Francisco Igor Alves Chaves, 26 anos, natural de Fortaleza, começou montando no Pici. Embora não seja mais
exatamente um “garotinho”, tem a sua Rosinha. Ruan, filho do casal, nasceu há apenas 15 dias.
Veio para
o Rio em 1998, com a cara e a coragem, de forma curiosa. Viajou num caminhão que trazia cavalos para correr na
Gávea. Junto, chegou, também, A.Fernandes. Ficaram na Escola de Aprendizes. O sucesso marcou o início da
trajetória carioca de Chaves. Em seis meses conseguiu 75 vitórias, passando a jóquei no ano seguinte. Como
curiosidade, ganhou três corridas com Senhor Tempo, um dos animais embarcados na capital cearense no mesmo
caminhão.
A carreira deslanchou com rapidez. Adiante, entretanto, viveu uma época de grande
adversidade. Ganhando seguidamente, comprou um carro. Semanas depois, bateu com o automóvel: levou 19 pontos na
testa e permaneceu 30 dias afastado das pistas. Sem carro, resolveu ir para os exercícios matinais de bicicleta.
Logo no primeiro dia, voltando do prado, um carro avançou o sinal e acertou em cheio a bicicleta. Chaves fraturou
uma perna e a clavícula, permanecendo meses sem montar.
A falta de sorte ainda não havia terminado.
Reaparecendo, num último páreo, com 15 animais, o cavalo que conduzia mancou gravemente, caiu no meio do lote e o
bridão quebrou o tornozelo, precisando colocar quatro parafusos. Mais nove meses de inatividade. Somados, os
períodos de parada forçada chegaram a 13 meses.
Cansado da seqüência de infelicidades, decidiu procurar
um babalorixá na Bahia. Deu certo. Retomou a carreira com normalidade. Nesta temporada, já obteve 20 vitórias. O
melhor animal que pilotou foi Favori, do Stud Capitão, com o qual venceu o GP Salgado Filho, seu primeiro êxito
clássico. Atualmente, é contratado do Haras Escafura e segunda monta do Haras São Bartolomeu do Alto.
Fica o alerta. Os bons tempos estão de volta para este nordestino tinhoso, que não se deixa abater.
por Sérgio Rezende