Realizada pela primeira vez há 22 anos, a Breeders’ Cup tornou–se alvo dos melhores corredores em atividade nos Estados Unidos, além de ter contado, através dos anos, com a participação de competidores europeus, principalmente nas provas de grama.
Marcada para o final da temporada, a milionária competição influi, decisivamente, para a premiação mais importante do turfe americano, o Eclipse Award. Nem sempre vingam os favoritos, mas o interesse dos aficionados e da mídia é incalculável.
No próximo sábado, o Hipódromo de Churchill Downs, no Kentucky, será palco de mais uma edição do grande evento. A cobertura da ESPN, a principal rede americana ligada a esportes, este ano baterá um recorde incrível e inimaginável: sua cobertura terá 7 horas, com início ao meio–dia (horário local). Serão oito provas milionárias. É o assunto da semana no mundo do turfe e vamos contar um pouco de sua história.
A criação da Breeders’ Cup e a primeira disputa, em Hollywood Park.
Anunciada em abril de 1982 pelo criador e proprietário John R.Gaines, a Breeders’ Cup tem como intuito valorizar a criação americana e premiar os melhores corredores. A Breeders’ Cup Limited foi criada na intenção não apenas de promover as provas, como também a indústria do cavalo de corrida. E, em 1984, tendo como palco o Hipódromo de Hollywood Park, foi realizado o primeiro festival, composto de sete provas: Classic, Juvenile Fillies, Sprint, Distaff, Mile, Juvenile e Turf.
Os primeiros ganhadores e a certeza do acerto no lançamento do festival.
A primeira Breeders’ Cup chegou a surpreender os organizadores e a resposta do público foi imediata. Na Classic, a mais cobiçada, em 2.000 metros e com a maior premiação (naquele ano, com bolsa de US$ 3 milhões), o vencedor foi Wild Again, dirigido por Pat Day. Outstandingly (Pat Valenzuela) venceu a Juvenile Fillies; Eilo (C.Perret), a Sprint; Princess Rooney (E.Delahoussaye), a Distaff; Royal Heroine (F.Taro), a Mile; Chief’s Crown (D.Macbeth), a Juvenile e, finalmente, o inglês Lashkari, com Yves Saint–Martin, ganhou a Turf, com rateio astronômico de U$ 108 por 2, derrotando o cavalo do ano na França, All Along. Lashkari foi a primeira inscrição do treinador francês Alain de Royer Dupré em solo americano.
A prova de grama sempre atraiu os europeus.
A Breeders’ Cup Turf, disputada na pista de grama, que, decididamente não é a praia dos americanos, é que mais reuniu corredores europeus ao longo dos anos. E muitos deles conseguiram sair vitoriosos da competição. Treinadores como Andre Fabre e, mais recentemente, o irlandês Aidan O’Brien têm participado da prova.
A taxa para os filhos de garanhões não inscritos muitas vezes foi paga e valeu a pena.
Para participar da Breeders’ Cup, corredor cujo pai não está previamente inscrito, precisa que seu dono pague uma taxa (elevada) para ter direito a competir. Um dos casos recentes em que isso não aconteceu, teve como protagonista o craque Pico Central, que deixou de participar da prova de velocidade, vencida por um cavalo a quem havia batido com facilidade. Por não ter disputado a prova, acabou perdendo o Eclipse Award para o adversário. Já um caso inverso aconteceu com Riboletta, cujo proprietário, Aaron Jones, pagou para que ela corresse. Mas a melhor égua dos Estados Unidos, no ano 2000, fracassou, chegando em oitavo lugar, na carreira dominada por Spain, no Hipódromo de Churchill Downs, onde a festa será realizada este ano.
O rodízio pelos principais hipódromos.
A cada ano, a Breeders’ Cup é disputada em um hipódromo, num rodízio importante. O palco que mais vezes recebeu o festival foi Churchill Downs, que, no próximo sábado, será sede do evento pela sexta vez. Belmont Park, em Nova York, recebeu quatro vezes a festa. Logo depois, Gulfstream Park, na Flórida, com três versões. Em 2007, pela primeira vez na história, o grande encontro dos criadores americanos acontecerá em Monmouth Park, Nova Jersey.
Grandes craques na galeria de vencedores.
Campeões como Azeri, A.P. Indy, Alysheba, Cigar, Personal Ensign, Ferdinand, Sunday Silence, e tantos outros, escreveram seus nomes na galeria de vencedores das provas da Breeders’ Cup. Da mesma forma, muitos campeões ficaram de fora ou acabaram surpreendidos por corredores menos visados.
Os profissionais que mais brilharam e os maiores destaques em 22 anos de disputas.
O jóquei que mais prêmios conquistou foi Pat Day, que participou por 21 anos consecutivos e obteve 12 vitórias, faturando US$ 23.033.360. Jerry Bailey ganhou 15 provas e US$ 22.066.440 em somas ganhas. Entre os treinadores, o campeão é D.Wayne Lukas, com 18 vitórias e US$ 19.645.520. Robert Frankel venceu quatro provas, mas figura em segundo lugar, por somas ganhas, com US$ 10.636.020. O reprodutor Storm Cat, com quatro vitórias, é o campeão do festival, com prêmios de US$ 7.136.300. Sadler’s Wells conseguiu seis vitórias e US$ 6.982.900. Entre os criadores, o destaque é Allen E.Paulson, com seis vitórias e US$ 7.854.800. Em segundo lugar aparece Adena Springs/Frank Stronach, com quatro vitórias e US$ 6.232.000. Entre os proprietários, os dois criadores ocupam as primeiras posições.
O turfe inspira a sétima arte.
Em cartaz nos cinemas, o filme Dreamer (Sonhadora), com a menina fantástica Dakota Fanning, conta uma história real, que foi baseada no drama da égua Mariah’s Storm, que seria a favorita da Breeders’ Cup Juvenille Fillies de 1993 e sofreu uma séria fratura. O proprietário queria sacrificá–la, mas a menina e seu pai ficaram com ela e a recuperaram para as corridas. Tempos depois, Mariah’s Storm venceu a Turfway Breeders’ Cup, prova do Grupo II, disputada em Turfway Park, no Kentucky. Em 1995, a égua correu a Breeders’ Cup Distaff, em Belmont Park, chegando descolocada. Claro, esta derrota não está no filme, que termina com a vitória emocionante em Turfway. Antes deste filme, Seabiscuit, Alma de Campeão, também encantou o mundo com uma história envolvendo o mundo do turfe.
Para os apaixonados pelo turfe, sábado à noite, mesmo em replay, vale a pena acompanhar festa.
A ESPN Internacional não passará a festa ao vivo para o Brasil, mas uma boa parte da transmissão será mostrada, em tape, na noite do próximo sábado, das 22 às 24 horas. Afinal, assistir Lava Man, Invasor e outros campeões vai valer muito a pena.
por Marco Aurélio Ribeiro