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Agosto | 2018

Páreo Corrido, por Paulo Gama
14/08/2018 - 10h28min

MOVIMENTO DE APOSTAS CAI DE MANEIRA PREOCUPANTE

Com muito boa vontade, a gente pode encontrar alguns fatores atenuantes para justificar a expressiva queda do Movimento Geral de Apostas, nas reuniões promovidas no Hipódromo da Gávea. No último domingo, Dia dos Pais, por exemplo, não passou de R$ 588.021,10. Os fatores atenuantes até existem. Em primeiro lugar, as chuvas e a instabilidade do tempo, que não permitiram a liberação da pista de grama para as corridas. Outro fator natural é o clima frio, nada simpático ao cidadão carioca, que em tempos de violência urbana acaba por fazer a opção de ficar trancado dentro de casa. Além disso, com a diminuição gradativa e progressiva da população de equinos, tem sido difícil organizar programações de nível técnico atraente. Quando este quadro muda, como na recente Copa dos Criadores ABCPCC, isso acontece. E aí, o turfista resolve prestigiar as corridas no Hipódromo da Gávea.

Por outro lado, não se pode negar que ficar por longas horas num lugar com vento frio, temperatura baixa e poucas opções de lazer para a família é opção só para os abnegados. Os indivíduos que colocam o turfe acima de tudo em suas vidas particulares. Eu sou um deles. Mas a gente não pode pensar só com o próprio umbigo. As pessoas comuns são movidas a estímulos para ir e vir de determinados lugares. A “Bomboniere” do “Chagas”, com os amendoins, paçocas, jujubas, pingos de leite e pães de mel foi parar na porta do banheiro da Tribuna popular. A lanchonete da Tribuna Social, na varanda perto do Padoque, tomou Doril. Mas a dor da saudade dos turfistas por ela jamais sumiu. O casal, cafezinho e a agua gelada gratuitos, dos tempos áureos, deu lugar ao modelo mais caro do casal em todo o sistema solar, no segundo andar da Social. E a falta de criatividade dos gestores do espetáculo turfístico para atrair gente nova ao prado é fato consumado.

O oásis acontece nas semanas dos grandes eventos, tais como o GP Brasil, o Derby, a Copa ABCPCC, e etc. Aí aparecem os Food Trucks, as cervejas artesanais, as opções de comes e bebes, os brinquedos para as crianças e por aí afora. O hipódromo se transforma. Crianças correm desembestadas, os casais de adolescentes desfilam de mãos dadas, os avós mostram os cavalos para os netos. Enfim, o mausoléu se transforma num lugar colorido, vibrante e com pessoas bonitas descobrindo a beleza do turfe. Por que esta atividade é tão esporádica e passageira? Na Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo, as pessoas fazem filas para consumir comida e bebida nos tais Food Trucks. Por que no hipódromo, eles só funcionam de forma passageira? 

Mais cedo ou mais tarde será preciso fazer a opção por popularizar o ambiente no hipódromo. Os mais conservadores não conseguem ver isto com bons olhos. Trocar o sossego do ambiente bucólico, arborizado, silencioso e formal do prado carioca pela gritaria da criançada, as gargalhadas nada convencionais dos jovens e o falatório interminável do populacho. Tudo isso soa como heresia para a classe A. Em tempos de crise, entretanto, talvez se faça necessário mudar alguns conceitos. Se render à realidade dos fatos. Descer do salto e procurar soluções. Um lugar tão lindo, aprazível e convidativo como o Hipódromo da Gávea não pode continuar as moscas nos quatro dias da semana em que promove os seus espetáculos. Um desfile maravilhoso de puros–sangues montado por homens pequeninos fantasiados. Uma competição em alta velocidade num cenário deslumbrante de belezas naturais. Tudo isso exibido para tribunas de arquitetura francesa vazias. Parecido com um teatro abandonado. Uma espécie relíquia arqueológica de ruínas gregas esquecidas pela inexorabilidade do tempo. Já passou da hora de encarar a realidade dos fatos.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

O treinador Ronaldo Lima deu show na Prova Especial Formastérus. Fez ponta e dupla através de Enólogo, do Stud Sweet Dani, e de Fala Camarada, do Stud Beto e Fafá. Demonstração de competência para manter os seus pensionistas em estado atlético exuberante. Sinal de maturidade na profissão, pois não é nada fácil preparar puros–sangues de corrida para percursos de fundo. Cada dia evolui mais no ofício e consegue dar voos mais altos em sua já brilhante carreira.

Nos páreos de turma destaque para F.Alexandro, segundo–gerente de Jaime Moniz Barreto Aragão, suspenso temporariamente. Casual Elegance, de Ronaldo Cramer Moraes Veiga, só faz ganhar e não escolhe pista. Desta vez, o filho de Yagli e Hanouk, de criação da Coudelaria Intimate Friends, deu um show na raia pesada, depois de vir de vitória expressiva na grama. Estadão!

JOQUEADA DA SEMANA

Leandro Henrique esteve impecável no dorso de Enólogo, do Stud Sweet Dani, na Prova Especial Formastérus. Aos 20 anos, o jovem pernambucano esbanja categoria e rigor, entre outros predicados. Chama a atenção pela incrível energia que exibe no dorso dos seus conduzidos. Com o passar do tempo vai evoluir anda mais e, possivelmente se transferir para o turfe internacional.

GEORGE WASHINGTON

Enfim, José Luís Pedrosa Júnior recebeu um puro–sangue da alta qualidade para treinar. George Washington, do Stud Happy Again, confirmou tudo o que se esperava dele depois dos excelentes exercícios produzidos nos matinais. Um vareio na raia. E a fraqueza da enturmação não deve esconder o futuro promissor nas pistas deste filho de Redattore. Emocionante a vibração do titular da coudelaria, Zé Maurício. Deu gosto de ver a sua alegria. E a paixão que ele nutre pelo esporte dos reis. O beijo carinhoso no seu potro na foto da vitória foi o momento mais empolgante da semana.




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