O convidado da semana é o aprendiz Marcos Vinícius Staiti Costa, de 19 anos, nascido no Horto, tradicional bairro da Zona Sul carioca.
Marquinhos é o segundo filho do casal Fábio e Andreza Staiti, e possui mais nove irmãos, todos apaixonados por cavalos e alguns com sonho de ser jóquei como ele. Sua irmã Letícia, a mais velha, ingressou na EPT, porém não chegou a montar, e seu irmão Daniel Staiti já faz parte do time de alunos da escolinha. E por incrível que pareça, o que chama mais atenção nessa família, não é a quantidade de futuros atletas, mas a educação com que todos foram criados. E durante a nossa conversa, logo percebi o motivo de muitas pessoas comentarem aqui no JCB, que o Marcos é um “menino de ouro”. O jovem, que começou a frequentar o hipódromo ainda pequeno, esbanja educação e gentileza com todos a sua volta.
“Comecei a frequentar o Jockey Club Brasileiro quando tinha em torno de 5 ou 6 anos de idade. Sempre existiram as influências do meu bisavô e do meu avô que foi jóquei... Além do meu pai, do meu tio, entres outros... Mas a vontade de ser jóquei nasceu em mim. Meu pai sempre me apoiou em tudo e não foi diferente para que eu chegasse a exercer essa profissão. Primeiro ele me colocou para montar pôneis na Sociedade Hípica Brasileira. E quando cheguei na idade necessária, meu pai conversou com o Marcello Cardoso, através dele consegui entrar na seleção e fui escolhido para ingressar como aluno na escolinha, isso foi em 23 de fevereiro de 2015.”
Nesse momento, o jovem lembrou das dificuldades iniciais. “Minha evolução montando cavalos PSI foi bem difícil no começo, eu demorei bastante para evoluir. Só comecei a montar depois de um ano aprendendo, mesmo assim ainda era bem fraco. Mas eles não desistiram de mim! E eu comecei a evoluir já montando, com o tempo, observando os jóqueis mais experientes, escutando bons conselhos... Inclusive muitos destes conselhos vieram do ex–treinador Luiz Arthur Fernandes e também do meu professor Marcello Cardoso, ambos a quem sou eternamente grato.”
E depois de todas as dificuldades iniciais, normais em qualquer profissão, o rapaz sofreu uma queda durante os treinamentos, ficando afastado por algum tempo. “Em relação a queda, eu fiquei 3 meses e 10 dias sem poder subir em um cavalo. No começo foi uma situação bem chata, mas jamais me desmotivei, pelo contrário. Ela só me afastou por um período, daquilo que eu mais gosto de fazer, que é montar... Esse tempo parado me deixava agoniado, eu queria estar montando, fazendo o que eu mais amo e não podia! Mas isso fez com que eu me motivasse ainda mais para o futuro retorno.”
Então perguntei a ele, quais foram os prós e os contras do seu retorno às pistas. “A volta aos trabalhos foi menos complicada do que eu imaginava. Voltei com um pouco de receio nos primeiros dias, tinha medo de algum animal bolear comigo. Mas aos poucos a confiança foi voltando e quando eu fiquei totalmente preparado, eu voltei a montar... E voltei ganhando, graças a Deus! Não esqueço que tenho muitas pessoas para agradecer, todos aqueles que me apoiaram quando cai e desde o meu começo... Foram pessoas muito importantes e que fizeram a diferença na minha vida! Acima de tudo agradeço a minha família maravilhosa, ao Sr. Luiz Arthur Fernandes, ao treinador C.Garcia e a todos que sempre confiaram no meu trabalho.”
Logo o jovem passará a jóquei e nos contou sobre seus próximos objetivos. “Minhas expectativas agora, que estou passando a jóquei, é de evoluir sempre montando. Quero criar mais oportunidades para fazer o que eu gosto e vir a seguir na profissão entre os jóqueis de ponta. Quero montar provas de grupo ao lado deles e futuramente montar fora do país.”
E como de costume, mesmo que ele tenha assinado poucas montarias, já que está suspenso no sábado, pedimos para que ele comentasse as suas melhores montarias para os leitores do Raia Leve.
“Domingo eu monto Meia Lua, uma égua que quando voltei, ganhei com ela. Na última fez um quarto nesse mesmo páreo, chegando próxima. Acredito que ela deverá chegar brigando pela vitória. E na terça–feira monto a égua Grise Et Rouge, que fez ótimo segundo comigo na areia e no meio dos machos, na penúltima corrida dela. Trabalhou muito bem para correr agora e pelo grau de qualidade do páreo, ela tem alta chance de vitória. Acredito que seja a minha melhor montaria, já que assinei poucas essa semana.”
O Raia Leve agradece a possibilidade de contar um pouco sobre a vida e a carreira deste “menino de ouro”. E deseja a ele muito sucesso e novas oportunidades profissionais.
Maria Teresa Morgado