O convidado da semana é o treinador Roberto Luiz Morgado Neto, o R.Morgado Neto dos programas oficiais. Betinho, como é chamado por seus amigos (mesmo apelido de seu avô Roberto Morgado), nasceu no Rio de Janeiro, tem 33 anos, é casado com Viviane Rosa, com quem teve três filhos: João Gabriel, Luis Vicente (nome dado em homenagem ao amigo Luiz Vicente Goulart Macedo) e Maria Luiza.
Filho do treinador Roberto Morgado Jr., ele nos explicou o motivo de ter ingressado tão cedo na profissão.
“Praticamente nasci no turfe, acompanhei meu pai desde muito pequeno, sempre que podia, fora do horário do colégio. Eu estudava no Colégio Santo Agostinho e a vontade dele era que eu me dedicasse bastante e posteriormente, me formasse em veterinária. Porém, quando eu tinha 14 anos, meu pai perdeu a visão por completo e comecei a trabalhar direto com ele, interrompendo meus estudos. Primeiro como assistente de treinador e ao completar 19 anos, consegui minha matrícula de treinador, me tornando o mais novo a iniciar nesta dura jornada. Certamente meu pai foi e segue sendo minha maior referência e inspiração na profissão. Mas não posso esquecer do sangue das tradicionais famílias Feijó e Morgado, que correm nas veias.”
Então perguntei a ele, se ele lembrava da sua primeira vitória como treinador. “Na minha primeira semana de matrícula, obtive a vitória com Nagaikafu do Stud La Nave Va. Isso em 2003.” Nesta época o jovem estava trabalhando ao lado do pai no extinto Hipódromo de Serra Verde, em Belo Horizonte. “Minha carreira de treinador se iniciou em Minas, onde eu preparava os animais para correr na Gávea. Mas já trabalhei em diversos Centros de Treinamento, onde adquiri muita experiência: Bella Vista, Verde e Preto, Vale do Itajara, Haras Santa Maria De Araras, Brejal do Stud Capitão e Vale Do Marmelo, onde estou atualmente.”
Como ele mesmo disse, o pai sempre foi sua maior referência e foi mais difícil trabalhar longe dele. “Em duas ocasiões trabalhei longe do meu pai, mesmo falando várias vezes por telefone ao longo de um dia. Primeiro, antes de completar 18 anos, trabalhei ao lado do Sr.Alcides Morales dando assistência aos cavalos do Sr.José Lírio Aguiar, estágio muito importante na minha carreira. Nesse período, meus pais ficaram trabalhando sozinhos no Vale do Itajara e com pouquíssimos cavalos, chegaram a ganhar 13 corridas em um só mês, também foi bom para ele e minha mãe, para verem que não dependiam do meu trabalho. Meu pai é bom em qualquer lugar! E da segunda vez, depois da enchente na região serrana e da morte de alguns funcionários e amigos, meu pai entrou em depressão e resolveu parar por alguns meses... Foi um momento delicado e ele foi voltando aos poucos, trabalhando em outros Centros de Treinamento ao lado da minha mãe. Quando sai do Haras Santa Maria de Araras, seguimos juntos para o Brejal e agora estamos juntos no Marmelo.”
Betinho cuidou de muitos craques, então eu não poderia deixar de perguntar a ele qual foi o animal mais importante que passou por suas cocheiras. “Graças a Deus e a confiança dos proprietários, tive a oportunidade de treinar excelentes animais, porém o meu xodó foi o Cisne Branco, cavalo que só não foi tríplice coroado devido a enchente de 2011. Era pequeno mas tinha um coração de gigante, torço por ele até hoje na reprodução. Mas não posso deixar de citar dois animais que cuidei até o momento em que foram para os Estados Unidos e lá fizeram excelentes campanhas: Pico Central e Catch A Flight.”
O site Raia Leve, como de costume, abriu espaço para que o profissional deixasse o seu recado. “Gostaria de aproveitar o espaço dessa entrevista para agradecer aos proprietários que confiaram em mim durante esses 15 anos de carreira, a todos os funcionários que me ajudaram e me ajudam hoje no preparo dos animais. E a toda minha família, em especial ao meu pai, que me ensinou e segue me ensinando tudo o que eu sei sobre cavalos.”
Hoje Roberto Morgado Neto e seu pai Roberto Morgado Junior estão trabalhando juntos no CT Vale Do Marmelo. “Eu estou com aproximadamente 20 animais do Haras Nacional, meu único cliente hoje. Porém estou aberto a novas oportunidades já que tenho boxes à disposição. Meu pai trabalha com os animais do Stud Eterno Amor e Stud Palura, que ficam alojados junto com os meus. É uma forma de trocarmos opiniões, de examinarmos os cavalos juntos e de nos ajudarmos o tempo inteiro. Afinal, depois que o meu pai ficou sem enxergar, teve todos os outros sentidos muito apurados, e hoje examina um cavalo como ninguém. Me sinto muito feliz e realizado neste momento, podendo trabalhar ao lado dele, e sei que juntos somos muito mais fortes.”
O site Raia Leve agradeceu ao profissional por sua entrevista e para terminar, pediu a ele que comentasse sobre a sua única inscrição da semana. “É Fabulosa estreou no final do ano passado, em um páreo duro, de machos, e acabou se descolocando. Optamos por dar um descanso a ela depois da corrida, já que apresentou problema em um dos posteriores; ela foi queimada e seguiu para o Haras Nacional onde ficou em repouso por um período. Voltou muito bem, e resolvemos testar o seu potencial em pista de grama, acredito que pela raça tem tudo pra ir muito bem e se isso acontecer pode fazer ótima atuação (sábado – 4º páreo).”
Por Maria Teresa Morgado