A HORA E A VEZ DOS COADJUVANTES DE LUXO
Nem sempre o dia turfístico pertence as estrelas da companhia. Todos sabem quem são os astros das rédeas e também do treinamento de puros–sangues de corrida. O turfe carioca não foge a esta realidade. Porém, a exemplo do que acontece em outros esportes, existem coadjuvantes de luxo de plantão. E eles sabem aproveitar as oportunidades, quando elas sorriem a sua frente. Isto aconteceu na prova central da semana no turfe carioca, o Grande Prêmio João José e José Carlos de Figueiredo. As coisas não deram muito certo para os supostos protagonistas do espetáculo. E aí, Bold Retriever, do Stud Santa Tereza, proprietário e criador, surpreendeu os favoritos, graças a desempenhos incríveis e maravilhosos de dois profissionais de indiscutível gabarito, o treinador Edson Ricardo, e o jóquei, Marcelo Almeida.
Não posso falar com intimidade do bom treinador, Edson Ricardo. Nossa relação pessoal é de longos anos, mas de maneira formal, como a maioria de hoje em dia. A sua escola profissional foi do mais alto nível, através do convívio, desde criança, no aprendizado, com Roberto Morgado Júnior, o Bebeto, um verdadeiro gênio da arte de treinar puros–sangues de corrida. Foi criado junto com os filhos de Bebeto e a escola do mestre se faz presente de forma inquestionável em algumas características dos seus pensionistas. Em primeiro lugar, eles sempre chamam a atenção no galope de apresentação. O estado atlético dos seus cavalos é perfeito. O pelo reluzente, a vivacidade e desenvoltura. Além disso, são sempre inscritos de forma criteriosa, sem violentar as necessidades pessoais, de cada um. O aproveitamento dessas inscrições mantém alto índice. Edson Ricardo é discreto, educado e focado. E o seu nome no programa desperta respeito dos apostadores e também dos seus colegas profissionais.
Marcelo Almeida eu conheço de longa data. Além de ótimo jóquei possui também excelente caráter. Tive o privilégio de ser seu agente de montarias, há alguns anos, e fizemos amizade sólida, com aquela camaradagem irreverente, agradável, mas sempre respeitosa. Marcelinho é rapaz de ouro, admirado por outros jóqueis pela lisura dentro e fora das pistas. Acredito, inclusive, que ter esta fama de bom moço, e de fato ele é, esconde um pouco as suas indiscutíveis qualidades técnicas. No meio turfístico, as pessoas olham para ele como aquele sujeito simpático, correto e digno. E, num reflexo condicionado, não conseguem ver apenas o profissional espetacular, que ganhou dois Grandes Prêmios Brasil, com Lord Marcos e Velodrome. Além de inúmeras outras provas do calendário clássico nacional. Num lugar em que a maioria prefere respeitar e temer os “Bad Boys”, Marcelinho fica bastante prejudicado, apesar do ótimo peso, da posição perfeita no dorso dos amimais e do currículo expressivo.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O tordilho Vênus Berg, propriedade do Haras Santa Camila, entrou na raia para o cânter com aquele selo de qualidade impecável de Venâncio Nahid. O popular Neném caprichou bastante no preparo do filho de Jeune–Turc. Criado no inesquecível Haras São José e Expedictus confirmou a tradição e a raça dos animais da família Paula Machado. Direção precisa de Wesley Silva Cardoso que proporcionou mais belo triunfo ao representante do modelar Centro de Treinamento Vale do Itajara.
JOQUEADA DA SEMANA
Marcos Mazini é um daqueles caras que nasceram para exercer determinada profissão. No seu caso veio ao mundo para montar cavalos de corrida. Mais uma vez isto ficou provado esta semana no triunfo de Manancial, do Stud Everest, e preparo de Jaime Moniz Aragão, substituído por F. Alexandro, nos programas oficiais. Mazini mais uma vez mostrou possuir todas as armas, tais como ser bom largador, ter percurso sempre limpo, rigor em cima dos puros–sangues e tocada das mais vistosas e eficientes do turfe nacional. Apesar disso não consegue dar sequência a sua carreira.
O magnífico bridão se enrola numa teia de aranha que ele mesmo teceu através da vida. Carismático, ele é admirado por todos, que se rendem ao seu talento. Entre eles, a maioria dos turfistas. Entretanto, Mazini não consegue retribuir aos seus fãs com um resultado a altura da sua capacidade. Frustração talvez seja a melhor palavra para definir a trajetória deste grandessíssimo bridão. Mazini conquistou algumas das mais importantes provas do turfe nacional, foi duas vezes campeão da estatística carioca, mas sempre deixou em todos os seus admiradores aquele gostinho de que poderia fazer muito mais. A gente sempre torce por ele.