Nem tudo são flores no turfe paulista. A caminhada rumo a recuperação do Jockey Club de São Paulo sofreu tremendo retrocesso, depois da divulgação de nota sobre o não pagamento de prêmios no site oficial do clube. Os proprietários de cavalos de corrida sofreram devastador banho de agua fria ao saber que não receberão os prêmios conquistados por seus cavalos nas pistas nos próximos 60 dias. O argumento apresentado para tal medida são os encargos da diretoria com as contas do final de ano, incluindo impostos e pagamento de funcionários. Mas uma vez, os proprietários dos puros–sangues, razão de ser de um clube hípico, vão ter que pagar o pato.
A crise financeira da atividade turfística no país impede a reação do tradicional clube paulista. Os novos dirigentes tem tentado sacudir o clube no aspecto financeiro, social e político. Porém, a infecção generalizada do turfe nacional, atinge o seu ponto máximo. Em primeiro lugar, o reduzido número de nascimentos a cada ano. Além disso, o divórcio absoluto com a mídia. É duro a gente admitir. Mas a verdade é que as novas gerações não se interessam pelo turfe. Os hipódromos ficam as moscas. E as soluções encontradas para sair do buraco são o incentivo a realização de shows, feiras de arte, e outras promoções, para faturar com o aluguel do espaço dos prados. Existem boas ideias e projetos ousados. Estes projetos, entretanto, esbarram nas dificuldades de encontrar parcerias financeiras para executa–los.
O Jockey Club de São Paulo chegou a concretizar a ideia de ter três programas semanais. Durou pouco. A população de cavalos está reduzida e dificulta o sucesso deste planejamento. Esta semana, por exemplo, enquanto a Comissão de Corridas carioca formou 35 páreos, divididos em quatro reuniões, em Cidade Jardim, teremos apenas 15. Oito provas no sábado e apenas sete na segunda–feira. Os simulcastings entre Rio de São Paulo ajudam alguma coisa. Nestes dias, o movimento de apostas arrecadado no clube coirmão facilita o pagamento das despesas.
Os tempos de 11 e 12 páreos em cada reunião da Gávea e de Cidade Jardim ficaram no passado. Esperar rever as arquibancadas destes hipódromos lotados parece um sonho muito distante. Entretanto, existem turfistas influentes, capazes e inteligentes em todos os clubes hípicos nacionais. Já passou da hora desta gente se sentar e debater os problemas sociais, financeiros e políticos que deixaram a atividade turfística num verdadeiro xeque–mate. Daqui a bem pouco tempo ficará impossível de se enxergar qualquer tipo de luz no fim do túnel.
por Paulo Gama