ROBERTO SOLANÊS, O PERSONAGEM DA SEMANA TURFISTICA
Se estivesse vivo, o saudoso criador e proprietário Eurico Solanês faria um tremendo ruído na Tribuna Social do prado carioca. Afinal, o seu neto, Roberto Solanês, ganhou no mesmo dia, 29 de outubro de 2.017, três provas do calendário clássico. No último domingo, o jovem treinador, 35 anos, levantou a Prova Especial Walmeister com Fantastic Boy, do Black Opal Stud, o GP Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr., através de New In Town, do Haras Regina, e finalmente a Prova Especial Platina, com Perdonada, do Haras Dilema. Homem de temperamento forte, “seu” Eurico fundou o Haras Verde e Preto, da tradicional farda das cores verde e preto em listras horizontais, em 1972, na estrada Rio–Bahia, nos arredores de Teresópolis. Na opinião do seu filho, Gilberto Solanês, pai de Beto, Nagami foi o melhor animal criado por lá. A farda também foi defendida por craques inesquecíveis como Corageuse e Clareira, entre tantos outros campeões.
O Centro de Treinamento Verde e Preto foi fundado em 1983, com capacidade para alojar 150 puros–sangues. Em pouco tempo conquistou vitórias memoráveis, entre elas, o Grande Prêmio Brasil, com Moryba, do Stud Correas, e o Grande Prêmio São Paulo, com Universal Law, do Haras Regina, entre tantas outras glórias na esfera clássica. Beto Solanês, que recebeu matrícula em 2.007, nos últimos 10 anos só fez confirmar o seu pedigree desta família de turfistas de escol. No melhor momento de sua carreira profissional, e contando com equipe de ótimos segundos–gerentes, redeadores e cavalariços, Beto, nesta temporada, se constitui numa enorme encrenca para os seus adversários. Sobretudo pela inegável qualidade do seu plantel, com vários animais clássicos, e uma enxurrada de potros da nova geração dotados de excepcional capacidade de aceleração.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O treinador Jaime Moniz Aragão trouxe em estado atlético perfeito Casual Elegance, de Ronaldo Cramer Moraes Veiga, depois de mais de um ano de ausência das pistas. O seu pensionista largou mandando no páreo e teve sobras para resistir as tentativas inúteis dos rivais de se aproximar dele nos metros finais. Apresentação de luxo do profissional, que deu formidável alavancada em sua carreira depois que se transferiu para o Centro de Treinamento Bella Vista, em Teresópolis.
JOQUEADA DA SEMANA
Numa semana de algumas belas direções, vale destacar o desempenho de Vagner Borges no dorso de Efectista, do Stud Sampaio, e treinamento de Adélcio Menegolo, no sexto páreo de sábado à tarde. Correu com absoluta confiança, junto à cerca interna, e soube aproveitar cada palmo do percurso. Na reta final demonstrou ter recuperado aquela boa forma atlética, que o levou a conquista de três estatísticas no turfe carioca. Não mudou apenas a cor do cabelo. Tirou aquele louro ridículo para um corte de fuzileiro naval. Deixa a nítida impressão de ter mudado também a sua atitude. Tive a oportunidade de trabalhar com ele por vários anos e posso atestar que quando está com sangue nos olhos, como agora, é um competidor difícil de ser batido. É um jóquei leve e que possui todas as armas.
RICARDINHO PERTO DA GLÓRIA
No momento em que escrevo esta coluna, Jorge Ricardo venceu, no dia anterior, uma prova clássica no Hipódromo de Palermo. Depois de seis meses em recuperação de fratura no fêmur, este obstinado e incansável campeão, chega a incrível marca de 12.816 vitórias. Daqui a pouco tempo chegará ao recorde mundial de forma inexorável e definitiva. Será o número um de todos os tempos. Vale a pena a PMU deixar de lado as suas diferenças e picuinhas com o turfe argentino e passar ao vivo este feito. Será um momento único para a legião de fãs do jóquei brasileiro.
MOVIMENTO DE APOSTAS
Difícil fazer comentário abalizado sobre o atual Movimento de Apostas do turfe carioca. A oscilação tem sido enigmática e de difícil diagnóstico. A única certeza é que o movimento está em queda libre. Como se tivesse descendo por um tobogã com rampa gigantesca. No sábado, a mudança de raia absurda, com volta fechada de 5.3, corroborou para isso. Estes índices estão defasados agora que estamos perto do verão. Talvez, por isso, o Jockey Club só vendeu R$ 571.626,29. E o simulcasting, com Cidade Jardim, passou da terça parte, ou seja, R$ 200.445,35. Menos mal. Porém, difícil de entender. Será que foi pelo fato de lá ter tido grama? No domingo, o melhor e surpreendente movimento da semana: R$ 740.754,29. Bem, a raia foi liberada e tivemos a relva. E na segunda–feira, com grama e tudo, e no dia que costuma vender barbaridade, apenas R$ 675.419,93. O que houve? Mais uma vez São Paulo, no simulcasting, salvou a pátria com R$ 178.893,81, com apenas oito provas. O total de R$ 854.259,74 é baixo para a noturna de segunda–feira que deveria bater R$ 1 milhão.
BREEDER’S CUP
Semana de grande evento turfístico nos Estados Unidos. As atenções de todo os turfistas mundo afora estarão no festival da Breeder’s Cup. Alguns dos melhores puros–sangues do planeta estarão em ação. Jóqueis e treinadores que são autênticas estrelas internacionais, com faturamento milionário anual. Vou ficar ligado na telinha e acompanhar esta viagem com o excelente comentarista da TV Turfe, André Rodrigues. Estudioso, bem informado e interessado, ele com certeza conduzirá, com a categoria de sempre, esta incrível jornada do turfe internacional.
