Com a interdição da pista de grama do Hipódromo da Gávea para os páreos de turma, na primeira semana de setembro, a Comissão de Corridas do JCB terá a árdua missão de tentar formar quatro reuniões semanais. No projeto de inscrições da próxima semana constam chamadas para os dias 1, 2, 3 e 4 de setembro. Porém, com apenas o Grande Prêmio Duque de Caxias, o Grande Prêmio Sandpit e a Prova Especial Joiosa, marcados para a raia de grama, e todos os demais páreos na areia, a dificuldade será imensa. Sobram cavalos de grama e faltam os de areia.
Ninguém pode discutir a necessidade de tentar recuperar as condições da pista de grama. Qualquer mínima precipitação de chuva tem sido suficiente para causar danos na raia, sobretudo na grande curva, trecho em que os cavalos trocam de mão e aceleram para entrar na reta final. Os jóqueis têm reclamado bastante dos riscos que enfrentam ali. Porém, as temperaturas baixas no inverno e o sereno durante as noites não tem ajudado na manutenção do terreno.
A dificuldade para formar quatro programações semanais só na areia está no fato de a maioria dos puros–sangues competidores ter preferência pela pista de grama no país. A população de equinos com esta predileção é oriunda da própria essência e a tradição da criação nacional, toda voltada para produzir cavalos de boa qualidade na grama. E com isso, poder concorrer com chance as provas nobres. O calendário nacional de páreos clássicos na pista de areia sempre foi bem fraco tecnicamente.
Além do aspecto técnico, também deve ser levado em conta o fator conômico. Os melhores prêmios são direcionados aos páreos de grama. Por isso, com a relação defasada da equação, trato mensal dos cavalos x valor das dotações, os proprietários preferem investir nos puros–sangues com filiação de grama. Os páreos de claimings e de mais idade, a maioria chamados para a pista de areia, tem dotações insignificantes e causam evidente prejuízo.
Com as últimas duas mudanças anuais de idade dos equinos e a herança maldita dos handicaps chilenos, em que os cavalos mais velhos foram negociados para outros estados, o interesse em ter animais acima dos cinco anos passou a ser quase inexistente. O trato segue tendo alto valor e os prêmios são continuam muito baixos. Então, para manter a paixão em ter os cavalos de corrida, vale mais a pena possuir os corredores mais novos na defesa da farda. Com isso, os proprietários podem concorrer a dotações mais atrativas e sonhar em ganhar clássicos, sem amargar um rombo financeiro mensal tão elevado. Por isso, a dificuldade de formar páreos só de areia. Sem milho não se faz pipoca. É simples assim...
por Paulo Gama