RICARDINHO QUER MONTAR ATÉ ALCANÇAR AS 13 MIL VITÓRIAS
Seguro morreu de velho. Com 12.838 vitórias em sua carreira, Jorge Antônio Ricardo está a seis triunfos de igualar o recorde mundial do canadense, Russel Baze, 12.844. Entretanto, aqueles que esperam a sua despedida imediata das pistas, logo depois de alcançar o feito, estão enganados. Meticuloso, precavido e sistemático, o grande ídolo do turfe brasileiro admitiu ontem à noite, em conversa telefônica informal com o Raia Leve, que pretende ampliar a marca e montar até chegar as 13 mil vitórias. Segundo ele, tirar pequena vantagem, de cinco ou 10 vitórias apenas, sobre Russel Baze, pode ser perigoso e, também muito arriscado.
“A gente nunca sabe o que passa na cabeça dos outros. Baze foi um grande atleta e encerrou a carreira em excelente forma física. Sinceramente, não acredito e nem espero o seu retorno as competições. Porém, a gente tem consciência de que com uma vantagem de pelo menos 100 vitórias, ele não se sentiria motivado a voltar. Em caso de pequena margem, ele pode decidir recomeçar e me pegar de surpresa, em casa e de chicote pendurado. Não vou me arriscar. Até o final do ano devo chegar a umas 13 mil vitórias. E aí, sim, posso começar a pensar num encerramento”, argumentou o campeão.
Jorge Ricardo reconhece ter diminuído o ritmo de forma considerável nos últimos tempos. Atualmente possui dois contratos com o Stud Las Monjitas e o Haras La Gringa. A rotina continua a mesma, de trabalhar diariamente nos dois hipódromos de Buenos Aires, San Isidro e Palermo. Ricardinho admite estar assinando menos montarias e seguir focado apenas no recorde mundial. Algumas vezes vai até La Plata, quando as montarias são boas, mas normalmente evita a pista de lá, segundo ele, um tanto perigosa. Prefere atuar apenas na capital. Depois de 40 anos de profissão, ele acha que chegou a hora dos mais jovens. Aponta outro jóquei brasileiro, Francisco Leandro, como o grande nome do turfe sul–americano num futuro próximo. E não se nega a justificar esta opinião.
“Não tenho dúvida de que ele é o favorito da estatística na Argentina este ano. Em 2.016 dominou o ranking com sobras. E na temporada passada, a fratura no dedo o impediu de brigar pelo topo da tabela outra vez. Inclusive, ele fez a recuperação da contusão, nas sessões de fisioterapia, na mesma academia em que eu me recuperava da fratura no fêmur. É um rapaz tranquilo, trabalhador, discreto e que só se preocupa em cuidar da família e da própria vida. Há outros ótimos jóqueis aqui, tais como o Falero, Domingos e o atual líder, o paraguaio Eduardo Ortega. Mas vejo o Leandro um passo à frente de todos devido a juventude e a dedicação profissional”, elogia o futuro recordista mundial de vitórias.
Ricardinho confirmou o compromisso de igualar o recorde mundial aqui no Hipódromo da Gávea. Depois do feito, perto de casa, ele volta para a Argentina e bate a marca em solo portenho. Ele diz estar bastante ansioso com a realização do sonho de criança. E lembra também, que por duas vezes conseguiu alcançar o topo, e por problemas de saúde e de um acidente na raia, permitiu o retorno de Russel Baze a liderança do ranking. “Foi uma longa caminhada de mais de 40 anos nas pistas. Passei mais tempo da minha vida em cima de cavalos de corrida do que caminhando ou deitado para dormir. Já fizeram até uma pesquisa sobre isso. Agora está chegando a hora de escrever os últimos capítulos desta linda história de amor com o turfe”, filosofou.
LATINO–AMERICANO
Em Cidade Jardim, Marlon, criado no Haras Santa Camila e de propriedade do Haras Moema, demonstrou raça e qualidade para ser o representante do turfe paulista do Clássico Associação Latino–americana de Jockeys Clubs, em março, no Hipódromo de Maroñas. Bom preparo do experiente treinador, Victorio Fornassaro, e direção precisa de Vagner Leal, que reina absoluto no prado bandeirante. Aqui na Gávea, brilhou a estrela do treinador Júlio César Sampaio. O profissional apresentou o primeiro e o segundo colocados, Leão de Prata, do Stud São Francisco da Serra, e Last Hope, da Coudelaria Jéssica, respectivamente. Carlos Lavor parecia um menino no dorso de ganhador. Persistência, confiança e incrível rigor para alcançar o companheiro de cocheira em cima do laço. Marcos Mazini sofreu bastante com a derrota e chegou a chorar, emocionado, depois do páreo. Foi um duelo espetacular!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Impressionante o estado atlético em que foi apresentado o promissor, St.Andrews, criado na Fazenda Mondesir, e propriedade do modelar Haras Regina. Tudo bem, os mais exigentes dirão que foi apenas um páreo de perdedores. Mas o estilo do triunfo foi instigante, típico do corredor tardio, que só agora parece estar atingindo a maturidade. Parabéns ao competentíssimo Roberto Solanês pela exuberância e beleza na apresentação do filho de Soldier of Fortune, numa temporada em que os ventos sopram bastante favoráveis no CT Verde e Preto.
JOQUEADA DA SEMANA
Ângelo Márcio Souza faz parecer fácil montar um puro–sangue de corrida. No dorso de encabulado Don Casmurro, do Stud Vale das Videiras do Rio, e treinamento de José Ferreira Reis, o bridão deu uma daquelas direções da cartilha. Largou bem, por dentro, e deixou seu conduzido ficar no fundo do lote. Se aproximou de forma gradativa e fez partida curta e seca, nos 400 metros finais, sem dar qualquer chance aos adversários. Tudo muito simples, fácil, como se estivesse chupando um picolé no dorso do seu pilotado. É um grande jóquei!
