CIDADE JARDIM EM RITMO DE PAULICÉIA DESVAIRADA
A exemplo do que aconteceu na semana de Arte Moderna de 1922, quando o escritor Mário de Andrade lançou a obra literária “Paulicéia Desvairada”, um livro de vanguarda, perturbador e surpreendente para os padrões sociais daquela época, os atuais dirigentes do turfe paulista, 95 anos depois, administram o tradicional clube hípico em ritmo alucinante e progressista. Nem mesmo a herança de dívidas, problemas sociais e trabalhistas parece intimidar o pelotão de choque de Benjamin Steinbruch. A antiga reunião turfística semanal, solitária e melancólica, logo aumentou para dois programas dinâmicos, assim que a nova diretoria assumiu. E agora, esta semana, para alegria e satisfação de todos os aficionados, a Comissão de Corridas paulista conseguiu formar três reuniões, todas elas com simulcasting com o Hipódromo da Gávea. Bons ventos voltaram a soprar em Cidade Jardim. E nada melhor do que uma semana de Grande Prêmio Derby Paulista para voltar a sonhar com os melhores dias.
No sábado, primeiro simulcasting dos dois principais hipódromos do país, o Rio de Janeiro terá apenas oito páreos. Sem problemas. É o dia mais forte do turfe paulista, com duas provas de grupo I, o GP Derby Paulista e o GP Diana, uma prova de grupo II, o GP Ministro da Agricultura, e uma de grupo III, o GP Luiz Fernando Cirne Lima. No domingo e na segunda–feira, para contrabalançar, São Paulo terá apenas sete provas em cada dia, porém este fator será compensado por nove páreos na Gávea, respectivamente. Ou seja, 17 páreos no simulcasting em ambos os dias. Na terça–feira, o prado carioca ainda promoverá reunião de oito páreos para fechar a conta. Em tempos de diminuição de nascimentos anuais de puros–sangues, ou seja, em linguagem mais clara, menor população de equinos a cada temporada, a cooperação entre os dois clubes parece fundamental para enfrentar a crise.
A INCRÍVEL ACELERAÇÃO DE KRIS FIVE
O coração da gente transborda de alegria quando um turfista de escol, feito Jorge Mendonça, conquista uma prova importante do calendário clássico. Foi justamente o que aconteceu no último sábado em Cidade Jardim. Kris Five, do Stud Mendonça, ganhador da milha internacional carioca, Grande Prêmio Presidente da República, no último mês de junho, confirmou toda sua classe no Grande Prêmio Governador do Estado. Preparo para lá de perfeito do Estanislau Petrochinski no filho de Christine’s Outlaw, criado no modelar Cruz de Pedra. Em casa, na telinha, consegui imaginar a emoção do meu querido amigo, Jorge Mendonça, nas tribunas de Cidade Jardim. Turfista apaixonado, Mendonça tinha os seus cavalos, na década de 90, com o saudoso João Luiz Maciel. Para mim, o melhor deles foi By Fasten, que se colocou no Grande Prêmio Brasil e ganhou a Taça de Ouro. Mendonça ficou afastado do nosso convívio no prado carioca por um bom tempo. Mas voltou com tudo. E voltou com um craque espetacular na milha, este atropelador sensacional, Kris Five.
JOQUEADA DA SEMANA
Esta semana vou deixar os pilotos cariocas de lado. Jeane Alves esteve impecável no dorso de Kris Five, na sabatina de Cidade Jardim. Não existe mais dúvidas sobre a categoria desta joqueta. Correu o pensionista de Petrochinski no fundo do lote, com absoluta confiança. Nos 400 metros finais, arrancou o seu conduzido por fora e fez a partida. Kris Five deu arrancada fulminante e passou por Gibraltar Point, do Haras Kigrandi, excelente corredor, como se ele estivesse paralisado ao seu lado. Um momento mágico e inesquecível para quem ama os cavalos e a sua incrível capacidade de acelerar. Jeane está no auge de sua carreira.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O time das mulheres também brilhou na Gávea. Cristina Resende reapareceu Etoile Des Etoiles, do turfman, André Luiz Dumortout de Mendonça, em forma atlética excepcional. A filha de Wild Event, afastada das pistas desde fevereiro, deu um passeio na raia. Victória Mota esteve tranquila no dorso da ganhadora. Cristina Resende tem agora no seu plantel, uma égua para correr com reais possibilidades as provas graduadas. O páreo do último sábado estava fraco, sem dúvida. Porém a desenvoltura de Etoile Des Etoiles chamou atenção dos observadores lúcidos e imparciais, como escreveria, se estivesse vivo, em sua coluna, “Volta Fechada”, no Jornal do Brasil, Marcos Ribas de Faria, o inesquecível “Escorial”.
