A joqueta gaúcha, Lu Andrade, 27 anos, que no Brasil atuou no interior do Rio Grande do Sul, em Cidade Jardim e aqui no Hipódromo da Gávea, curte férias de dois meses no Rio de Janeiro, depois de temporada de 1 ano de 5 meses, em Dubai. Oriunda de Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul, Lu Andrade teve altos e baixos na profissão. Chegou a vencer dois torneios sul–americanos de joquetas, no Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre, e a ganhar páreos no eixo Rio –São Paulo, montando com relativo sucesso nos dois principais hipódromos do país.
Um acidente grave, sofrido no prado carioca, a afastou das pistas. Recuperada decidiu aceitar o convite para um período de experiência em Dubai, no serviço de redeador e também para caminhar alguns cavalos dos árabes. A sua dedicação ao trabalho e a discrição agradou a turma das mil e umas noites e acabou por conseguir trabalhar numa ótima cocheira. Segundo a joqueta, as condições de trabalho são excelentes e a maior dificuldade para a adaptação é a enorme diferença cultural entre o povo árabe e o nosso.
“Fui muito bem tratada e a presença de brasileiros como o Bruno Reis e o Paul Chandelier facilitou bastante na minha chegada. O serviço é muito puxado e o nível de exigência deles também. O manejo dos cavalos, a maneira de galopar e até a própria constituição física dos animais é bem diferente. Talvez por que galopem menos do que os cavalos daqui, eles ficam mais pesados, e fazem mais força nos treinos. Sofri um pouco no começo. Agora me adaptei as circunstâncias. A maior barreira mesmo é a alimentação. São culinárias muito diferentes. A gente sente dificuldade. Desde que cheguei ao Rio só faço comer. Que saudade do nosso feijão!”.
Lu Andrade conta que o clima de Dubai é bastante quente. Desde que chegou lá só aconteceram uns cinco dias de chuva em 1 ano e meio de permanência no país. As temperaturas são elevadas, acima dos 40 graus e o sol, segundo ela, é de rachar. “O calor é escaldante. Mas somos muito bem tratados. O fato de lidar com os cavalos, que eles amam, nos valoriza perante a sociedade. Não tenho queixa do povo de lá. O que nos separa apenas são as diferenças religiosas e os aspectos culturais. O resto é show!”, exulta, enquanto faz questão de pagar a conta do almoço para mim, o treinador José Luiz Pedrosa Júnior e o segundo–gerente e seu amigo inseparável, Rodrigo Lopes.
por Paulo Gama