daqueles dias de forte nevasca, e por isso o sujeito teve dificuldade para concretizar o tal depósito, feito por celular. Quarteto de Cordas correu abaixo do esperado, o russo ficou uma fera e desistiu da aquisição do cavalo. Diogo continuou a insistir com Quarteto de Cordas em percursos de fundo, embora a sua melhor corrida até então tivesse sido numa milha, em que chegou em segundo lugar para o invicto Flight Time.

“Tínhamos estudado o pedigree do Quarteto de Cordas e encontramos uma 3ª e uma 4ª mãe com bons resultados na distância maior. Havia o caso do Quari Bravo, um Punk que foi bem demais nos percursos de fundo. As pessoas, por outro lado, lembravam que a sua mãe, New Hampshire tinha sido recordista de 1.000 metros. O treinador, Luís Esteves, acreditava demais no animal. Confiança absurda. Repetiu durante todo o mês anterior ao Grande Prêmio Brasil que Quarteto de Cordas seria o vencedor. Ele justificava o otimismo pela mudança no treinamento e na maneira de correr o cavalo. Atrás, porém sem ficar muito longe, no meio do pelotão. O resultado final mostrou que ele estava certo. E o sonho do meu pai de ganhar o Grande Prêmio Brasil se realizou”, exulta. 

por Paulo Gama


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