O MENINO PRODÍGIO DA FAMÍLIA QUEIROZ
O turfe carioca tem uma nova estrela. Impossível ignorar o desempenho extraordinário do aprendiz Bruno Queiroz nos poucos meses de profissão. No momento em que escrevo esta crônica, antes da realização da corrida noturna de terça–feira, o filho do veterano jóquei, Antônio Queiroz, já somou sete vitórias na semana. Além disso, completou 80 triunfos na temporada, recém saído da Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro. E, como se fosse uma locomotiva em alta velocidade, o jovem avança feito um bólido sobre os principais jóqueis do turfe carioca. Até os últimos dias de junho, final do atual ano hípico, parece bem provável que termine a temporada na quarta posição da estatística, com meia temporada em ação a menos do que os líderes, Vagner Borges, Leandro Henrique e Valdinei Gil.
Na verdade, a suposta disputa da estatística entre os três excepcionais pilotos deixou de ser o assunto principal entre os frequentadores do prado carioca e dos agentes credenciados da cidade. O desequilíbrio das corridas, por parte do talentoso aprendiz, é o tema preferido nas discussões entre os aficionados. Alguns mais prudentes preferem argumentar que é preciso esperar a perda dos três quilos de descarga para avaliar melhor. Os mais empolgados dizem que ele será um novo Jorge Ricardo. Enfim, a realidade é que o turfe no Rio de Janeiro respira o incrível momento de Bruno Queiroz, com todos atônitos e surpresos com o resultado indiscutível da grande revelação da escolinha de jóqueis da Gávea.
Numa análise lúcida e imparcial, não parece possível colocar em dúvida a qualidade técnica de Bruno Queiroz. Ele é calmo no percurso e raramente sai suspenso. Possui percurso limpo, sabe usar o chicote e bater bem com as duas mãos. Costuma ter boa largada e, acima de tudo, parece estudar bem os páreos. Entra na pista ciente de quem são os seus adversários. Por isso, escolhe o percurso dos seus conduzidos baseado numa estratégia. Tem sempre nítida opção tática para aproveitar o ritmo dos páreos. Por outro lado, ninguém pode desconsiderar que a descarga ajuda bastante. Enfrentar a primeira turma de jóqueis peso a peso é barra pesada. Porém, também deve–se levar em conta, que Bruno acaba de começar a competir. Ou seja, com a sequência de corridas, vai aprimorar ainda mais o seu talento e ficar mais experiente e apto para enfrentar as adversidades. Belo trabalho do agente de montarias, Lucas Reis. Parabéns ao pai, Antônio Queiroz, por deixar este legado.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Dois treinadores merecem destaque esta semana. Marcos Ferreira, na vitória de Verso e Prosa do Stud Ilse, com direito a dobradinha, com Bebê Belo Brummel. Um primor as duas apresentações de seus pensionistas. E o experiente José Luiz Pedrosa Júnior, de volta a Gávea com ótimas oportunidades e sabendo aproveita–las. O velhinho Cravo Negro, do simpático Stud Happy Again, parecia um potro no cânter, e como se fosse um foguete largou por fora dos adversários e os pulverizou. Um show!
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Lazona do Salso, do Stud Agenda, e preparo perfeito de Bruno Ulloa, Bruno Queiroz produziu a sua pérola da semana. Se fosse um piloto consagrado eu diria para o professor Marcelo Cardoso passar o filme para os alunos da escolinha de aprendizes. Percurso de Alex Mota, tranquilidade de Ângelo Márcio Souza, e rigor de Carlos Lavor, na reta final. B. Queiroz faz tudo que um bom jóquei precisa fazer. E ainda leva três quilos. Uma pena ele não poder atuar nas provas clássicas da semana do Grande Prêmio Brasil. Seria grande atração para as delegações de outros estados vê–lo em ação ao vivo. Parabéns ao JCB pelo belo trabalho desenvolvido pela equipe de instrutores, professores, fisiologistas, nutricionistas e funcionários em geral.
PERSONAGEM – Vagner Borges tem levado nítida vantagem sobre os rivais, Leandro Henrique e Valdinei Gil, na disputa do título da estatística. Voltou ao seu melhor peso, recuperou o foco na profissão e, mais experiente, parece que vai impor a sua categoria de tricampeão das estatísticas em duelos memoráveis com o saudoso Dalto Duarte. Ainda falta um mês para o término do ano hípico. Mas, no momento, ele é o favorito.