Quando a Pegasus World Cup, a corrida de cavalos mais bem dotada do mundo, foi lançada em 2017, muita gente aqui no Brasil achou “uma loucura” se criar um páreo em que o dono do cavalo tem que pagar 1 milhão pra inscrever. Pois é, nos Estados Unidos as coisas são diferentes, e a ideia deu tão certo que as vagas foram todas vendidas em menos de 12 horas e já havia fila de espera por alguma desistência...
Embalado por mais esse sucesso, Frank Stronach idealizou mais uma promoção: atrair para seu hipódromo de Miami turfistas caribenhos, que desde 1966 realizam em rodízio entre os 7 países daquela confederação, uma espécie de “Derby do Caribe”, bem nos moldes do nosso Clássico Latinoamericano.
A ideia se concretizou, e no último dia 09 reuniu em Gulfstream Park nada menos do que 55 animais e centenas de turfistas de 7 países caribenhos, curiosos por assistir pela primeira vez em campo neutro sua maior prova anual, aliás bem mais “recheada” agora com 650.000 dólares em prêmios.
Fui convidado pelo meu amigo Mike Rogers (VP do Grupo Stronach), para assistir ao Caribbean Classic, e fiquei totalmente abismado com a pujança, o tamanho, a infinidade de atrações e a perfeita organização do hipódromo. Eu havia estado em Gulfstream Park pela primeira vez em 1990, e o que vi agora não é mais apenas um hipódromo. Gulfstream é quase uma Disneylandia! Trata–se realmente um “parque de diversões” cuja jóia da coroa é o turfe. Este verdadeiro centro de lazer, gastronomia e entretenimento atrai milhares de pessoas, que lotaram 2 estacionamentos “padrão Disney”, e os incontáveis restaurantes, bares, lojas e demais atrações, para homens, mulheres e crianças.
Circulando por todas as partes do gigantesco complexo, ouvia–se muito mais espanhol que inglês. A torcida na reta final era ensurdecedora, bem típica das gritarias que ouvimos usualmente em Maroñas ou Palermo, e o movimento de apostas já começou forte – 675 mil dólares no 1º páreo! Mesmo sem os americanos terem praticamente nenhum conhecimento dos animais que o disputaram, o jogo no principal páreo superou 1,1 milhão de dólares...
O festival foi cercado de outros eventos: na noite de 5ª feira na churrascaria Adena Grill houve uma recepção às delegações; na 6ª feira no almoço uma conferência bi–anual; na mesma noite um “gala dinner” estratégica e elegantemente promovido no local onde os animais passeiam antes do cânter; e no sábado um espetacular Buffet esperava os convidados no lotadíssimo Grandstand do hipódromo.
Passadas as emoções dos páreos, sendo o principal vencido a galope pela potranca mexicana Jala Jala (uma neta paterna do nosso conhecido Point Given), mais festividades: um jantar especial e uma rifa, paralela à um show humorístico e à entrega dos troféus aos ganhadores dos diversos clássicos na tarde, no lindo teatro chamado “Sport of Kings” que também existe em Gulfstream Park. Aliás, por lá encontramos ainda boliche, cassino, salões de simulcasting com ar–condicionado, incontáveis máquinas de auto–atendimento, poltronas exclusivas e mesinhas “Vips”para os apostadores, lojas dos mais diversos artigos, inúmeros restaurantes (inclusive um “Brazilian–Texan Grill”), bares, lanchonetes típicas, karaokê, etc.
Criadores, proprietários, profissionais e agentes não apenas do animado e rico turfe do Caribe estiveram presentes, mas também profissionais europeus e logicamente americanos. Conheci um agente inglês que está simplesmente implantando tudo relacionado ao turfe, na pequena ilha de Santa Lucia!
Em seu discurso no jantar de 6ª feira, Frank Stronach frisou seu interesse em promover o turfe “das Américas”. Na mesma noite, conversando com o Diretor de Saúde Animal do Grupo Stronach, Dr. Robert O´Neil, fiquei sabendo que os 55 animais estrangeiros chegaram entre 2 e 3 semanas antes da prova, ficaram totalmente isolados num gigantesco complexo quarentenário, localizado entre a pista e o estacionamento norte de Gulfstream, e que, até aquele momento, não havia ocorrido nenhum contratempo sanitário ou ocorrência de qualquer espécie. Notem bem: os animais chegaram poucos dias antes do páreo, ficaram isolados em megacocheiras exclusivas, com suas respectivas equipes, treinaram, comeram, beberam, correram e não apresentaram qualquer problema. Assim como acontece nas Olimpíadas, diga–se de passagem, onde nenhum escândalo de mormo, anemia ou outros “fantasmas” similares atrapalham ou impedem a ida e vinda de animais...
Com sua visão e empreendedorismo, não seria surpresa se Frank Stronach criasse um evento ainda mais abrangente, envolvendo quem sabe as 3 Américas numa série de disputas... Com o sucesso da logística e a redução do tempo de quarentena alcançados no Caribbean Classic, esta possibilidade torna–se ainda mais viável. Vamos trabalhar nesse sentido, e quem sabe um dia ainda assistiremos a um congraçamento histórico de todo o turfe das Américas!