Depois de longo tempo, o turfista brasileiro teve em três dias consecutivos com o simulcasting entre os hipódromos da Gávea e de Cidade Jardim. O movimento geral de apostas entre os dois principais hipódromos do País girou em torno de R$ 900 mil. O maior de todos foi no sábado, dia da realização do Festival do GP Derby Paulista. Se aqui na Gávea foram apostados decepcionantes R$ 644.985,10, no simulcasting com Cidade Jardim, o clube carioca faturou, livre de despesas, R$ 284.695,82, de apostas em São Paulo, num total de R$ 943.179,92. Vale ressaltar que foram só oito provas no prado carioca. Em compensação, foram disputadas 11 páreos em Cidade Jardim, sendo cinco da esfera clássica, e duas de Grupo I. O turfista sabe bem o que é bom.
No domingo, o movimento geral de apostas entre os dois centros turfísticos ficou abaixo do dia anterior, ou seja, R$ 904.560,06. Na Gávea, com páreos de melhor qualidade, os apostadores proporcionaram arrecadação de R$ 722.265,02, bem acima do sábado. Por outro lado, em Cidade Jardim, com apenas sete páreos, e a reunião com início às 14h, no horário de verão, apenas R$ 182.295,06 foram jogados. Com o número reduzido de páreos parece óbvio começar as carreiras à 16h, o que no horário normal representaria 15h. Na segunda–feira, o movimento geral dos dois prados alcançou R$ 935.101,42, muito próximo do sábado à tarde.
Pode–se considerar empate técnico entre os dois dias em termos financeiros, se levarmos em conta os R$ 13 mil apostados nas corridas de quarto de milha da PMU, em Sorocaba. Aliás, boa iniciativa, porém pouco divulgada. Na segunda–feira, a Gávea vendeu R$ 787. 636,34 em apostas e, Cidade Jardim, apenas R$ 147.465,00, com sete provas. A terça–feira solitária da Gávea, com carreiras de nível técnico sofrível, foi um fiasco financeiro, com movimento de R$ 607.094,93. A diminuição do nascimento de puros–sangues no Brasil, sinônimo de diminuição da população de equinos, a cada dia representa um desafio para a formação dos programas.
Algumas correntes turfísticas já pensam em debater com os dirigentes a liberação do fenil. O efeito seria imediato na volta de puros–sangues de mais idade, repatriados de outros centros do país. Outros aficionados consideram a hipótese da volta dos handicaps baseados no modelo do turfe chileno, a partir dos quatro anos e mais idade. E os mais radicais desejam debater a volta dos exames antidopings no próprio território nacional para economizar as enormes despesas com os exames na França. Pouco dinheiro, trato caro e prêmios baixos formam a equação mais problemática do turfe nacional. Este teorema é um cálculo de difícil solução para os proprietários de cavalos de corrida. Poderia ser sugerido como problema nas provas das Olimpíadas de Matemática.
por Paulo Gama