O PRIVILÉGIO ETERNO DE VER UM CRAQUE CORRER
Nada encanta mais o verdadeiro turfista do que ver em ação um puro–sangue da mais absoluta exceção. Adrenalina pura! No último sábado, na disputa do Grande Prêmio Carlos Pellegrini, foi assim. Por telefone, Jorge Ricardo já havia nos alertado de que Puerto Escondido era um avião. E, assim que abriram–se as portas do boxe, o conduzido de Osvaldo Alderete comprovou totalmente esta impressão. Inteligente, Ricardinho correu para se colocar. E, por isso, conseguiu obter o segundo lugar com o valoroso Don Inc. New In Town defendeu as cores do Haras Regina com expressiva dignidade e chegou embolado, no quarto lugar, com o próprio Don Inc e Village King.
A maneira simples e eficaz como Puerto Escondido pulverizou os adversários foi tão esmagadora, que as emoções se resumiram na disputa titânica pelo segundo lugar. Aceleração é a palavra chave para este belíssimo corredor. E os “burreros” sabem muito bem disso. Nos principais momentos da prova, quando Alderete acionava o seu pilotado, o povo em coro, fazia tremer as tribunas de San Isidro, no compasso melódico de sua toada. No final, como sempre acontece, o público invade a raia e quer tocar no craque campeão. Puerto Escondido, de temperamento dócil e tranquilo, não se incomodou com o aglomerado de gente. Sereno, nem parecia ter se esforçado muito para levantar a maior prova do turfe Sul–americano.
FLIGHT TIME
No prado carioca, guardadas as devidas proporções de importância das provas, também tivemos o nosso aviãozinho em ação. No campo do Grande Prêmio Frederico Lundgren, em 1.600 metros, Grupo III, a presença de Flight Time, do Black Opal Stud, encantou a todos. Montado com frieza e precisão por Ângelo Márcio Souza e apresentado em forma soberba por Roberto Solanês, o filho de Put It Back e Quanto Carina manteve a invencibilidade nas pistas, depois de três apresentações. E o fez em estilo dos mais instigantes, num galope de saúde em 1m32s98 para os 1.600 metros. Sensacional! Flight Time não corre e sim desliza. Pisa na grama como se estivesse num tapete persa. E, como nos desenhos animados das mil e umas noites, este tapete é mágico. E por isso, Flight Time voa.
SILENCE IS GOLD
No Grande Prêmio Mariano Procópio, para potrancas, também tivemos um animal da mais pura exceção. Silence Is Gold, do Stud São Francisco da Serra, alcançou a quinta vitória de sua campanha, e mais dois segundos lugares, em sete saídas. Apresentada em exuberante forma atlética pelo talentoso Júlio César Sampaio, e conduzido pelo magnífico bridão, Carlos Lavor, a defensora das sedas de “Sir” Toni Ribeiro Pinto demonstrou absoluto domínio na geração de fêmeas. Desde já deve ser apontada como favorita nas provas da tríplice–coroa. Tem pedigree para superar as dificuldades do aumento da distância. E classe então, nem se fala.
PSI MELHOR APRESENTADO
Nada mais bonito na raia de grama da Gávea do que o galope de apresentação de Cometa Karlo, do Stud Embalagem, no cânter para o Clássico Sabinus. Daniel Lopes, jovem treinador, atravessa período prodigioso de sua carreira profissional. Valdinei Gil esteve perfeito no dorso do filho de Pitu da Guanabara, um tordilho lindo e dono de aceleração fantástica. Um show!
JOQUEADA DA SEMANA
Numa semana dominada pelo seu maior rival, Valdinei Gil, Leandro Henrique teve tempo para dar direção espetacular na potranca Energia Espacial, do Stud Pedudu, e treinamento de Ronaldo Lima. Acompanhou com destreza o ritmo forte da competição, sempre com o melhor percurso, e teve a sensibilidade de encontrar o momento certo para abrir caminho para a atropelada de sua pilotada. Encontrado o espaço, o jovem pernambucano utilizou a sua maior arma, o rigor extraordinário no dorso dos puros–sangues que monta.
SUGESTÃO – Nada contra o layout das novas telas de apostas. São de bom gosto e com predominância do verde, cor favorita da PMU. Os caracteres, entretanto, podem e devem ser aumentados devido à elevada faixa etária da maioria dos turfistas. Os números em caixa alta favoreceriam a terceira idade.
