O CONE NA PISTA, O PROGRAMA OFICIAL ERRADO E A TV ENGUIÇADA
Algumas situações são bastante embaraçosas na vida da gente. Esta crônica, com certeza, foi uma das mais difíceis de escrever na minha carreira jornalística. Porém, o compromisso do repórter é com os fatos. Acima de tudo tem que estar a notícia. Doa a quem doer. Alguns erros ocorrem por incompetência. Outros, por simples distração. E ainda existem outros cometidos por cansaço, estresse ou coisa que o valha. Tem muita gente de bem na atual diretoria do Jockey Club Brasileiro. Pessoas abnegadas, turfistas de escol, que desejam sempre fazer o melhor. Indivíduos que deixam os seus afazeres pessoais de lado para tentar melhorar a atividade turfística no Rio de Janeiro. Por isso me sinto incomodado de criticar tanta gente de bem. Mas, apesar do ótimo show do Zeca Pagodinho, no último domingo, na Gávea, não se pode administrar o grandioso clube hípico em ritmo de “Deixa a vida me levar. Vida leva eu”. Infelizmente, turfe não é pagode.
Na terça–feira passada, uma das televisões da varanda da social, começou a falhar. O funcionário veio, olhou e disse para mim. “Esta televisão já era. Não demora e vai pifar. E pifou. No sábado, os turfistas tiveram que se aglomerar na única que sobrou, de frente a mesa do Helinho, do Stud Helube. Muita gente para um monitor só. Desconfortável. Esta turma daquelas bandas já espera a volta da lanchonete que havia no local há dois anos. De imediato, todos ficaram cabreiros. Julinho Baby Doll chegou a insinuar, com aquele tom sarcástico que lhe é peculiar. “Será que esta televisão vai demorar tanto quanto a lanchonete?”. Pelo jeito vai. No domingo e segunda–feira nada do novo monitor. E hoje, terça–feira, podem apostar que nada vai mudar. Trata–se de um problema de falta de gestão e de comprometimento com o espetáculo que o clube promove.
Sem televisão, os turfistas tiveram que acompanhar o quarto páreo de sábado aglomerados de frente ao solitário aparelho televisivo que sobrou. E, todos em coro, ao mesmo tempo gritaram: “Tem um cone na pista!”. E tinha mesmo. No meio do caminho havia um cone. Havia um cone no meio do caminho, diria Carlos Drummond de Andrade se estivesse no prado carioca junto com aquela turma assistindo as corridas. Era óbvio que aquele conezinho era um dos tantos que haviam sido colocados antes do cânter para limitar o espaço autorizado para o galope de apresentação. Um deles foi esquecido e poderia ter causado grave acidente para os jóqueis ou para os cavalos. Ou para ambos. Quem sabe? Mais uma vez, falta de gestão e de comprometimento. Já soube que alguém foi mandado embora.
Os mesmos turfistas que sofrem sem a lanchonete da social, prometida há dois anos atrás, a televisão que não é recolocada, de um dia para o outro, e presenciaram assustados o cone em plena raia de grama durante o páreo, viram a quebra de um tabu, na segunda–feira. Nos meus tempos de menino, quando havia qualquer discordância sobre informações em publicações diferentes, O Favorito, Barbadas em Desfile, Padoque, ou Revista JCB, a solução encontrada para acabar a discussão era consultar o programa oficial. “O que vale mesmo é o programa oficial”, diziam os turfistas antigos. E era verdade. Horário do páreo, pista, ou qualquer informação. A precisão absoluta do programa oficial era sempre inquestionável. Pois não é que na Revista Turfe Brasil, o último páreo da noturna estava programado para a pista de areia. E no programa oficial, este mesmo páreo seria na raia de grama. Desta vez o programa do JCB estava errado. E muita gente entrou pelo cano.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Sou Giovanna, do Stud Monte Parnaso/Quintella, reapareceu de ausência das pistas desde 27 de março. E no galope de apresentação já foi possível notar o seu perfeito estado atlético. Roberto Solanês atinge o ápice de sua brilhante carreira na atualidade. O neto do “seu “Eurico tem dado as cartas no turfe carioca neste ano hípico e já possui boa margem na liderança da estatística do hipódromo carioca. Os produtos da nova geração estão sempre em grande forma e a velocista Sou Giovanna foi mais uma demonstração de competência do jovem profissional. Parabéns para toda a equipe do CT Verde e Preto.
JOQUEADA DA SEMANA – Leandro Henrique esbanja rigor e motivação no dorso dos seus conduzidos. Esta semana, se houvesse punição por excesso de empenho, ele não escaparia. Eagle Princess, de propriedade de Dilvio Naissinge de Oliveira, ao contrário do habitual, quando atua entre as ponteiras, não teve bom início de percurso. Ficou nos últimos postos, numa corrida de ritmo acelerado. Leandro então decidiu justificar o genial apelido de “Braço de Mola “que lhe foi dado por este excelente locutor, Thiagão Guedes. Como se fosse uma máquina de tocar e bater, ele trouxe no colo a pensionista de Daniel Peres para uma vitória improvável.
Vamos torcer para que o garoto tenha sorte no sorteio de suas montarias para o Torneio Internacional de Hong Kong, na próxima semana, na China. Leandro tem tudo para fazer bom papel contra algumas das maiores estrelas do turfe mundial, no Hipódromo de Happy Valley. Entre as principais atrações estarão os brasileiros João Moreira, o “Magic Man”, e Silvestre de Souza, bicampeão da estatística da Terra da Rainha. Em forma física exuberante, o jovem pernambucano pode dar tremendo calor na concorrência estrangeira. Dá–lhe Braço de Mola!
RICARDINHO NA CONTAGEM REGRESSIVA – No momento em que escrevo esta coluna, Jorge Antônio Ricardo soma 12.821 vitórias em sua carreira. Aos 56 anos, o ídolo do turfe brasileiro se aproxima do recorde mundial. Russel Baze, o recordista, se aposentou com 12.844. Portanto, Ricardo precisa de 24 triunfos para superar a marca do canadense. Vamos torcer para que este fato histórico aconteça numa quarta–feira, em San Isidro, para que possamos ter a imagem ao vivo pela PMU. Se acontecer em Palermo ou La Plata, nada feito.
