Existem duas correntes de opinião diferentes, entre os turfistas, com relação ao Movimento Geral de Apostas. Alguns acreditam que a disponibilidade dos aficionados para apostar é sempre a mesma. Ou seja, o volume de jogo investido não depende do tipo de apostas disponíveis no cardápio e nem do nível técnico dos páreos. E há outra corrente que acredita piamente na qualidade da programação como fator motivacional para se investir o próprio dinheiro nas corridas de cavalos.
Particularmente, faço parte desta segunda corrente. Porém não tiro a razão daqueles que pensam diferente. A teoria deles faz algum sentido. O cara só aposta o que tem no bolso. Respeito, entretanto, discordo. Quero sempre acreditar que o turfe não esteja tão distante do resto da sociedade. Os espetáculos esportivos, de forma geral, diferem do turfe basicamente no fator aposta. Se o fã vai a um jogo de futebol, por exemplo, ele paga a entrada e assiste a partida. Sai triste do estádio se time perde ou eufórico se ele ganha. Mas o dinheiro do ingresso ficou na bilheteria, independente do resultado. No turfe, o simpatizante ganha ou perde dinheiro de acordo com o resultado do páreo. Depende da própria escolha. Envolve muito mais adrenalina.
Nos jogos de futebol, o público das partidas é expressivo quando existe o confronto de equipes de qualidade, com bons jogadores. E quase ninguém está presente se o jogo for desinteressante. O mesmo acontece no vôlei, basquete e etc. Apesar do fator aposta, insisto em incluir o turfe no mesmo caso dos outros esportes. Na semana passada, por exemplo, foram disputadas as provas preparatórias para as tríplices–coroas de potros e potrancas, na Gávea. Naquela oportunidade, os valores das apostas foram bem superiores aos da última semana. E o motivo foi simples: a qualidade do espetáculo. Os páreos sofríveis tecnicamente não atraem o público, que faz outras opções de lazer e de entretenimento. E quanto a apostar, existem outros caminhos também. E todo mundo sabe disso. O cara pode apostar em sites de futebol, jogos de azar e loterias federais.
Na última semana aqui no Rio tivemos movimentos bastante semelhantes nos quatro dias de corrida. No sábado, se apostou na reunião carioca R$ 655.215,25, no domingo, R$ 678.855,90, na segunda–feira, R$ 674.176,04, e na terça–feira, com um páreo a menos e numa reunião de baixa qualidade técnica, R$ 592.397,57. Esta semana teremos reuniões de nível técnico apenas regular. Mas, na seguinte, com a disputa das tríplices–coroas e de outras provas clássicas, os turfistas terão a chance de observar um significativo aumento no movimento de apostas. Por isso, é preciso apostar sempre em boas chamadas, opções variadas de distância e, sobretudo, páreos na pista de grama, preferência da maioria da nossa população de equinos. Vamos conferir os próximos 15 dias e depois voltamos a este assunto, dos mais interessantes.
por Paulo Gama