BRUNO SOUZA E O DRAMA DA PROFISSÃO DE ALTO RISCO
No sexto páreo do último sábado, à tarde, no Hipódromo da Gávea, tudo parecia transcorrer normalmente. João Amigão, alazão de propriedade do Stud Gata da Serra, correu entre os ponteiros e cruzou o disco de chegada na primeira posição conduzido com precisão pelo aprendiz Bruno Souza. Logo após cruzar o disco de chegada, entretanto, num movimento espontâneo e inesperado, o corredor derrubou o jovem piloto. O garoto ficou desacordado. O atendimento dos médicos de plantão no prado carioca foi imediato e Bruno foi levado ao Hospital Miguel Couto. Para consternação de toda a comunidade turfística, Bruno Souza apresentou quadro grave, com traumatismo craniado. Desde então, o feriadão dos colegas, dos funcionários da Escola de Aprendizes, de treinadores e de todos que convivem com Bruno, no dia a dia, tem sido de enorme preocupação.
Bruno Souza veio do interior do Ceará para tentar a sorte aqui no Rio de Janeiro. Menino alegre e simpático, logo conquistou a todos por seu comportamento afável, respeitoso e educado. A expectativa geral é por sua ampla e total recuperação. No momento em que escrevo esta coluna, os pais de Bruno estão para chegar aqui no Rio. A família vive o drama de ter um filho que decidiu abraçar uma profissão de alto risco. Os puros–sangues chegam a velocidade de 65 quilômetros por hora numa corrida. A possibilidade de queda, com um simples toque em outro competidor ou num mero tropeção, é sempre viável. Tanto isto é verdade, que a ambulância do hipódromo acompanha o desenrolar de cada páreo, lado a lado com os competidores, para poder prestar socorro em caso de acidente. Estes homens pequeninos, que abraçam esta profissão, são verdadeiros gigantes no que concerne a coragem e desprendimento. Merecem nosso respeito e admiração. Força Bruno!
VALDINEI GIL
Excepcional o desempenho do bridão, Valdinei Gil, neste último conjunto de programas. O popular “Dragão” parece ter atingido a maturidade como piloto e deitou e rolou nas pistas cariocas. Nas seis vitórias conquistadas teve inspiração, sobretudo no percurso, sempre muito tranquilo e bem calculado, o que lhe permitiu trazer reservas em quase todos os seus pilotados. Alcançou Vagner Borges no ranking e se aproximou perigosamente de Leandro Henrique. Bom trabalho de captação de montarias por parte do seu agente, Leandro Mancuso.
MARCOS STAITI DE VOLTA
Recuperado da fratura na bacia, o aprendiz Marcos Staiti voltou às pistas em grande estilo. Entre as suas duas expressivas vitórias, vale destacar a direção dada em Rainha Judith, de Carlos Alberto Moura da Silva, e treinamento de Ildefonso Coelho Souza. Numa prova de vários animais velozes conseguiu ter calma e lucidez para correr de trás a sua pilotada e obter belo triunfo. Parabéns!
ZÉ PEDROSA NA GÁVEA
O treinador José Luís Pedrosa Júnior, depois de vários anos com os seus pensionistas alojados no CT Bella Vista, em Teresópolis, está de volta ao Hipódromo da Gávea, onde possui cocheira desde os tempos do seu pai, José Luís Pedrosa. Profissional vitorioso e de indiscutível competência, Pedrosa terá sob sua responsabilidade animais de propriedade do Stud Happy Again e de Priscila dos Santos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Adélcio Menegolo atravessa a melhor fase de sua carreira. Entre tantos puros–sangues bem apresentados vou destacar Emepelafer, do Haras Sweet Carol, vitoriosa num páreo bastante encardido, com a presença de vários concorrentes de qualidade. Bem corrida pelo líder da estatística, Leandro Henrique, apareceu com força nos metros decisivos da competição e conquistou belíssima vitória.
JOQUEADA DA SEMANA
Carlos Geovani Lavor esnoba o tempo com classe, talento e preparo físico de dar inveja a muito garoto. No dorso de Balança Comercial, do Stud New–Shan–Gri–Lá, e chancela do treinador Luiz Guilherme Feijó Ulloa, deu aula de direção. O seu pilotado largou um pouco frio e ele nem se preocupou. Tratou de procurar a carreira, de menos para mais, ao natural. Fez perfeita entrada de reta e trouxe o seu pilotado para o centro da pista, a tempo de deixar pouco espaço para os rivais, que também atropelavam. E nos últimos 200 metros deu aquele show de rigor inapelável.
MGA DEIXOU A DESEJAR
O povo carioca deve ser mesmo muito carnavalesco. Por incrível que pareça vários turfistas foram arrastados para os “blocos do sujo “. Esta é a única conclusão possível se levarmos em conta os fracos movimentos gerais de apostas da semana. Na quinta–feira, o MGA ficou abaixo de R$ 500 mil. Para ser preciso: R$ 499.054,49. Muito ruim! No dia seguinte, sexta–feira, subiu para R$ 627.517,17. Um pouquinho melhor. E no sábado de Carnaval não passou de R$ 651.163,13. O bom volume de jogo do simulcasting com Cidade Jardim, salvou a pátria e os prejuízos neste dia.