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Dezembro | 2017

Páreo Corrido, por Paulo Gama
12/12/2017 - 09h33min

VALE A PENA PEGAR A PONTE AÉREA RIO–BUENOS AIRES

Enfim, uma semana de gala no turfe sul–americano. O ano de 2.017 se encerra com dois eventos dos mais expressivos. No sábado, dia 16 de dezembro, mais uma vez será disputado o tradicional Grande Prêmio Carlos Pellegrini, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. Deverá acontecer autêntica invasão de turfistas brasileiros a capital da Argentina. New In Town, do Haras Regina, representará o time nacional com reais possibilidades. No Rio de Janeiro, no dia seguinte, domingo, dia 17, o Jockey Club Brasileiro organizou belíssima programação, com quatro provas clássicas, o chamado “Meeting do fim de ano”. Vale a pena, portanto, ir até a capital argentina e voltar para curtir a jornada carioca. Um prato cheio para os verdadeiros turfistas!

Na Argentina, o visitante terá o privilégio de desfrutar da fantástica atmosfera que envolve a disputa da maior prova do turfe portenho. O Hipódromo de San Isidro estará com público extraordinário, que, em caso de tempo bom, fica sempre acima das 50 mil pessoas. Um show dos “Burreros”, com os seus gritos e aplausos generosos para os cavalos e os profissionais envolvidos, jóqueis e treinadores. É a oportunidade de rever Jorge Ricardo, nos últimos passos rumo ao recorde mundial, Francisco Leandro, uma máquina de vitórias nas últimas semanas, José Aparecido, no melhor momento de sua carreira. Altair Domingos segue contundido. Uma pena!

Além das estrelas nacionais, radicadas por lá, haverá a chance de assistir em ação o melhor jóquei uruguaio de todos os tempos, Pablo Falero. Conhecer de perto o garoto prodígio, Eduardo Ortega Pavon, um paraguaio campeão da estatística, que desbancou as estrelas da companhia em 2.017. E torcer pela farda rubro–negra do Haras Regina, com Ângelo Márcio Souza no dorso de New In Tow, pensionista de Roberto Solanês, no auge de sua carreira profissional. Um programa inesquecível!

O meeting carioca tem ótimo nível técnico. E os campos dos páreos, sem número excessivo de concorrentes, com certeza proporcionará chegadas eletrizantes. No GP Almirante Tamandaré, Emperor Roderic defenderá o favoritismo. No GP Frederico Lundgren, Flight Time colocará em risco a sua invencibilidade. No GP Mariano Procópio há visível equilíbrio na luta pela liderança da geração. E no GP Júlio Cápua, o confronto de especialistas da milha será dos mais interessantes. Portanto, não me parece nenhuma loucura, para quem pode, gastar um pouco mais e embarcar nesta ponte aérea Rio– Buenos Aires–Rio. Um turbilhão de emoções.

CORRIDA SEM A CERCA MÓVEL

A iniciativa de liberar a pista de grama, sem a cerca móvel, uma semana antes do meeting do fim de ano, foi das mais elogiáveis. Corridas limpas, sem maiores incidentes, e espetáculo de rara beleza. Esta semana poderemos ter outra vez o prazer de estudar os páreos na relva sem nos preocupar com possíveis prejuízos e percalços causados pela cerca móvel. É inegável a sua utilidade para proteger a pista. Porém, na mesma proporção, parece também inegável que ela tira a regularidade das carreiras.

NOVO MODELO DAS ENTREVISTAS DE TV

A mudança radical na cobertura jornalística da televisão do JCB merece todos os elogios. O turfe saiu do casulo, ou seja, daquela mesmice de só perguntar a chance deste ou daquele cavalo. A circulação dos repórteres pelo padoque, arquibancadas, e demais setores do prado, inclusive a sala da Comissão de Corridas, foi das mais interessantes. A entrevista com Marcos Mazini, feita por Juliana Dias, foi excelente, e encostou o grande jóquei na parede. André Cunha reuniu vários treinadores com cavalos no mesmo páreo, o que ajudou bastante o público apostador, e o Celson Afonso, que foi jóquei, sentiu– se a vontade no bate–papo com os profissionais. Juliana, muito criativa, mostrou a sala dos comissários e os excelentes recursos que eles possuem para julgar os páreos. Matéria de utilidade pública. A iniciativa tirou a rapaziada da TV do aquário. Talvez seja melhor dizer, da zona de conforto. E com isso, eles fizeram o mesmo com jóqueis e treinadores. É assim que fazem os repórteres de futebol, vôlei e outros esportes. No turfe não pode ser diferente. Foi bom para todos. O público turfista ficou melhor informado. E os profissionais puderam demonstrar qualidades escondidas na proteção do aquário. Parabéns a PMU e ao JCB.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Capitólio, do Stud Grumari, foi apresentado em forma exuberante pelo experiente Jairo Borges. Preparo irretocável do seu pensionista. Animal de categoria, o filho de Silent Times, criado no Haras Santa Rita da Serra, largou e pulverizou os rivais, numa direção precisa de Ângelo Márcio Souza. Aliás, o piloto, que sempre prefere correr os seus conduzidos atrás, pode mostrar ao público que, se necessário, também sabe correr muito bem na ponta.

JOQUEADA DA SEMANA

Marcos Mazini está outra vez em boa forma atlética. A torcida é para que este período cíclico dele possa durar mais do que de hábito. Mazini é daqueles jóqueis que contrariam a tese de que jóquei não dá pata a cavalo. Os jóqueis excepcionais, como é o caso dele, desequilibram a balança. Foi o que ocorreu na Prova Especial Old Tune. No dorso de Ishvara, do Stud Pocotinha, e preparo caprichado de Cosme Morgado, Mazini arranjou uma espécie de turbina desconhecida para a filha de Cape Town, criada no Stud Red Rafa. Ishvara, que estava encabulada e batendo na trave nos páreos de turma, na tocada de Mazini e na pegada firme de canhota, ganhou um clássico.



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