A CONTAGEM REGRESSIVA PARA VOOS MAIS ALTOS
O aprendiz Bruno Queiroz encerrou o ano hípico de 2.017/2.018, no turfe carioca, com 100 vitórias. A quarta colocação da estatística, atrás apenas de Vagner Borges, Leandro Henrique e Valdinei Gil, deve ser considerada excepcional. E o motivo é muito simples. Enquanto, os três consagrados jóqueis montaram de julho de 2.017 até junho de 2.018, Bruno só iniciou a sua carreira profissional, em meados de 2.018. Não é preciso ser bom em matemática para constatar que se ele mantivesse a sua média de triunfos chegaria as 200 vitórias. Ou seja, acima do próprio campeão, Vagner Borges, que encerrou a temporada com 186.
Os idiotas da objetividade, como escreveria o extraordinário, Nelson Rodrigues, imediatamente me perguntariam. “Então você aposta as suas fichas nele para ganhador da próxima estatística?”. Bem, aí trata–se de uma outra conversa. Porém, sem medo de errar, eu asseguro, que se o menino estiver atento as várias armadilhas desta difícil profissão, ele tem talento e amplas possibilidades de dar muito trabalho as atuais estrelas da companhia. As emboscadas da profissão de jóquei não aparecem apenas dentro das pistas, na competitividade comum da profissão, e nas rivalidades pessoais entre os atletas. Elas estão por toda parte. Principalmente, na escolha dos amigos e na necessidade de evitar a aproximação de indivíduos indesejáveis. E, acima de tudo, na consciência de se manter amparado no seio familiar. Só a família estará do seu lado nos momentos difíceis. Nas incertezas, nas dúvidas e nos conflitos.
Bruno é um menino simpático, educado e que jamais chega ao hipódromo sem dar bom dia, boa tarde ou boa noite, por onde passa. Corre com malícia, mas corre limpo. Possui um agente de montarias jovem, Lucas Reis, garoto de boa índole, de família, e que realiza belo trabalho com ele. O turfe precisa de ídolos. Qualquer esporte precisa deles. Eles são a mola mestra da atividade esportiva. Quem sabe Bruno Queiroz possa ser um novo Jorge Ricardo? Ou, talvez, um novo Juvenal Machado da Silva? Pode ser exagero. Talvez sim. Talvez não. A gente nunca sabe. As grandes estrelas começam a brilhar de repente. Começam a brilhar sem que a gente se dê conta disso. E, depois que se instalam no meio esportivo, ninguém mais consegue impedir o seu brilho especial.
O resultado do ainda aprendiz Bruno Queiroz merece cuidados especiais da sua família e dos instrutores da escolinha de aprendizes do Jockey Club Brasileiro. Aliás, nada funciona melhor no turfe carioca do que a escolinha. A cada ano, ela revela melhores jóqueis. Realizam um notável trabalho técnico e social, que prepara os garotos para o esporte e para a vida. Bruno é uma estrela em ascensão. Precisa ser blindado para poder alçar voos mais altos. Ninguém duvida mais do seu talento. Ele está tão evidente como o óbvio ululante. Mas, a contagem regressiva para o sucesso é das mais espinhosas. A começar por ter de lidar, através dos meses com a perda gradativa da descarga. Como estes quilinhos da descarga ajudam no mano a mano com as feras. Como estes quilinhos ajudam no cabeça com cabeça nas retas finais dos páreos. E eles vão sumindo, minguando. E aí, o bicho pega!
A tensão e a responsabilidade de montar um Grande Prêmio é infinitamente maior do que atuar apenas em páreos de turma. Como pesa nas costas de um menino ter de dar passos maiores e subir escadarias que parecem intermináveis para chegar a glória. Para enfim, receber a consagração e o reconhecimento. Como é penoso escrever os páreos mais importantes no currículo. Como pode demorar e exigir paciência para se colocar o nome na história. Para ficar para sempre no coração dos fãs. Para ser reverenciado pelos próprios rivais. Para ser lembrado pela eternidade na mente dos turfistas do futuro. Para alguém escrever um livro sobre os seus feitos. Para um dia você chegar a ser o “Homem do Violino”, como Luiz Rigoni ou o “Homem Máquina”, feito Jorge Ricardo. Boa sorte, Bruno Queiroz. Pense grande Bruno Queiroz.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Givanildo Duarte apresentou em forma exuberante Fly First Class, do Haras Santa Maria de Araras. E com boa direção de Marcelo Gonçalves ela superou rivais de qualidade, mesmo dando vantagem no peso. O campeão, Roberto Solanês, também brilhou na apresentação Química Quântica, do Stud Yellow River, que mostrou futuro nas pistas e contou com Marcelo Almeida em tarde inspirada.
JOQUEADA DA SEMANA
O campeão Vagner Borges parecia estar dirigindo um Kart no dorso de Flyer Baby, do Stud Embalagem. Correu na expectativa e assistiu de camarote a briga das mais ligeiras. Na reta colocou a sua conduzida por dentro, e numa passagem espetacular faturou o páreo como pule das mais generosas. Alegria geral do staff de Daniel Lopes, um treinador com raras qualidades.