Quando o projeto do Raia Leve ainda estava no papel, tendo o Zig à frente, contando com o decisivo apoio da Associação Carioca dos Proprietários do Cavalo Puro–Sangue Inglês, vislumbrei a possibilidade de voltar a participar de um trabalho jornalístico de qualidade.
Há muitos anos na estrada, vivi grandes momentos no jornalismo, principalmente no Globo, onde continuo – em fevereiro de 2007 completarei 28 anos (em duas etapas) –, assim como em O Dia, O Povo e nos 11 meses que trabalhei no Jornal do Brasil.
Durante todo este tempo, fiz matérias abordando os mais diversos temas e segmentos do turfe. Com a diminuição do espaço no jornal, ficou difícil, embora mais recentemente tenha conseguido algumas boas matérias – a que fiz com Ricardo e uma sobre a ida precoce dos cavalos para o exterior, como no futebol. Tirando isso, apenas programas, resultados e poucas notas. No dia 27 de outubro de 2005 o Raia Leve entrou no ar e a chama jornalística, já fraquinha, voltou a se acender. Na próxima sexta–feira, comemoramos um ano, que passou voando, e um flash–back, da minha parte, é o que pretendo, esta semana.
As matérias especiais e as entrevistas, os primeiros desafios!
Evidentemente, com a responsabilidade de realizar matérias especiais e entrevistas, passei a dedicar todas as manhãs ao site. Escolhi com cuidado a primeira matéria. E o veterinário Luiz Flávio Géo de Siqueira foi o meu entrevistado. Na semana seguinte, Chico Anysio contou de sua paixão pelos cavalos, num papo muito interessante. Chico, que é diretor da Associação Carioca, está em casa, convalescendo, mas sem deixar de acompanhar as corridas, que tanto gosta. Logo depois, por telefone, consegui conversar com Juvenal Machado da Silva, em Delmiro Gouveia, numa das boas matérias que fiz neste ano.
Com as idas de Ricardo para a Argentina, no meio da semana, passei a acompanhar de perto a disputa pelo recorde mundial. Também fiquei na cola de Russell Baze.
A primeira nota sobre o canadense, foi publicada no site no dia 14 de novembro de 2005, quando ele conseguiu, numa semana, vencer 12 páreos no Hipódromo de Golden Gate Fields. Dois dias depois, com o título “O perseguidor de Ricardinho” fiz um Raio X de Russel Baze, contando sua história e suas conquistas no turfe americano.
De início, também Uruguai e o turfe americano.
Antes da contratação do amigo e excelente jornalista Jair Balla, também encontrava tempo para procurar notícias do turfe americano. O computador ficava direto nos sites no intuito de assistir, quando possível, a participação de cavalos brasileiros no exterior. Com a possibilidade de colocar as notícias em tempo real, pouco depois das provas, conseguíamos dar os resultados. Foi empolgante, sem dúvida. Também passei a dar resultados do Uruguai, semanalmente e, vez por outra, do Chile e de outros prados sul–americanos. O jornalismo, para quem não sabe, é contagiante e quanto mais você produz, mais quer produzir.
Foram inúmeras matérias em um ano, mas uma, em especial, marcou muito.
Como disse, certa vez, o amigo Luiz Edmundo Cardoso Barbosa, o Raia Leve reacendeu uma chama que já estava se extinguindo em mim. Depois de tanto tempo, tendo realizado quase tudo que é possível em termos de turfe, a falta de espaço para trabalhar havia me deixado meio que desinteressado. As idéias novas nem vinham mais. E foi com o espírito jornalístico ativado que resolvi entrevistar o Geraldo Damasceno, o “Homem do Punga”. De todas as entrevistas, certamente esta foi uma das melhores. A história de vida dele é sensacional e ninguém conhecia, nem mesmo eu imaginara que seria tão cativante. Foi publicada no dia 1 de fevereiro de 2006.
A última, com certeza, foi a mais emocionante.
Não contei quantas matérias especiais e entrevistas produzi durante todo este ano, mas a que mais mexeu com as emoções, sem dúvida, foi a publicada na semana passada, quando citei a decadência da imprensa no turfe carioca e lembrei de quase todos os profissionais que trabalharam desde que comecei a cobrir a atividade, em novembro de 1972. Nunca, desde o início do site, recebi tantos e–mails de pessoas que viajaram no tempo e se emocionaram com a matéria. Além de uma vitória pessoal, também me fez recordar dos tempos não “internetizados” e uma época quase romântica do turfe.
O orgulho de fazer parte de um time vencedor.
Não tenho por hábito escrever nada na primeira pessoa (aliás, nem se deve fazer isso). Mas estou usando este espaço para confessar o orgulho de participar deste site, que inovou tudo o que já havia no setor, com um trabalho em tempo real, com o único intuito de informar ao internauta. Cobrar aquilo que é preciso e não fechar os olhos para o que é danoso ao turfe. Mostrar o que é bom e não utilizar o veículo para frustrações pessoais. Todos que aqui trabalham têm uma história ligada ao turfe e, principalmente, amam o esporte e dedicaram boa parte de suas vidas à atividade. Não fosse pela ACPCPSI, nós, os profissionais do jornalismo, não teríamos este valioso espaço. Nesta sexta–feira, vamos comemorar um ano de existência e você, que nos acompanha todos os dias, é a razão pela qual nos dedicamos horas e mais horas com a intenção de melhor informar. Parabéns a vocês e para todos nós, da família Raia Leve.
por Marco Aurélio Ribeiro