O convidado da semana é o treinador Edson Ricardo Pereira, carioca de 51 anos, casado com Patrícia R. das Chagas e pai de quatro filhos: Edson Ricardo, Felipe, Maria Eduarda e Eulógio (em homenagem a seu irmão de criação Eulógio Morgado). Ele nos contou um pouco de sua história no turfe, já que chegou ao Jockey Club Brasileiro nos seus primeiros anos de vida e acabou sendo inevitável seguir carreira profissional no meio turfístico. “Meu pai era cavalariço, me tirou de casa com quatro anos e me levou para morar no Jockey. Aos seis anos, tive a sorte de ser resgatado pela família Morgado (inicialmente pelo Eulógio, irmão do Bebeto, que morreu precocemente). Então morei e fui criado pela Neyde Feijó Morgado, minha mãe, até a maior idade. Dai toda a minha influência.”
“Comecei como cavalariço, depois fui segundo gerente, e assim aprendi bastante até me tornar treinador. Inicialmente trabalhei com meu irmão R.Morgado Jr. (Bebeto), como cavalariço e segundo gerente, depois passei um tempo no hipódromo de Serra Verde em BH. Posteriormente fui convidado para trabalhar como gerente em uma sessão que o Haras Santa Ana do Rio Grande tinha dentro do CT Mondesir em Pedro do Rio.” Durante todo esse período Ricardo adquiriu muita experiência, convivendo com diversos profissionais, mas optou por voltar a trabalhar com o Bebeto no CT Dedo de Deus, quando o mesmo estava perdendo a visão e precisava de sua ajuda. “Fiquei novamente trabalhando com meu irmão, até ser indicado por ele para trabalhar no Haras Praça XV, onde engrenei como treinador.”
Perguntei a ele, qual foi sua primeira vitória como treinador, mas ele considera uma importante vitória, mesmo sem carregar seu nome nos programas oficiais. “Minha primeira vitória treinando, não oficial, foi em 1989 com o cavalo Analfabeto do Haras Faxina. Trouxe ele pronto de Belo Horizonte e ganhei justamente o Clássico Minas Gerais. Porém a oficial foi com a égua Letícia Fizz, alguns anos depois.”
Ricardo se considera um profissional de sorte, por ter trabalhado em tantos lugares e conhecido o método de trabalho de muitos colegas de profissão. “Além de Minas Gerais, já trabalhei como treinador na Gávea, no CT Paraíso, no CT Posto de Fomento, no CT Verde e Preto, e atualmente estou no CT Vale do Marmelo. Mas como cavalariço e segundo gerente eu conheci muitos outros lugares.” E ainda se sente privilegiado por ter cuidado de dois craques. “Fidedigno do Stud Dona Lúcia e Energia Guest do Haras Praça XV, foram os melhores animais que eu treinei e aqueles que me deram as primeiras vitórias em provas de grupo.”
Chegando ao final de nossa conversa, pedi a Edson Ricardo, que comentasse um pouco sobre a estrutura de trabalho que possui hoje, já que tem vagas para receber animais de novos proprietários. “Atualmente estou no Marmelo com 15 animais. Tenho na equipe o José Carlos, meu segundo gerente e amigo, que está na comigo há 18 anos. Além dele, mais dois cavalariços (Daniel e Junior) e o redeador M.F.Souza, que também atua como jóquei. Gostaria de aproveitar o espaço para agradecer muito ao Haras Praça XV, ao Stud Santa Tereza, ao Stud Fidelidade Partidária, ao Dr.André Dumortout, ao Marcelo Macariam e a todos os proprietários que me prestigiaram nestes quase 30 anos de profissão. Mas um agradecimento especial, vai para o Bebeto, que me ensinou muito do que sei hoje.”
E como de costume, para fechar, o treinador comentou sobre suas inscrições na semana. “Tenho três inscrições. No sábado, o Super Bold que enfrenta carreira dura, mas se encontra em ótima forma. Na segunda–feira reaparece Moda Antiga com muita chance de vitória. Já na terça–feira tenho o Touro Bravo, onde acho que pela primeira vez vai correr tudo o que sabe.”
O site Raia Leve agradece as informações do treinador E.Ricardo e deseja a ela ainda mais sucesso, oportunidades e vitórias nesta difícil profissão.
Por Maria Teresa Morgado