Jorge Antônio Ricardo, sempre atento a todos os aspectos que se referem a sua carreira, conversou ontem à tarde, por telefone, com o Raia Leve. Ricardinho aproveitou para corrigir a contagem oficial do seu incrível número de vitórias. O maior ídolo do turfe brasileiro tem todos os seus triunfos catalogados e assegurou ter 12.824 triunfos, ou seja, uma a mais do que o nosso quadro de informações. Ricardo precisa então de apenas 20 pontos para igualar o recorde mundial de Russel Baze, 12.844, e com mais 21 ficará isolado na liderança como o jóquei número um de todos os tempos. Quem somos nós para discutir os números do campeão?
“Refiz a contagem das minhas vitórias e posso assegurar que este é o número correto. É claro que este pontinho não faz tanta diferença no contexto, depois de tanto tempo. Mas preciso ter tudo bem organizado para pleitear que o recorde mundial, quando vier, seja homologado de maneira oficial. Aos poucos estou chegando a minha melhor forma e sem a presença do Baze nas pistas não preciso acelerar demais. Fiquei sete meses parado e, em função disso, demorei um pouco para engrenar”, explicou.
Com relação ao fato de estar tendo número mais reduzido de montarias do que o normal, Ricardinho não sabe justificar os motivos. Segundo ele, logo que reapareceu estava um pouco acima do peso e ainda sem ritmo de competição. Nas últimas semanas, entretanto, ele se diz bastante satisfeito com o seu estado atlético. “Certas coisas são difíceis de explicar. Na verdade tenho tido bem menos oportunidades. Porém, nas circunstâncias, isto não tem me incomodado muito. Ganhei duas provas de Grupo I em curto espaço de tempo. E estou perto do principal objetivo da minha longa carreira, que é ser recordista mundial. Não preciso ficar ansioso por que este recorde vai acontecer logo”, afirma convicto.
A possibilidade de voltar ao turfe brasileiro existe. Ricardo nunca descarta esta hipótese. Apesar do número menor de chances nas raias argentinas, ele se diz muito grato ao “burreros”, aficionados argentinos, que lhe apoiaram mesmo nos momentos difíceis. Por isso jamais admite a possibilidade de bater o recorde longe da Argentina. “Sou um cara decente. E talvez este seja o meu maior patrimônio. Não seria ético, depois de tantas demonstrações de carinho do povo argentino, eu ir embora no momento mais importante da carreira. Depois analiso um possível retorno a Gávea”.
Por telefone também, Ricardo ficou emocionado de conversar com o advogado Eduardo Barreto, titular do Stud Yolanda e Pamela, para quem venceu diversas carreiras nos tempos de turfe brasileiro. Recebeu palavras de incentivo do proprietário e agradeceu as lembranças tão preciosas para ele. “Fico emocionado toda vez que converso com algum turfista brasileiro. Foram momentos inesquecíveis vividos naquele hipódromo. Não vou deixar de fazer uma bela despedida por lá”, prometeu.
por Paulo Gama