L. ESTEVES, UM CEARENSE DE CASCAVEL, QUE FAZ HISTÓRIA NA GÁVEA
No município de Cascavel, a cerca de 65 quilômetros de Fortaleza, nasceu Luís Esteves, um cearense corajoso, destemido e que veio para o Rio de Janeiro em busca do sucesso. Tentou a profissão de jóquei, mas foi apenas regular. Porém, na carreira de treinador, ele vem se mostrado brilhante e talentoso. Por isso, nos últimos tempos, tem feito história no turfe carioca. Aos 56 anos, Esteves teve o privilégio de comemorar nesta temporada o bicampeonato do Grande Prêmio Brasil, através de Quarteto de Cordas, depois de ter levantado a prova pela primeira vez, no ano passado, com Voador Magee. Irreverente, franco e direto, ele explica os segredos de um resultado tão expressivo.
“A gente aprende muito na observação dos cavalos, no dia a dia da profissão. As respostas são dadas por eles, no seu comportamento na raia e na cocheira. Não existe fórmula mágica. Cada puro–sangue tem a sua individualidade. E nem sempre os treinos que servem para uns são adequados para outros. A gente tem que entender o que eles querem e dar a cada um o ritmo desejado por ele. Aprendi isso, nos meus tempos de jóquei, quando trabalhei e montei para o saudoso João Luiz Maciel. Ele era um fenômeno. Um gênio! E como eu não sou burro, e sabia que um dia poderia exercer esta profissão, tratei de olhar com atenção tudo o que ele fazia”, admite.
Luís Esteves reconhece também, que o seu resultado na profissão de jóquei nem de longe se compara ao que tem obtido como treinador. Porém, recorda com saudade dos tempos em que montou para os Haras São José e Expedictus, e destaca Ozanan, como o melhor corredor que teve o privilégio de conduzir. “Este corria demais. Saía dos boxes furioso e apesar da velocidade espantosa quebrava muito pouco nos metros finais. A oportunidade de montar para esta farda foi algo inesquecível na minha vida. Tenho um carinho especial pelo Doutor Linneo de Paula Machado, a quem considero um dos meus maiores incentivadores para abraçar a profissão de treinador. O outro está comigo há muito tempo. É o Luís Felipe Brandão, do Stud Eternamente Rio”, afirma.
Luís Esteves abre um capítulo à parte para a sua mulher, a veterinária Adriana Lioi, que segundo ele, é uma companheira compreensiva, inteligente e acima de tudo, profunda conhecedora dos puros–sangues. “Estamos juntos há 20 anos, e boa parte de tudo que venho conquistando posso garantir ter a participação dela. Sou pessoa de temperamento difícil e forte. Um cara xucro. Ela me ajuda muito neste aspecto”, reconhece emocionado, e com os olhos marejados.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Júlio César Sampaio deu as cartas esta semana. Um show na apresentação dos seus pensionistas. E também a demonstração de intimidade com a tabela de chamadas dos páreos. Inscrições inteligentes e nas provas adequadas. Entre tantos puros–sangues bem apresentados destaco Regal Dionysus, do Haras Princesa do Sul. Fez galope de apresentação vistoso e imponente. Com direção inspirada de ngelo Márcio Souza obteve bela vitória sobre os adversários.
JOQUEADA DA SEMANA
A escolha não foi nada fácil. Mas, o experiente Carlos Geovani Lavor está voando. Forma atlética invejável e cálculo de corrida espetacular. No dorso da potranca Kassie’s Angel, do Stud Eternamente Rio, e preparo de Luís Esteves, ele baixou a biblioteca. Correu de alcance, nas últimas posições, fez o percurso todo por dentro, junto à cerca interna, e continuou por ali até os 400 metros finais. Arrancou por fora a sua pilotada e fez uma partida curta e decisiva para alcançar as rivais em cima do laço. Espetacular! Vale a pena ver também o desempenho de Leandro Henrique, em Enólogo, Valdinei Gil, em Super Kowboy, e Wesley Silva Cardoso, no dorso de Saga Olímpica. Todas elas, direções bastante inspiradas.
ESPECIALISTAS
Dizer que os puros–sangues são atletas é o óbvio ululante. Entretanto, em determinadas ocasiões, eles comprovam este fato de forma cabal e indiscutível. Em dois momentos, desta semana, dois especialistas comprovaram as suas condições inequívocas para percursos diferentes. Foi o caso de Enólogo, do Stud Sweet Dani, na Prova Especial Quiproquó. Na oportunidade esbanjou fôlego de maratonista, e deu–se ao luxo de dar peso aos rivais, como se fosse um queniano ou um etíope, nas maratonas de rua mundo afora. E, Ghoul, do Stud Verde, de volta ao tiro curto, depois de tentar uma aventura na milha. Parecia estar num desenho animado da TV. Feliz e saltitante, como se fosse o Coelhinho Ricochete ou o Papa Léguas, a esnobar os vilões que tentavam em vão alcança–lo.